
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã Kazem Gharibabadi chamou o presidente dos Estados Unidos Donald Trump de “criminoso e assassino” nesta quarta-feira (8/7), após o líder norte-americano ameaçar realizar novos ataques contra o território iraniano e declarar que o memorando de entendimento firmado entre os dois países “chegou ao fim”
A declaração foi publicada por Gharibabadi na rede social X poucas horas depois de Trump afirmar que Washington poderá intensificar as operações militares contra Teerã.
“Nós os atingimos com força na noite passada; muito provavelmente os atingiremos com força novamente hoje à noite”, declarou o presidente dos Estados Unidos.
Em resposta, o vice-chanceler iraniano afirmou que as ameaças do republicano representam o fracasso da estratégia adotada por Washington ao longo dos últimos anos.
“As declarações de hoje de Trump, desde os insultos à nação iraniana até as ameaças de ataques adicionais, não são um sinal de poder, mas sim uma confissão do fracasso de uma política que, por anos, foi construída sobre força bruta, sanções e ameaças, e que não conseguiu dobrar a nação iraniana”, escreveu.
Na mesma publicação, Gharibabadi chamou Trump de “criminoso e assassino”.
“Com o criminoso e assassino Trump, é preciso falar na linguagem dele; aparentemente, ele entende melhor a linguagem da força”, afirmou.
Mais cedo, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, Trump afirmou que considera encerrado o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho, criado para estabelecer um caminho rumo a um cessar-fogo definitivo.
“Para mim, acabou. Vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar. São boas pessoas, mas precisam me dar um retorno. Na minha opinião, é pura perda de tempo lidar com eles”, declarou.
O presidente norte-americano também voltou a atacar o governo iraniano.
“Eles agiam como valentões no Oriente Médio, mas não são mais os valentões”, declarou.
Em seguida, Trump acusou as autoridades iranianas de agirem de má-fé.
“São mentirosos. Há algo de errado com eles. São loucos. Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam”, afirmou.
Antes da fala do presidente Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já havia acusado os Estados Unidos de descumprirem o memorando firmado em 18 de junho.
Em comunicado, o chanceler classificou a decisão norte-americana como uma “violação flagrante” do entendimento.
“Menos de 20 dias após a assinatura do Memorando de Entendimento de Islamabad, o anúncio da revogação da licença geral emitida em 21 de junho é mais uma demonstração da má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade do governo dos EUA”, afirmou.
O memorando previa um arcabouço para negociações destinadas a alcançar um cessar-fogo permanente após semanas de confrontos entre os dois países.
Ao longo desta terça-feira (7/7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter bombardeado mais de 80 alvos iranianos, alegando que a ofensiva foi uma resposta a supostos ataques do Irã contra três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado uma operação conjunta com mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.
Segundo comunicado divulgado pelo grupo, foram atingidas 85 instalações estratégicas dos Estados Unidos, em uma ação descrita por Teerã como a “resposta inicial” à ofensiva americana.
A nova troca de ataques eleva novamente a tensão no Oriente Médio e coloca em risco os esforços diplomáticos iniciados nas últimas semanas para encerrar o conflito entre Washington e Teerã.
