
O uso de cigarro eletrônico, conhecido como vape, pode causar alterações na função pulmonar superiores às observadas em fumantes de cigarro convencional. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT-RS).
A pesquisa, publicada nesta sexta-feira (2/10) na revista Fisioterapia em Movimento, avaliou 45 pessoas entre 18 e 40 anos, divididas em três grupos, usuários de vape, fumantes de cigarro e não fumantes. Todos passaram por espirometria, exame que mede o volume e a velocidade do ar expelido pelos pulmões.
Os dados mostram que usuários de vape apresentaram pior desempenho em indicadores de função pulmonar. Eles liberaram menos ar no primeiro segundo da expiração e, proporcionalmente, também tiveram resultados inferiores aos fumantes de tabaco.
Isso indica que o ar consegue sair dos pulmões, mas com mais dificuldade, um sinal inicial de obstrução das vias aéreas. Esse tipo de alteração está relacionado, ao longo do tempo, a doenças como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Segundo o pesquisador Emmanuel Souza da Rocha, um dos autores do estudo, os achados mostram que as mudanças podem surgir cedo e sem sinais claros no dia a dia.
“Muitos jovens começam a usar o cigarro eletrônico acreditando que estão fazendo uma escolha inofensiva. Nossos achados mostram o oposto, mesmo em um grupo jovem e saudável, os usuários de vape já apresentam sinais de obstrução pulmonar superiores aos de fumantes de cigarro comum. O pulmão não foi feito para receber esse tipo de vapor”, disse em comunicado.
Além dos exames, os participantes relataram sintomas. Entre os usuários de vape, a maioria disse perceber piora na saúde após começar a usar o dispositivo, principalmente com episódios de tosse.
Em média, os participantes desse grupo tinham 21 anos e usavam o cigarro eletrônico havia cerca de oito anos.
Os pesquisadores destacam que a ausência de combustão não significa ausência de efeitos no organismo. O vapor inalado também pode interferir no funcionamento dos pulmões.

Os autores afirmam que ainda é necessário acompanhar os efeitos do uso por períodos mais longos. Mesmo assim, os resultados reforçam a necessidade de cuidados no uso do cigarro eletrônico e de mais informação sobre os possíveis efeitos na saúde.
Para a equipe, os dados ajudam a questionar a ideia de que o vape seria uma alternativa mais segura ao cigarro tradicional.
Uma mulher, de 27 anos, e a filha, de 10, foram esfaqueadas durante a madrugada dessa quinta-feira (1º/10) no bairro Ogiva, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
Segundo relatos da mulher, ela estava dormindo quando acordou sendo atacada a facadas pelo companheiro. Ao perceber o que estava acontecendo, a filha tentou proteger a mãe, mas também acabou sendo atingida.
As vítimas e o suspeito, que também ficou ferido, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros (CBMERJ) e encaminhados para atendimento médico. Até o momento, não há informações atualizadas sobre o estado de saúde dos envolvidos.
“A Polícia Militar informa que, de acordo com o comando do 25º BPM (Cabo Frio), policiais militares realizaram a prisão em flagrante de um homem apontado de cometer tentativa de feminicídio”, informou a PMRJ.
O caso é investigado na 126ª Delegacia de Polícia.
No Hospital Santa Rita, o Instituto Superar promoveu um momento especial de acolhimento, reflexão e cuidado dedicado aos funcionários da instituição.
A ação contou com a presença de uma psicóloga, proporcionando uma conversa importante sobre saúde emocional, valorização da vida e a importância de olhar para si e também para o próximo.
Após esse momento de reflexão, os profissionais puderam compartilhar um coffee break, fortalecendo os laços e tornando a experiência ainda mais leve e especial.
Porque cuidar vai muito além de oferecer assistência. Cuidar também é ouvir, acolher, compreender e estar presente. 💛
O Instituto Superar segue acreditando que pequenas atitudes podem transformar ambientes e, principalmente, vidas.
Setembro Amarelo — falar, ouvir e acolher também é cuidar. 💛
O Ministério Público Federal (MPF) definiu novos encaminhamentos para assegurar o acesso público à Praia do Toque, em São Miguel dos Milagres, após analisar as manifestações apresentadas durante a audiência pública realizada em 23 de setembro. Entre as medidas estão a elaboração de uma minuta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a definição de diretrizes para os acessos à praia e a realização de uma nova reunião, marcada para 21 de outubro, às 14h, para discutir a proposta com o Município, órgãos ambientais, órgãos públicos e representantes dos empreendimentos envolvidos.
A medida representa mais uma etapa da atuação conduzida pelo procurador da República Lucas Horta para buscar uma solução consensual e efetiva para o problema. O procedimento apura as dificuldades de acesso público à Praia do Toque e já envolveu vistorias, reuniões com os diferentes atores, expedição de recomendação e, mais recentemente, a realização da audiência pública para ouvir diretamente moradores, pescadores, representantes do poder público, empreendedores e demais interessados.
Realizada na Câmara Municipal de São Miguel dos Milagres, a audiência contou com a participação do Município, da Superintendência do Patrimônio da União em Alagoas (SPU/AL), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), vereadores, comunidade pesqueira, bugueiros, moradores, representantes de empreendimentos e entidades da sociedade civil. Além das manifestações feitas durante o encontro, o MPF recebeu 12 contribuições por formulário eletrônico e outras três por escrito.
Escuta da comunidade orienta proposta
A análise feita após a audiência apontou duas diretrizes principais: a necessidade de preservar e requalificar o chamado Acesso B, utilizado tradicionalmente pela comunidade pesqueira, e a implantação de outro acesso principal, capaz de receber o fluxo geral de visitantes e permitir a passagem de ambulâncias, bombeiros e outros veículos de emergência. Entre as alternativas analisadas, o MPF indicou o Acesso C como o mais adequado para essa finalidade.
A proposta busca, assim, conciliar o livre acesso à praia com a preservação do uso tradicional da área. O Acesso B deverá funcionar como acesso comunitário de apoio, com largura livre mínima de três metros no corredor final, além de melhorias como iluminação, sinalização, área de retorno e condições adequadas para as atividades desenvolvidas no local. Já o Acesso C deverá ser estruturado como acesso público principal, inclusive com condições para veículos de emergência e estacionamento nas proximidades.
A escolha também considera as manifestações apresentadas durante a audiência. Segundo o despacho, o Acesso C apresenta melhores condições viárias entre as alternativas analisadas e permite distribuir o fluxo de pessoas e veículos, evitando concentrar todo o movimento turístico na passagem tradicionalmente utilizada pela comunidade pesqueira. A compatibilidade ambiental do traçado ainda deverá ser verificada no processo de licenciamento, com participação do IMA/AL e do ICMBio.
Comunidade pesqueira
Outro ponto incorporado à minuta é a situação dos barracões utilizados pelos pescadores ao final do Acesso B. A proposta prevê que qualquer projeto de requalificação dessas estruturas seja construído a partir do diálogo com a própria comunidade pesqueira, com participação da Colônia de Pescadores, ICMBio e SPU/AL.
A permanência das estruturas próximas à praia é tratada como pressuposto, e o projeto deverá considerar as necessidades concretas da atividade pesqueira, sem custos para os pescadores. A solução final dependerá ainda da anuência do ICMBio e da SPU/AL, cabendo à Superintendência do Patrimônio da União avaliar a forma adequada de regularização do uso da área.
Recomendação continua valendo
Enquanto a solução não sair efetivamente do papel, permanece integralmente em vigor a Recomendação nº 3/2026, expedida anteriormente pelo MPF. Isso significa que nem mesmo a eventual assinatura do TAC será suficiente, por si só, para suspender as medidas atualmente vigentes.
De acordo com o despacho, a recomendação somente poderá ter suas medidas suspensivas afastadas após a comprovação do início efetivo das obras nos acessos B e C. O MPF estabeleceu critérios objetivos para essa comprovação e poderá realizar vistoria no local antes de reconhecer formalmente o início das intervenções.
Mesmo depois disso, algumas determinações permanecerão válidas, entre elas a exigência de previsão e implantação de acessos públicos em novos parcelamentos do solo e as medidas relacionadas aos demais trechos da orla de São Miguel dos Milagres que continuam sob apuração. Caso haja descumprimento do futuro acordo ou paralisação injustificada das obras, a recomendação poderá voltar a produzir integralmente seus efeitos.
Próxima etapa
A próxima reunião será realizada de forma telepresencial, em 21 de outubro, às 14h, e terá como foco a discussão da minuta do TAC elaborada pelo MPF. Foram chamados a participar o Município de São Miguel dos Milagres, representantes dos empreendimentos envolvidos, IMA/AL, SPU/AL e ICMBio. A Colônia de Pescadores Z-11 e a Câmara Municipal também foram convidadas a acompanhar as tratativas.
Antes da reunião, o MPF também requisitou ao Município informações sobre o cumprimento da Recomendação nº 3/2026 e um levantamento dos acessos públicos existentes ao longo da Praia do Toque. Ao IMA/AL, foi solicitado o processo de licenciamento relativo à área prevista para o Acesso C, incluindo as condicionantes relacionadas ao acesso público à praia.
Atuação do MPF – O procedimento acompanha a situação dos acessos à Praia do Toque desde 2020. A legislação assegura o livre e franco acesso às praias e ao mar, e o Plano Diretor de São Miguel dos Milagres estabelece como diretriz a existência de acessos às praias a cada 500 metros. Para o MPF, a solução precisa ir além da conservação das passagens existentes e garantir um acesso público juridicamente adequado, seguro e efetivamente disponível à população.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou na quinta-feira (1º) provável o envolvimento de Teerã no ataque de um piloto contra um voo da Flydubai para Israel, e prometeu que o Irã seria “atingido com muita força” se a responsabilidade for confirmada.
O copiloto teria agredido o comandante antes que os passageiros conseguissem impedir a queda do avião.
Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação para determinar se o incidente estava relacionado com terrorismo. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que o homem havia sido submetido a uma “doutrinação islamista radical”.
“Estamos trabalhando nisso neste momento”, disse Trump quando jornalistas na Casa Branca perguntaram se o Irã estava envolvido no incidente no voo de Dubai para Tel Aviv.
Trump também prometeu uma retaliação se o Irã for considerado responsável pelo ataque: “Ah, eles serão atingidos com muita força, não se preocupem”, afirmou.
O mandatário fez a ameaça ao mesmo tempo em que os Estados Unidos reforçam o dispositivo militar na região.
O portal Axios informou que Washington enviou recentemente sistemas adicionais de defesa antimísseis Patriot para a Arábia Saudita e o Catar, com o objetivo de proteger instalações de energia cruciais de uma possível retaliação iraniana.
O site americano também informou que o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e seu grupo de ataque estavam a caminho do Oriente Médio, onde poderiam se unir a outros dois grupos de porta-aviões americanos já presentes na região.
Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita iniciaram uma investigação sobre o que aconteceu na cabine. Riade informou que o copiloto foi transferido na quinta-feira para os Emirados Árabes Unidos, acompanhado por uma “equipe de segurança emiradense”, e acrescentou que a apuração inicial mostra que ele atacou o comandante da aeronave.
Trump elevou novamente o tom em relação às negociações estagnadas com o Irã.
O presidente declarou à revista Time que era “possível” retomar os bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, no próximo mês.
Os republicanos temem perder o controle do Congresso nas eleições de 3 de novembro, com os índices de aprovação de Trump próximos dos níveis mais baixos já registrados devido à guerra com o Irã e ao aumento do custo de vida provocado pelos altos preços do petróleo.
“Ao aniquilar o Irã, criamos paz no mundo. Com o Irã, não acho que jamais se possa ter paz”, advertiu Trump, segundo as declarações reproduzidas pela Time.
O Irã afirma que mantém o controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz mais de sete meses após os ataques iniciais dos Estados Unidos e de Israel.
Um homem foi preso após invadir a casa da ex-companheira e retirar a filha do casal à força, na noite desta quinta-feira (1º), no povoado Massapê, em Feira Grande. Segundo a polícia, havia uma medida protetiva de urgência vigente contra ele.
O homem teria ido até a residência para buscar a filha, mas a mãe não permitiu que a criança saísse. De acordo com o relato da vítima, ele estava embriagado, quebrou uma janela e entrou na casa. Já no interior do imóvel, teria danificado uma televisão e retirado a menina dos braços da mãe.
Após deixar a residência com a criança, o suspeito seguiu para a casa da própria mãe. Os policiais foram até o endereço e encontraram os dois no local. Durante a abordagem, segundo a polícia, ele resistiu e precisou ser contido.
A criança foi entregue aos cuidados da avó materna. A mulher contou ainda que o ex-companheiro tinha o direito de visitar a filha somente aos sábados e domingos.
No caminho para a Delegacia Especializada da Mulher, em Arapiraca, o homem teria voltado a ameaçar a ex-companheira. O caso foi apresentado à autoridade policial, que manteve o suspeito preso e à disposição da Justiça.
Um adolescente foi apreendido na quinta-feira (1º), suspeito de participar do ataque a tiros que deixou um casal ferido e teve uma granada arremessada contra a residência, em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas. O crime aconteceu na madrugada de quarta-feira (30).
Ele estava escondido em um imóvel no bairro Mutirão. Segundo a polícia, o endereço possivelmente era utilizado para armazenar armas e entorpecentes. No local, também foi apreendida uma quantidade de drogas.
As investigações apontam que o adolescente já é investigado por suposta prática de ato infracional análogo ao crime de homicídio e responde a um procedimento de apuração de ato infracional análogo ao tráfico de drogas.
Como foi o ataque
A apreensão de um dos suspeitos aconteceu um dia após o atentado. Segundo as investigações, três homens armados chegaram ao imóvel em um veículo e invadiram a residência após chutarem o portão. As vítimas estavam no local com os dois filhos, um de sete anos e outro de cinco meses.
Um dos criminosos teria permanecido com as crianças, enquanto os outros dois levaram o casal para outro cômodo e efetuaram os disparos.
O homem foi atingido por três tiros, e a mulher, por dois. As crianças não ficaram feridas.
Após os disparos, um dos suspeitos teria deixado uma granada dentro da residência. O artefato foi encontrado por uma das crianças e recolhido por uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que realizou o desarme.
Atentado teria sido motivado por disputa territorial entre facções
De acordo com as investigações, o ataque teria sido motivado por uma disputa territorial entre as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A polícia afirma que o adolescente apreendido teria ligação com o CV.
A hipótese ainda é tratada como preliminar. As autoridades também identificaram indícios de que as organizações utilizam adolescentes na execução de atos infracionais análogos ao homicídio.
As investigações seguem para identificar e localizar os demais envolvidos no ataque.
Durante muito tempo, o infarto do miocárdio foi visto como uma doença masculina. Embora a doença coronariana ainda seja mais comum em homens, ela representa uma ameaça expressiva às mulheres, que, por vezes, chegam ao atendimento em condições mais desfavoráveis.
Em 2021, cerca de 254 milhões de pessoas viviam com doença isquêmica do coração no mundo; aproximadamente 43% eram mulheres. Análises do Global Burden of Disease indicam que a diferença entre os sexos em incidência e prevalência diminuiu nas últimas décadas.
No Brasil, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DATASUS apontam 66.907 mortes por infarto entre mulheres com menos de 60 anos, de 2015 a 2024. Nesse grupo, foram 6.620 mortes em 2021, 6.725 em 2022, 6.476 em 2023 e 6.247 em 2024. A queda recente não elimina a gravidade de mais de 6 mil mortes anuais entre mulheres relativamente jovens.
Em média, as mulheres desenvolvem doença coronariana e sofrem o primeiro infarto mais tarde do que os homens, em parte pela proteção cardiovascular da vida reprodutiva. Após a menopausa, hipertensão, alterações do colesterol, gordura abdominal, resistência à insulina e diabetes ganham importância. O envelhecimento muda o perfil de risco, mas não torna o infarto inevitável.
Nem todo infarto decorre da ruptura de uma placa de colesterol que obstrui uma coronária. Mulheres, sobretudo as mais jovens, apresentam proporcionalmente mais infartos sem obstruções coronarianas importantes. Também são mais afetadas pela dissecção espontânea da artéria coronária, alteração da parede do vaso que compromete o fluxo sanguíneo.
A dor torácica continua sendo central no infarto feminino: pode surgir como pressão, peso ou aperto no peito, com suor frio, náusea ou falta de ar. As mulheres também podem apresentar cansaço incomum e desconforto nas costas, mandíbula, pescoço ou parte superior do abdome, sintomas nem sempre prontamente reconhecidos como cardíacos.
Atribuir esses sinais à ansiedade, refluxo, estresse ou problemas musculares pode atrasar o atendimento. Cada minuto sem restabelecer o fluxo sanguíneo aumenta a possibilidade de lesão cardíaca, insuficiência cardíaca, arritmias e morte.
Um grande estudo populacional publicado em 2023 constatou que mulheres atendidas por dor torácica tiveram menor probabilidade de receber diversas medidas recomendadas pelas diretrizes, tanto antes quanto depois de chegar ao hospital. Entre pacientes com infarto com elevação do segmento ST, a mortalidade feminina foi maior.
A avaliação preventiva deve incluir aspectos da história feminina: pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, hipertensão na gravidez, menopausa precoce, doenças autoimunes e tratamento contra câncer, além de histórico familiar de infarto prematuro. Esses antecedentes podem justificar acompanhamento mais atento.
Um exame normalmente não garante proteção duradoura. Colesterol, pressão, glicemia e peso podem mudar ao longo dos anos; por isso, a prevenção exige acompanhamento contínuo.
Os dados mostram que milhões de mulheres vivem com doença isquêmica do coração e milhares de brasileiras com menos de 60 anos morrem anualmente por infarto. Boa parte do risco, porém, pode ser identificada e modificada antes do primeiro evento.
A prevenção deve começar antes da menopausa e acompanhar toda a vida adulta. Conhecer pressão arterial, colesterol e glicemia; não fumar; praticar atividade física; cuidar da alimentação e do peso; considerar a história da gravidez; e buscar atendimento rápido diante de sintomas suspeitos são medidas decisivas.
O infarto é uma emergência em que cada minuto conta. Para reduzir a mortalidade feminina, também é preciso reconhecer cada sintoma, avaliar o risco com antecedência e tratar sem atrasos.
A combinação de biomassa rasteira altamente inflamável, baixos índices de umidade relativa do ar e ventos intensos transforma o Cerrado em um ecossistema extremamente propício à rápida expansão do fogo durante o período de seca.
O disparo dos incêndios ocorre pelo encontro do combustível vegetal com uma fonte de calor, que pode ter origem natural ou antrópica — intervenção do ser humano sobre o meio ambiente.
Enquanto o fogo natural costuma ser desencadeado por descargas elétricas no final da estação seca, as queimadas humanas ocorrem de forma desregulada ao longo de todo o ano, motivadas por negligência (bitucas de cigarro ou pedaços de vidro), acidentes agrícolas ou ação criminosa de desmatamento.
A arquitetura da vegetação campestre e savânica favorece a dinâmica do fogo rasteiro, que se move velozmente sobre a matéria orgânica seca acumulada no solo, conhecida como serapilheira.
“Para a propagação, o que mais precisa para acontecer, além da flamabilidade do combustível, é o vento. Quando se tem vento, esse fogo é rasteiro e vai sendo arrastado”, explica a ecóloga Marina Hirota, diretora científica do Instituto Relva.
Segundo a pesquisadora, as elevadas temperaturas do inverno no Planalto Central reduzem ainda mais a umidade relativa do ar, ressecando a vegetação e tornando o ambiente vulnerável ao menor sinal de ignição.
Embora as plantas nativas do bioma tenham desenvolvido adaptações evolutivas ao longo de milênios, como cascas espessas tipo cortiça e raízes profundas, a frequência desordenada dos incêndios provocados pelo homem impede a regeneração natural das espécies.
Além da destruição direta da flora e da fauna rasteira, as queimadas frequentes ameaçam a capacidade do bioma de atuar como regulador hídrico do país. O Cerrado abriga as nascentes de oito das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras e integra o Aquífero Guarani, desempenhando papel crucial na recarga dos aquíferos através do sistema radicular de sua vegetação.
“O Cerrado é conhecido como o ‘berço das águas do Brasil’. As raízes profundas das árvores funcionam como calhas, descompactam o solo e auxiliam a recarga de água. Quando o fogo é frequente, ele compromete a vegetação e a capacidade do solo de exercer funções essenciais de infiltração e retenção”, destaca a bióloga Andrée de Ridder Vieira, presidente do Instituto Supereco.
A fragmentação do território provocada pela expansão agrícola sem planejamento sustentável amplia as áreas de contato entre lavouras e remanescentes nativos, favorecendo o alastramento das chamas e a degradação do solo.
Sem a presença de corredores ecológicos, a fauna local sofre impactos diretos. Filhotes, répteis, anfíbios e animais de menor mobilidade ficam encurralados e são vitimados pelas chamas ou pela fumaça. Os sobreviventes ainda enfrentam a escassez de alimento, água e abrigo, o que compromete a reprodução e a permanência das espécies na região.
Para conter os avanços dos grandes incêndios, especialistas defendem o fortalecimento do Manejo Integrado do Fogo (MIF). A estratégia prevê a realização de queimadas prescritas e controladas nos períodos adequados para treinar a vegetação e reduzir o acúmulo de biomassa seca, além da abertura de aceiros que funcionam como barreiras físicas.
O combate eficiente aos incêndios também exige a integração entre ferramentas de monitoramento em tempo real, como os dados de satélite do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e ações preventivas diretamente nos territórios.
A criação de redes de apoio e a educação ambiental junto a produtores rurais e comunidades locais são apontadas como medidas prioritárias para mudar a cultura da queima sem controle e garantir a preservação do ecossistema.
O degelo do permafrost, o solo que permanece congelado, está associado à liberação de metais nos rios do Alasca, nos Estados Unidos. No rio Salmon, as concentrações de alguns elementos chegaram a até 70 vezes as medidas em trechos sem influência da contaminação, mesmo a mais de 100 quilômetros das entradas de água contaminada.
Publicado em 24 de setembro na revista AGU Advances, o estudo foi liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos. Entre 2022 e 2024, a equipe coletou amostras em seis bacias da cordilheira Brooks e comparou a composição da água antes e depois da chegada dos contaminantes.
As manchas alaranjadas nos rios começaram a chamar a atenção dos cientistas em 2018. A aparência de ferrugem está relacionada ao ferro liberado pelas reações que ocorrem no subsolo após o descongelamento. O processo, chamado drenagem ácida de rochas, acontece da seguinte forma:
O aumento de até 70 vezes corresponde ao maior valor observado, e não a uma elevação uniforme de todos os metais. Nos rios principais, a capacidade de neutralizar a acidez manteve o pH relativamente estável, apesar da contaminação.
A presença dos metais preocupa pelos possíveis impactos sobre os organismos aquáticos e as comunidades que dependem da água e da pesca. Segundo os pesquisadores, ainda não foi possível identificar a mortalidade maciça de peixes nem problemas de qualidade da água potável que estejam prejudicando os povoados da região, mas consideram preocupante a disseminação do fenômeno.
Caracterizada por inflamações e feridas dolorosas na boca, a mucosite oral é uma complicação que acomete pacientes em tratamento de quimioterapia e radioterapia, afetando diretamente a capacidade de alimentação, fala e hidratação.
A fotobiomodulação — conhecida como laserterapia de baixa potência —, aliada a protocolos rigorosos de higiene bucal e adaptações na rotina, pode reduzir o impacto causado pela condição e garantir melhor qualidade de vida a esses pacientes.
Um estudo publicado pela Multinational Association of Supportive Care in Cancer (MASCC) reforça que o uso preventivo do laser de baixa intensidade é considerado uma das intervenções mais eficazes no controle das lesões provocadas por agentes quimioterápicos de alta toxicidade, como metotrexato, 5-fluorouracil e drogas à base de platina.
A condição surge devido à alta taxa de renovação celular das mucosas, o que as torna alvos frequentes dos medicamentos de quimioterapia.
“A mucosite oral é uma inflamação e lesão da mucosa da boca que pode ocorrer como consequência do tratamento do câncer, especialmente durante alguns tipos de quimioterapia e também da radioterapia na região de cabeça e pescoço”, explica o cirurgião-dentista Fábio de Abreu, especialistas e presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) .
Segundo Abreu, o grau do dano varia conforme o esquema terapêutico empregado. Ele explica que isso ocorre porque alguns tratamentos oncológicos podem lesar diretamente as células da mucosa, além de desencadear uma resposta inflamatória que contribui para o desenvolvimento e intensidade das lesões.
No centro das estratégias de preservação do tecido oral, a laserterapia atua estimulando os processos metabólicos de reparo das células. A luz de baixa intensidade promove ação anti-inflamatória e analgésica. “A fotobiomodulação pode ajudar a reduzir a inflamação e a dor associadas à mucosite, além de favorecer a reparação e a cicatrização das lesões”, detalha.
O especialista acrescenta que a intervenção exige condução por profissionais capacitados. Quando utilizada de forma preventiva, pode reduzir a ocorrência e a intensidade da mucosite oral e, quando as lesões já estão presentes, pode contribuir para uma recuperação mais rápida.
Além disso, a dor acentuada provoca perda de apetite e dificuldade substancial no consumo de nutrientes, podendo exigir suporte hospitalar em quadros mais severos. No âmbito nutricional, a adequação de consistência e temperatura das refeições é determinante para minimizar o atrito com as superfícies inflamadas.
Segundo Laita Balbio, nutricionista com atuação voltada à estratégias nutricionais individualizadas, quando existem feridas na boca ou dor para engolir, o primeiro objetivo é diminuir o atrito e tornar a alimentação o mais confortável possível. “Podemos trabalhar com preparações macias, úmidas, cremosas ou pastosas, como purês, cremes, mingaus, sopas batidas, vitaminas e alimentos bem cozidos”, explica.
A temperatura também faz diferença: preparações muito quentes tendem a aumentar o desconforto. Alimentos frios, frescos ou em temperatura ambiente costumam ser preferíveis, de acordo com a tolerância de cada paciente. O importante é adaptar sem empobrecer nutricionalmente a alimentação.
Laila reforça que durante uma crise da condição, alimentos ácidos, muito condimentados, apimentados, excessivamente salgados e preparações muito quentes podem irritar ainda mais a mucosa. Frutas cítricas e sucos, como limão, laranja e abacaxi, além de molhos ácidos, também podem causar bastante ardência. Alimentos secos, duros, crocantes ou ásperos, como torradas e alguns biscoitos, podem machucar mecanicamente as feridas.
“Não gosto de trabalhar com uma lista de proibições igual para todos, porque a tolerância varia, mas aquilo que provoca dor ou ardência deve ser temporariamente retirado ou adaptado”, destaca.
O conselho da nutricionisa é fracionar a alimentação em pequenas refeições ao longo do dia, elevando a densidade nutricional sem aumentar muito o volume. Outro ponto importante é a a hidratação, que pode ser fracionada em pequenos goles ao longo do dia, caso seja doloroso engolir.
Laila complementa que em algumas situações, suplementos nutricionais orais podem ser necessários, mas precisam ser escolhidos individualmente, principalmente quando existe perda de peso ou dificuldade de ingestão.
Paralelamente às intervenções clínicas e nutricionais, os cuidados individuais diários evitam a sobreposição de infecções oportunistas que retardam a cicatrização. Recomenda-se o uso de escovas com cerdas extramacias e cremes dentais com formulações suaves, desprovidos de agentes irritantes como o lauril sulfato de sódio ou mentol acentuado. Enxaguantes com álcool devem ser descartados por agravarem o ressecamento e a ardor da mucosa.
A administração de analgésicos sistêmicos e o uso pontual de anestésicos tópicos exigem critérios rigorosos. “Como o anestésico reduz temporariamente a sensibilidade da boca e da garganta, seu uso imediatamente antes ou durante a alimentação pode aumentar o risco de mordidas, queimaduras com alimentos muito quentes e dificuldade para controlar a deglutição”, alerta o dentista.
A prevenção primária começa antes da infusão da primeira dose de quimioterapia. A avaliação odontológica prévia permite sanar focos infecciosos pré-existentes, como cáries e doenças gengivais, reduzindo o risco de complicações graves ao longo do ciclo oncológico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nessa quarta-feira (30/9) novas orientações para reduzir doenças causadas pelo calor em eventos de grande porte, como shows, competições esportivas e celebrações religiosas. O documento indica que a maioria dos casos pode ser evitada ou tratada no próprio local, desde que haja planejamento adequado.
A revisão reuniu estudos publicados entre 1980 e 2025 e analisou quase meio milhão de atendimentos médicos nesses eventos. Desse total, mais de 22 mil estavam relacionados ao calor.
Os dados mostram que, quando a estrutura de saúde está bem organizada, mais de 90% das pessoas atendidas conseguem receber cuidados no próprio evento. Isso diminui a necessidade de encaminhamento para hospitais e reduz a pressão sobre ambulâncias e serviços locais.
Para a OMS, o calor extremo deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a exigir organização e preparo por parte de governos e organizadores.
A entidade aponta que mortes relacionadas ao calor cresceram nas últimas décadas. Entre 2012 e 2021, a média foi de 546 mil mortes por ano no mundo.
Eventos com grande concentração de pessoas aumentam esse risco. Fatores como longos períodos ao ar livre, exposição direta ao sol, multidões, dificuldade de acesso à água e sobrecarga dos serviços de saúde contribuem para esse cenário.
O aumento das temperaturas também está ligado às mudanças climáticas. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, episódios de calor intenso se tornaram mais frequentes e tendem a se intensificar.
A OMS recomenda que organizadores adotem um conjunto de medidas antes e durante os eventos. Entre elas estão oferta de água potável, áreas de resfriamento, ajustes de horários, controle do fluxo de pessoas e comunicação com o público. Também é indicado manter equipes de saúde preparadas no local e monitorar a situação em tempo real.
As orientações consideram diferentes grupos, como participantes, trabalhadores e voluntários, e destacam que o planejamento deve envolver todas as etapas do evento.
Segundo a entidade, integrar essas ações ao planejamento geral pode reduzir riscos e melhorar a resposta em situações de calor extremo.
Objetos como medalhas, selos e postais com suásticas, além de fotografias de funerais com a bandeira da Alemanha nazista e de militares alemães em uniformes da Segunda Guerra Mundial têm sido encontrados em leilões virtuais e plataformas de venda.
Pela legislação, a venda de memorabilia nazista é proibida quando destinada à promoção ou divulgação do nazismo, podendo resultar em penas de até cinco anos de prisão. Leiloeiros, no entanto, ofertam os itens sob a justificativa de que são para fins de coleção.
O CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, encaminhou ao Ministério Público Federal, em abril, uma petição solicitando a investigação da venda dos itens.
Em nota, a Procuradoria afirmou que determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito policial. Atualmente, o procedimento investigatório se encontra na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A Polícia Federal, por sua vez, tenta identificar os responsáveis pelas publicações.
Entre fevereiro e maio deste ano, a reportagem fez buscas em sites de leilões e localizou objetos nazistas sendo comercializados.
No site LeilõesBR, que reúne diversos leiloeiros, havia uma fotografia em preto e branco, anunciada por R$ 45, onde oito militares nazistas estão sentados em uma mesa com bebidas, pertencente ao leilão Empório das Artes, com sede em Vitória, no Espírito Santo.
A foto era acompanhada da ressalva: "O item não promove ou glorifica a violência da intolerância racial ou religiosa. Está à venda apenas para fins da preservação da memória histórica. A Casa de Leilões não faz apologia a quaisquer movimentos políticos ou ideológicos, bem como repudia qualquer ideologia de cunho racista".
Em nota, a LeilõesBR afirmou que fornece apenas a plataforma tecnológica utilizada por leiloeiros e organizadores para realizar leilões online. A empresa afirmou que não participa da seleção, curadoria ou autenticação dos lotes anunciados, nem possui qualquer controle sobre a autenticidade das peças.
"A responsabilidade pela verificação e autenticidade dos itens é exclusivamente dos organizadores dos leilões, conforme a legislação aplicável e seus critérios de curadoria. O painel administrativo de cadastro de lotes exibe um aviso permanente reforçando essa responsabilidade", acrescentou.
Além da fotografia, no mesmo leilão havia outros itens, como medalhas de méritos em batalhas, ao preço de R$ 600. Havia também postais e cartões de creches com suásticas, vendidos a partir de R$ 50.
Lances eram enviados, ficando registrados em cima dos itens. Não é possível ver quem faz os lances ou se o objeto foi vendido após o final do leilão.
Integrante da equipe de organização do Empório das Artes, Carlos Henrique Moraes Damaceno afirmou que "sua atuação é estritamente voltada ao colecionismo técnico e à preservação da memória histórica".
Ele também disse que "o catálogo atual é composto por 943 lotes de colecionismo e antiguidades diversas". "Destes, apenas 29 itens (cerca de 3%) fazem referência ao período da Segunda Guerra Mundial/Terceiro Reich, o que demonstra que não há foco temático, mas sim uma curadoria de história global".
Damaceno também ressaltou os lotes são documentos e registros históricos originais, destinados ao colecionismo, pesquisa e preservação, além de repudiar ideologia de ódio.
Os links dos itens encontrados pela reportagem foram encaminhados ao advogado Carlos Nicodemos, conselheiro CNDH, que os encaminhou ao MPF.
"O país não dispõe de uma política nacional de enfrentamento ao neonazismo, ficando a questão a cargo de medidas fracionadas e desarticuladas pelos estados. Não é tolerável ocorrer a liberação deste comércio, pois está evidente o desvirtuamento para a apologia ao nazismo", disse Nicodemos.
Além de leilões, é possível encontrar objetos do mesmo tipo, como moedas comemorativas, em plataformas de vendas de produto online.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo afirmou, em nota, que a venda de objetos nazistas é "profundamente condenável".
"A comercialização de objetos associados ao regime nazista, ainda que sob o argumento de colecionismo, é profundamente condenável e não pode ser tratada como uma atividade neutra. O nazismo não é apenas um período histórico, é uma ideologia responsável por um dos maiores crimes contra a humanidade, o Holocausto, que resultou no assassinato de seis milhões de judeus, além de milhões de outras vítimas."
"A venda desses itens não é moralmente indiferente: objetos nazistas carregam um simbolismo de ódio, violência e extermínio. Contribui para a normalização e banalização dessa ideologia e abre espaço para apologia indireta, especialmente em ambientes digitais de difícil fiscalização", acrescentou.
Segundo a petição encaminhada à Procuradoria pelo CNDH, a venda desses objetos pode configurar crimes ligados à apologia ao nazismo e ao racismo. O órgão fundamenta que a comercialização desses itens em plataformas digitais demanda a apuração de responsabilidades tanto na esfera civil quanto na penal.
Para o conselho, a presença de anúncios ativos e de fácil acesso em plataformas amplamente utilizadas já constituiria justa causa mínima para a investigação.
Além disso, o CNDH diz que não se trata de uma situação hipotética, mas de uma violação concreta e de notoriedade pública, evidenciada pela continuidade desse comércio ao longo dos anos, com registros desde 2018, e pela facilidade com que qualquer usuário pode visualizar e adquirir os objetos.
O conselho também solicita a realização de diligências para verificar de que maneira essa comercialização em larga escala se enquadra nos tipos penais previstos na legislação brasileira que combatem o racismo e a difusão de símbolos nazistas.
A 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, do TJCE (Tribunal de Justiça do Ceará), revogou a prisão preventiva do bacharel em direito João Munhoz Neto, 34, namorado da estudante de direito Isabelle Caracristi, 22, encontrada morta no pátio de condomínio onde moravam em 13 de setembro.
A decisão acolhe manifestação do Ministério Público do Ceará e estabelece medidas cautelares, entre elas o distanciamento dos familiares da vítima, o monitoramento eletrônico e a proibição de se ausentar da comarca. Ele também deverá obedecer ao recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 7h da manhã.
Procurada, a advogada Lígia Peixe, que representa João Munhoz Neto, afirma que tenta no momento deixar o cliente em liberdade. "Neste momento não estou raciocinando ainda, estou correndo atrás pelo menos para ver se ele ainda dorme em casa hoje", afirma. A defesa nega as acusações e argumenta que não há elementos que mostrem postura controladora ou de violência psicológica por parte do cliente.
João Munhoz Neto está preso desde 22 de setembro. A prisão foi solicitada pela Polícia Civil devido a uma postura "não colaborativa" do bacharel e para verificar uma "conduta de induzimento ou instigação ao suicídio", segundo os investigadores.
Os advogados dos familiares de Isabelle emitiram nota declarando receber a decisão com "profunda preocupação, sobretudo pelo impacto emocional causado à família". Também destacam que a medida não significa absolvição ou fim das investigações.
"O impacto da soltura não prejudica o andamento das investigações, pela busca da verdade real. A apuração dos fatos prossegue na Polícia Civil e posteriormente no Poder Judiciário para garantir a integral e rigorosa responsabilização penal", diz a nota. Os representantes da família acrescentam que vão requerer a prisão novamente caso seja descumprida qualquer uma das medidas cautelares fixadas.
O CASO
Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, no bairro de Aldeota, em Fortaleza, na noite de 13 de setembro. Ela morava no local com o namorado e a família dele. O caso é investigado como suicídio.
Em áudios enviados momentos antes da morte, divulgados pelo programa "Fantástico" e com veracidade confirmada pela defesa da família da estudante, ela diz que estaria sendo ameaçada pelo namorado.
"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu?", disse ela em áudio enviado ao primo.
"Tudo que eu faço é ameaça, ameaça, tudo, absolutamente tudo. Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinha, porque se ele não estiver junto, ele fica supondo coisas. Eu não posso postar foto, porque ele acha ruim, enfim, vários fatores de uma pessoa doente, sabe?", afirmou ela em outro trecho.
Em depoimento à polícia, o ex-chefe de João Munhoz e Isabelle, o advogado Rudá Carvalho, disse que ela relatou se sentir sufocada pelo namorado no ambiente de trabalho.
Isabelle teria contado ao dono do escritório que Munhoz não permitia que ela realizasse audiências sozinha nem "determinadas atividades profissionais de forma independente, fazendo com que se sentisse presa e sem conseguir exercer suas funções com desenvoltura", segundo trecho do depoimento.
Em coletiva à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, chamou a atenção para comportamentos de João Munhoz, que não estaria colaborando com a investigação.
Segundo ele, João Munhoz voltou ao condomínio no dia seguinte à morte procurando o celular de Isabelle. "Ele proibiu a entrada da família no condomínio. Em nenhum momento, pessoalmente, tentou contato com a família. Temos informações de que o apartamento teria sido limpo e colocado à venda", disse Gutiérrez na coletiva.
No mesmo dia em que Isabelle morreu, João teria cobrado por um empréstimo de R$ 13,5 mil e dito que precisava do dinheiro até quarta-feira, dia 16. Ela respondeu que havia tido muitos gastos naquela semana.
Os advogados da família de Isabelle confirmam que João havia feito um empréstimo a ela e dizem que ele teria agido de forma mais controladora após ceder os valores.
Para muitos brasileiros, o dia começa com uma xícara de café. A bebida está presente em 98% dos lares do país e faz parte de diferentes momentos da rotina, do café da manhã às pausas durante o trabalho.
Em 2025, o consumo brasileiro chegou a 21,409 milhões de sacas, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Apesar da queda de 2,31% em relação ao período anterior, o volume mantém o Brasil entre os maiores consumidores de café do mundo.
No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, a atenção também se volta à quantidade de cafeína ingerida diariamente. A substância não está presente apenas no café, mas também em chás, energéticos, refrigerantes e chocolates.
Segundo o nutrólogo Celso Cukier, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o consumo moderado pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O cuidado está no excesso e na sensibilidade de cada pessoa.
Por que a quantidade de cafeína varia de uma xícara para outra?
O volume de cafeína presente no café depende do tipo de grão, da torra, da concentração da bebida, do método de preparo e do tamanho da porção. Por isso, contar apenas quantas xícaras são consumidas ao longo do dia pode não representar o total ingerido.
De acordo com a Embrapa, uma xícara média de café coado, com aproximadamente 150 ml, pode conter entre 80 mg e 150 mg de cafeína.
A diferença é significativa para quem tem o hábito de tomar café várias vezes ao dia. Além disso, outras bebidas e alimentos também contribuem para o consumo total da substância.
O nutrólogo destaca que fatores como peso, idade, sensibilidade individual, qualidade do sono e determinadas condições de saúde influenciam a tolerância à cafeína.
Quais são os sinais de que o consumo de café está excessivo?
O excesso de cafeína pode provocar insônia, agitação, ansiedade, tremores, palpitações e desconforto gastrointestinal. Os efeitos, porém, não são iguais para todas as pessoas.
Segundo Celso Cukier, dificuldade para dormir, sensação de aceleração, tremores e palpitações são sinais que merecem atenção.
Quando esses sintomas aparecem, a recomendação é rever a quantidade consumida. Caso persistam, é importante buscar avaliação médica.
Tomar café à noite pode prejudicar o sono?
Sim. Para pessoas mais sensíveis à cafeína, consumir café próximo ao horário de dormir pode comprometer a qualidade do descanso.
O efeito nem sempre é percebido imediatamente. Mesmo sem provocar uma sensação evidente de agitação, a substância pode interferir no sono.
Por isso, quem enfrenta dificuldades para dormir pode observar se existe relação entre o horário da última xícara e a qualidade do descanso.
Quantas xícaras de café podem ser consumidas por dia?
Não existe uma quantidade única que seja adequada para todas as pessoas. A resposta depende da concentração de cafeína, do tamanho das porções e das características individuais.
O nutrólogo orienta que o consumidor considere todas as fontes de cafeína presentes na rotina, e não apenas o café. Pessoas com maior sensibilidade à substância ou determinadas condições de saúde podem precisar de orientação individualizada.
Para Celso Cukier, o café não precisa ser tratado como um vilão. A atenção deve estar na quantidade, no horário e na maneira como a bebida se encaixa na alimentação e no estilo de vida.
Como consumir café com mais atenção no dia a dia?
Alguns cuidados ajudam a observar os efeitos da bebida no organismo:
Considere o tamanho da xícara e a concentração do café.
Observe outras fontes de cafeína, como chás, energéticos, refrigerantes e chocolates.
Evite consumir café próximo ao horário de dormir se perceber alterações no sono.
Fique atento a sintomas como tremores, ansiedade e palpitações.
Procure orientação profissional se os sintomas persistirem ou houver dúvidas sobre a quantidade adequada.
O objetivo não é necessariamente abandonar o café, mas entender como o organismo reage ao consumo e ajustar o hábito quando necessário.
Pesquisadores recriaram simulações do ambiente da Terra primitiva e descobriram que formas de vida rudimentares podem ter se iniciado há 4,33 bilhões de anos, algo considerado relativamente cedo.
A formação da Lua e a progressiva diminuição de bombardeios celestes podem ter contribuído para o surgimento de fontes termais de água, favorecendo o ambiente para a criação de um “mundo de RNA”, hipótese segundo a qual essa “prima do DNA” teria sido a transportadora de informações genéticas coordenando sua própria multiplicação.
A descoberta da possível data de nascimento da vida na Terra foi publicada na revista científica Nature Communications, em 22 de setembro deste ano. O estudo foi liderado pela Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e conduzido por Oleg Abramov e Stephen Mojzsis, pesquisadores do Geoinstituto Bávaro (BGI, sigla em alemão) ligados à universidade, além de serem colaboradores de instituições norte-americanas e húngaras.
O trabalho dos pesquisadores, conduzido por uma modelagem matemática, levou em consideração o que se sabe sobre os fragmentos primitivos de rochas terrestres, as quais são representadas pelo zircão ou zirconita, e também pelos dados obtidos da formação do Sistema Solar.
Além disso, o estudo de rochas lunares pode ajudar a entender como era a formação dos outros planetas vizinhos na formação da Terra.
As pistas analisadas indicam que o ambiente terrestre desses primeiros tempos era assustador, tanto que recebeu o nome de éon Hadeano, uma referência ao reino de Hades, que, de acordo com a mitologia grega, é a região subterrânea habitada pelos mortos e sombras.
O éon Hadeano, que vai aproximadamente de 4,5 a 4 bilhões de anos atrás, era um tempo em que a Terra recebia gigantescos impactos celestes, que criaram um profundo oceano global de magma — rocha derretida — e que tinha a presença de rocha vaporizada na atmosfera.
Após isso, a superfície da Terra enfrentou vários ciclos de resfriamentos e novos derretimentos causados, provavelmente, por quedas esporádicas, desta vez de objetos celestes que chegavam a mais de 500 km de diâmetro e vaporizavam os oceanos em formação, elevando a temperatura da superfície em 300 °C por milênios.
Fora isso, as camadas do manto da Terra — trecho entre a crosta e o núcleo — produziam altas temperaturas também em um processo de convecção, com a movimentação de circulação da água.
Essa característica estimula o processo de renovação da crosta terrestre, destruindo-a e reconstruindo-a novamente por muitas vezes. Um ambiente que não era propício para o surgimento de moléculas orgânicas, que praticamente morrem quando são expostas as temperaturas que passam significativamente dos 50 °C.
Segundo o consenso científico aponta, além do fim da instabilidade planetária, o surgimento da vida exige a formação natural de moléculas orgânicas em grande quantidade e alta concentração, que permitem reações químicas complexas e autossustentáveis.
As moléculas de RNA são consideradas as principais candidatas para esses primeiros passos, pois conseguem tanto armazenar informação genética quanto acelerar reações para a sua própria replicação.
Por isso, o novo estudo simulou os impactos de bombardeios celestes na Terra primitiva e indicou que a queda desses objetos, considerados capazes de destruir as moléculas orgânicas, cessou há cerca de 4,4 bilhões de anos. Época em que a maior parte da crosta terrestre havia ganhado estabilidade de longo prazo e havia água líquida abundante.
Outro ponto é que a presença frequente de ambientes geotermais aquecia a água no subsolo raso e acelerava a formação de moléculas orgânicas em um ritmo mais rápido do que em outras fases posteriores da Terra.
De acordo com os pesquisadores, essa combinação de fatores pode ter sido fundamental para criar condições favoráveis para o crescimento de um “mundo de RNA”, propondo que a vida surgiu com relativa rapidez e esteve presente durante quase toda a história do planeta.
