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Belo Horizonte – A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (15/10) a Operação “In nomine Patris”, em repressão a crimes cibernéticos de abuso sexual infantojuvenil. Um homem de 26 anos foi preso em Taiobeiras, no Norte de Minas, após o cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Ele é suspeito de armazenar mais de 24 mil imagens e vídeos de violência sexual contra crianças e adolescentes em contas na internet, entre os anos de 2019 e 2026. O investigado atuava na supervisão de crianças em um grupo de oração de uma igreja da cidade.

PF prende homem suspeito de guardar 24 mil arquivos de abuso infantil

Material apreendido passará por perícia

Durante a ação, equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos a perícia técnica para apurar outras possíveis condutas penais. O mandado de prisão preventiva foi expedido pela Vara Única da Comarca de Taiobeiras.

Entre os fundamentos da decisão judicial estão o longo período de armazenamento dos arquivos e as circunstâncias de vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes. O nome da operação, expressão em latim que significa “em nome do Pai”, faz referência ao contexto religioso em que se inseriam as atividades investigadas.

A delegada da Polícia Civil do Pará, Maria Virgínia Grimwood Pinto, foi presa em Brasília, nesta quinta-feira (15), suspeita de repassar informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo o MPPA (Ministério Público do Pará), a investigação aponta uma possível ligação entre a policial e Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças da facção criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE).

A prisão ocorreu durante a "Operação Sinalagma", organizada pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio das polícias civis do Pará e de São Paulo, além de órgãos de inteligência e do Ministério Público.

A investigação apura suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.

Segundo o MPPA, Maria Virgínia é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para fornecer informações restritas e favorecer integrantes da organização criminosa.

Quem é o homem apontado como ligado à delegada

Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, é apontado pelas autoridades como integrante da cúpula do PCC e uma das lideranças da organização criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral de Pernambuco.

Ele foi preso em janeiro de 2025, durante a investigação que deu origem à "Operação Sinalagma". A partir dessa prisão, as diligências avançaram sobre possíveis conexões da organização com outras pessoas e agentes públicos.

De acordo com o MPPA, a apuração identificou indícios de uma possível ligação entre Renato e a delegada.

Buscas ocorreram em casa e no gabinete da delegada

Em Belém, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência de Maria Virgínia e no gabinete que ela ocupava na DPA (Divisão de Polícia Administrativa), na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará.

A operação desta quinta-feira (15) prevê o cumprimento de três mandados de prisão, 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros.

As medidas foram autorizadas pela Vara Criminal da Comarca de Ipojuca, em Pernambuco.

O MPPA, por meio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), acompanha a investigação há cerca de seis meses e colaborou na elaboração de peças investigativas e pedidos judiciais.

Investigação apura lavagem de dinheiro e corrupção

Além da suspeita de repasse de informações sigilosas, as autoridades identificaram indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

A investigação apura se documentos falsos, empresas e contas bancárias de terceiros teriam sido utilizados para movimentar recursos e dissimular sua origem.

A análise reúne dados telemáticos, informações de inteligência e Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A investigação começou em janeiro de 2025, a partir de ações de inteligência voltadas à identificação de lideranças de organizações criminosas com atuação em Pernambuco. A apuração passou a considerar possíveis conexões interestaduais e a participação de agentes públicos.

Segundo o MPPA, as condutas atribuídas à delegada podem configurar, em tese, crimes de corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa, entre outras infrações que dependem da apuração dos órgãos competentes.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.

Najmeh Amini engrossou a lista de centenas de iranianos que foram condenados à morte neste ano. A pena se refere a blasfêmia e mais de 12 anos de prisão por acusações relacionadas à segurança nacional e à divulgação de propaganda contra o regime do Irã.

Uma fonte próxima à família de Najmeh informou à organização Human Rights Activists in Iran (HRAI), sediada nos EUA, que ela foi condenada à morte sob a acusação de "sab ol-nabi" (insulto ao profeta Maomé). O conteúdo exato de suas publicações não foi divulgado publicamente.

Najmeh afirma que publicou os comentários enquanto tinha alucinações após consumir cogumelos alucinógenos com amigos. O advogado dela sustentou que as declarações foram um deslize verbal, mas o juiz rejeitou a tese da defesa. O magistrado questionou por que ela não insultou outras pessoas ou adversários do regime, como os EUA e Israel, se estava nesse estado. A sentença de morte foi proferida em 16 de setembro.

A iraniana tem 23 anos e é estudante universitária de Contabilidade. Antes de ser presa, Najmeh residia e estudava em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, localizada no nordeste do país.

As atividades online de Najmeh já estavam sendo monitoradas de perto pela Fata (Polícia Cibernética do Irã). Ela pertencia a um grande grupo de jovens acusados de radicalizar as críticas contra o regime islâmico.

Em 31 de janeiro de 2026, Najmeh foi presa de forma violenta por forças de segurança ao sair do Shopping Ferdowsi, um dos centros comerciais mais movimentados de Mashhad.

Segundo o regime de Teerã, a universitária se envolveu nos protestos antigoverno que varreram o país no início deste ano. As manifestações foram motivadas, inicialmente, pela desvalorização da moeda local e pelo aumento do custo de vida. Milhares de estudantes e jovens aderiram aos atos públicos, que foram reprimidos com grande rigor pelas forças de segurança.

Autoridades admitiram oficialmente a morte de 3.117 pessoas, incluindo civis, forças de segurança e manifestantes classificados pelo governo como "terroristas". Organizações de defesa dos direitos humanos falam em ano menos 7.015 mortes, sendo mais de 6.500 manifestantes.

Najmeh está sendo mantida na prisão de Vakilabad. Segundo relatos da entidade Iran Human Rights Monitor, a iraniana passou por períodos de isolamento e tortura psicológica durante os interrogatórios, além de ter tido o direito de escolher o próprio advogado negado pelas autoridades judiciais iranianas na primeira instância.

Não foi estabelecida uma data para a execução da universitária, já que a sua defesa está apelando ao Supremo Tribunal do Irã. Segundo a HRAI, mais de 600 pessoas foram executadas no país somente neste ano.

"Não quero me transformar numa heroína. Só quero uma coisa: que sejam a minha voz. Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos. Tenho pais que estão à minha espera. Uma família que, todas as noites, com medo de me perder, transforma a noite em manhã", disse a iraniana em gravação de áudio feita em setembro em que ela apela por intervenção internacional, solicitando à ONU, a advogados e a grupos de defesa de direitos que investigassem o seu caso.

A questão legal

O Código Penal Islâmico define o "sab ol-nabi" como um crime punível com a morte e determina a aplicação obrigatória dessa punição a quem insultar Maomé ou qualquer outro profeta divino ou acusá-los de qazf, termo jurídico islâmico que significa fazer uma falsa acusação de falta de castidade contra alguém.

No entanto, o artigo 263 estabelece hipóteses de defesa que podem afastar a punição, como quando o acusado afirma ter feito as declarações sob coerção, em estado de embriaguez ou intoxicação, por um lapso de linguagem ou sem atentar para o significado das palavras. Em certas circunstâncias, a punição pode ser substituída por até 74 chibatadas.

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Especialmente para quem enfrenta longas jornadas de trabalho, a rotina parece se resumir a uma eterna contagem regressiva para a sexta-feira. Com a correria dos dias úteis, fica a sensação de que o prazer e o tempo de qualidade só existem nos dias de descanso. No entanto, existem algumas formas de transformar essa dinâmica de “sobrevivência”.

Em entrevista a um portal internacional, a psicoterapeuta Melissa Silver desvendou essa sensação comum.

“As pessoas vivem para o fim de semana porque podem criar seu próprio tempo. Não estão presas a horários rígidos. São dois dias de liberdade. São também dois dias inteiros sem a ansiedade de ter que se apresentar, de ter que se dar bem com um chefe ou colegas de trabalho, ou de ter que se levantar e falar em uma reunião. Durante o fim de semana, a pressão diminui e nosso sistema nervoso fica calmo”, explicou.

 

MagnificHomem de negócios trabalhando em sua mesa. Conceito de cansaço, cansado. Metrópoles
A concentração também é afetada pela sensação de esgotamento

Infelizmente, transformar essa rotina exaustiva está longe de ser a realidade de grande parte da população. Muitas pessoas, inclusive, não conseguem sequer aproveitar os dias de descanso, já que eles acabam virando o momento de realizar outras obrigações acumuladas ao longo da semana.

Ainda assim, a especialista compartilhou algumas dicas práticas para ajudar quem se sente sobrecarregado pela ansiedade.

Confira!

O trabalho fica no trabalho

Uma das principais queixas de muitos profissionais é a dificuldade de se desligar do trabalho mesmo quando o expediente já acabou.

“Ao sair do trabalho, tente conscientemente deixar para trás tudo o que aconteceu naquele dia. Tome a decisão, da melhor maneira possível, de entender que o que foi feito, foi feito”, orientou Melissa.

 

MagnificFoto colorida de homem asiático, sentado na cama, de cabeça baixa, simbolizando disfunção erétil - Metrópoles.
O descanso, muitas vezes, é interrompido pela dificuldade se desligar do lado profissional

Claro, parece algo muito mais simples de falar do que de fazer. As dicas, portanto, incluem encontrar distrações, comprar uma comida ou item de conforto e procurar realizar atividades prazerosas. Além disso, antes de sair do trabalho, algo que pode funcionar é criar uma lista de tarefas para o dia seguinte.

“É também uma oportunidade de marcar como concluídas as tarefas do dia. Muitas vezes, simplesmente anotar tudo no papel já alivia a ansiedade. Manter as preocupações sob controle fará com que as noites de trabalho sejam mais relaxantes e agradáveis”, afirmou.

Faça encontros com familiares e amigos

Não é preciso deixar todo o lazer para o final de semana. Se houver alguma brecha e disposição, marcar encontros com amigos e familiares pode ser uma ótima estratégia para garantir momentos prazerosos depois de um dia cheio.

“Não tenha medo de fazer planos com amigos durante a semana, mesmo que seja de última hora, para cultivar um pouco da liberdade que você sente nos fins de semana quando está fora de casa”, aconselhou.

O conforto faz diferença

Melissa chamou atenção para um detalhe importante: depois de um dia intenso, o conforto deve ser a prioridade. Isso pode ser feito com uma roupa leve, uma música legal e uma casa aconchegante — com luzes mais baixas e velas aromáticas, por exemplo.

A partir disso, é possível fazer outras escolhas, como ler um bom livro, preparar uma comida gostosa ou até pedi-la por delivery e, principalmente, permitir-se ter prazer com as próprias vontades.

Priorize seu conforto

Alimente a expectativa

Assim como os planos do final de semana são aguardados ansiosamente, Melissa lembrou que é possível gerar expectativas também para os dias úteis. Nesse caso, a dica é preencher algum momento com a expectativa de fazer algo legal antes mesmo dos dias de descanso.

“Para quem gosta de planejar, no domingo você pode dar uma olhada na semana que vem e garantir que haja dias em que você tenha coisas que te animem. Pode ser uma aula de ginástica, um livro que você está querendo começar, uma receita que você quer experimentar ou uma nova série de TV”, encerrou.

A Polícia Civil da Bahia (PCBA) instaurou procedimento para apurar suspeitas de apologia e incitação ao crime envolvendo estudantes do Colégio Anísio Teixeira, em Feira de Santana (BA). Segundo denúncias publicadas por alunos nas redes sociais, estudantes teriam elaborado uma lista com nomes de colegas classificadas como “mais estupráveis”. Cinco alunos foram suspensos.

Na denúncia publicada na internet por uma pessoa que se identifica como estudante da instituição, o episódio teria ocorrido durante um trote escolar, quando cinco alunos teriam usado máscaras com os rostos do ex-goleiro Bruno e de Lázaro Barbosa, nomes associados a casos de violência contra mulheres.

Indignados, estudantes se mobilizaram em um protesto na última sexta-feira (9/10). Em publicações no perfil da escola, responsáveis por alunos também cobraram justiça pelo ocorrido.

Em nota, a PCBA informou que a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) instaurou um procedimento para apurar as denúncias. “Diligências e oitivas são realizadas para o esclarecimento dos fatos.”

O caso também foi denunciado ao Ministério Público da Bahia (MPBA), que informou à coluna que as informações estão sendo analisadas para a adoção das medidas cabíveis.

O pronunciamento do colégio

Em nota publicada nas redes sociais, o Colégio Anísio Teixeira afirmou que, desde que tomou conhecimento dos fatos, vem adotando as providências necessárias para a apuração interna do caso.

“A instituição manifesta seu veemente repúdio ao episódio e informa que, como medida imediata, os cinco alunos envolvidos foram suspensos das atividades escolares enquanto os fatos são apurados. Os responsáveis legais também estão sendo ouvidos pela direção.”

A escola informou que as vítimas receberão acolhimento psicológico e que serão desenvolvidas ações educativas com os estudantes, com o objetivo de promover a conscientização, o respeito e a prevenção de situações de violência no ambiente escolar.

 

O intestino preso, também chamado de constipação intestinal, é uma queixa comum, causada por fatores como alimentação pobre em fibras e baixa ingestão de água. A boa notícia é que, em muitos casos, o quadro pode ser revertido de forma natural, sem precisar recorrer a medicamentos.

Ao Metrópoles, o nutricionista Diego Righi explica que não é preciso evacuar todos os dias para ter um intestino saudável. Afinal, cada pessoa tem seu próprio ritmo.

“O problema começa quando as fezes ficam muito ressecadas, existe dificuldade para evacuar, esforço excessivo ou aquela sensação de que o intestino não esvaziou completamente”, explica.

 

O primeiro cuidado, segundo o nutricionista, é observar o consumo de fibras. Elas ajudam a aumentar o volume das fezes e favorecem o funcionamento intestinal. Aveia, feijão, lentilha, verduras, legumes e frutas são boas opções.

“Entre as frutas, temos algumas opções interessantes. O kiwi, por exemplo, apresenta resultados positivos em estudos científicos. A ameixa seca também é uma boa alternativa, pois contém fibras e sorbitol, uma substância que favorece a presença de água nas fezes.”

O mamão, a laranja com bagaço e as frutas com casca também contribuem para aumentar o consumo diário de fibras. Outra opção é o psyllium, uma fibra solúvel que apresenta evidências científicas favoráveis ao tratamento da constipação.

Cuidados extras

Apesar das dicas, Diego alerta: aumentar as fibras sem cuidar da hidratação não é uma boa estratégia para melhorar o intestino preso. A água ajuda a manter as fezes hidratadas e facilita sua eliminação.

A quantidade necessária varia conforme o peso, a alimentação, a atividade física e as condições de saúde de cada pessoa.

“A atividade física também merece atenção. Caminhar, praticar exercícios e reduzir o tempo sentado ajudam a estimular os movimentos intestinais”, recomenda Diego.

 

Foto colorida de mulher sentada em sofá com a mão no abdômen - Metrópoles - intestino preso
Quando a pessoa troca o horário em que acorda, dorme e faz as refeições, o relógio biológico fica desajustado, e o intestino, que é altamente ligado ao nosso ciclo de sono e vigília, tende a desacelerar

Outra orientação é respeitar a vontade de evacuar. Muitas pessoas sentem vontade, mas acabam adiando porque estão trabalhando, estudando ou fora de casa.

“Quando isso acontece repetidamente, o funcionamento intestinal fica prejudicado. Criar uma rotina para ir ao banheiro, especialmente após o café da manhã, também ajuda a evitar o intestino preso”, conclui o profissional.

Pesquisadores encontraram, na Índia, o fóssil de uma cobra que podia chegar a ter 15 metros de comprimento. A Vasuki indicus foi identificada em Gurajat, um estado no oeste do país.

Estimativas de tamanho feitas pelos cientistas apontam que o animal tinha entre 10,9 e 15,2 metros de comprimento. A descoberta do Instituto Indiano de Tecnologia de Roorkee foi publicada na revista Scientific Reports.

Se de fato o tamanho real da espécie indiana for esse, ela pode ter mais ou menos o comprimento da Titanoboa, uma serpente pré-histórica que habitava a Colômbia há cerca de 60 milhões de anos. Ambas estão entre as maiores cobras já conhecidas.

Foram recuperadas 27 vértebras do animal – algumas ainda estavam até conectadas. Como os cientistas tinham as medidas do tamanho dos ossos, eles foram comparados com vértebras de cobras modernas para chegar às estimativas.

Durante a investigação, também se descobriu que, apesar de muito grande, a espécie indiana era lenta. Acredita-se que ela utilizava métodos semelhantes aos de sucuris e pítons atuais para caçar, sufocando as presas até apagá-las utilizando a força muscular.

Por outro lado, como os pesquisadores não possuem o esqueleto inteiro da cobra, tanto as estimativas quanto os hábitos de alimentação e caça ainda não são tratados como uma certeza absoluta. A expectativa é que novos exemplares da espécie confirmem os achados e revelem mais detalhes.

Crianças de 9 a 11 anos que consomem mais cafeína, proveniente principalmente de refrigerantes, dormem menos e apresentam diferenças no desenvolvimento do cérebro. O estudo, publicado na revista Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging nesta quinta (15/10), analisou dados de 9.632 crianças e foi realizado pelo King’s College London, no Reino Unido.

Cada criança participante informou a quantidade de bebidas com cafeína consumida em uma semana (incluindo refrigerante, chá ou café), e os pais responderam a um questionário que envolvia o tempo de sono médio de cada participante.

Também foram realizadas tomografias para medir a espessura e a área da superfície do córtex – a área do cérebro está relacionada a processamento cognitivo, tomada de decisões, atenção e emoções.

Após o período de um semestre e de 18 meses após o primeiro encontro, as crianças repetiram os testes e responderam a perguntas sobre sua saúde mental. Os resultados mostraram que os voluntários que tomavam mais cafeína tinham uma área de córtex menor, mesmo quando outros fatores, como circunstâncias socioeconômicas, foram consideradas.

Bebidas comuns para adultos têm efeitos piores em crianças

Os refrigerantes foram considerados a maior fonte de cafeína no estudo. Crianças que tomaram uma bebida por semana já apresentavam diferença nos resultados.

“A cafeína é uma parte tão comum do dia a dia que é fácil esquecer que os jovens também a consomem. Estudos revelaram que dois terços dos adolescentes consomem cafeína pelo menos uma vez por semana. Apesar de ser uma substância psicoativa, ela não é submetida a nenhum tipo de regulamentação”, afirma a pesquisadora Divyangana Rakesh, em comunicado à imprensa.

Ela aponta que, além das diferenças na estrutura cerebral, foram identificadas variações na saúde mental, como problemas de humor, atenção e comportamento. As crianças também dormiam menos, o que pode ter afetado os outros resultados.

“Embora não possamos afirmar uma relação de causalidade, nossos resultados sugerem que tanto o consumo de cafeína — incluindo a proveniente de refrigerantes — quanto o sono são aspectos que merecem atenção quando pensamos na saúde mental dos jovens”, alerta a cientista.

A Polícia Civil de Alagoas concluiu, por meio do 53º Distrito Policial (53º DP) de Arapiraca, o inquérito sobre uma clínica clandestina de abortos que funcionava no município. Duas pessoas foram indiciadas, sendo uma mulher idosa, apontada como responsável pelos procedimentos, e um empresário, apontado como patrocinador de um dos abortos. Segundo a investigação, uma gestante morreu e outra perdeu a visão de um olho em decorrência de infecção generalizada.

A mulher foi indiciada pelo crime de aborto provocado por terceiro com consentimento da gestante, homicídio culposo e lesão corporal de natureza gravíssima. Já o empresário responde por coautoria e participação em aborto provocado por terceiro. De acordo com o inquérito, ele pressionou a vítima a interromper a gravidez, forneceu medicamentos abortivos e pagou dois mil reais em espécie pelo procedimento.

As investigações, iniciadas pelo delegado Francisco Medson e concluídas pelo delegado Jonas Bezerra, apontaram que os abortos eram realizados há pelo menos 10 anos, na residência da investigada, mediante pagamento de R$1.500 a R$2.000. Cinco vítimas foram identificadas.

Veja as imagens do local: 

 

O caso chegou à polícia por denúncias anônimas e, em 12 de março deste ano, o 53º DP cumpriu mandado de busca e apreensão no local, onde foram recolhidos instrumentos cirúrgicos, medicamentos anestésicos e analgésicos, insumos hospitalares e celulares.

O inquérito foi encaminhado à Justiça e aguarda manifestação do Ministério Público para decidir sobre o oferecimento de denúncia.

Desde junho, os efeitos do El Niño tem afetado o mundo todo, alterando a temperatura global e os padrões de chuva. No Brasil, por exemplo, o fenômeno aumenta os riscos de inundações na Região Sul e eleva as chances de seca e calor extremo no Norte. No entanto, os impactos do clima vão além do meio ambiente e atingem também a saúde humana.

Quando o assunto é o sistema urinário, oscilações extremas de temperatura podem trazer complicações e elevar o risco de doenças urológicas.

Especialistas explicam que, independentemente do clima, o corpo humano se adapta o tempo todo para manter a sua regulação interna estável e o sistema urinário pode sentir essas mudanças.

“No calor, perdemos muita água pelo suor. Se essa água não for reposta logo, a urina fica concentrada, escura e ácida. Isso irrita a parede da bexiga e cria o ambiente ideal para o aparecimento de pedras nos rins e infecções”, alerta o urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília Águas Claras.

Já em situação de frio ou choque térmico, a tendência é que os vasos sanguíneos se contraiam para evitar que o calor escape do corpo. Como consequência, o fluxo sanguíneo nos rins aumenta e faz a produção de urina se elevar mais rapidamente. “A musculatura da pélvis também tende a se contrair. Para quem já tem bexiga hiperativa ou um aumento na próstata, essa combinação costuma provocar aquela vontade súbita e incontrolável de ir ao banheiro ou até o travamento da urina”, explica Ferro.

Apesar dos efeitos, é válido lembrar que as temperaturas extremas não são uma causa direta e universal de problemas urológicos. “Na verdade, as temperaturas extremas são fatores ambientais capazes de modificar a fisiologia urinária, precipitar sintomas e aumentar determinados riscos clínicos em indivíduos predispostos”, afirma o urologista Osei Akuamoa Júnior, do Hospital Santa Lúcia Norte.


Grupos mais vulneráveis a sentirem efeitos urológicos com mudanças bruscas de temperatura


Calor extremo pode favorecer pedras nos rins e infecções urinárias

Além do clima, períodos de calor extremo e seca podem desidratar o corpo. A diminuição da quantidade de água no organismo favorece o aparecimento de duas doenças urológicas comuns: as infecções urinárias e os cálculos renais – conhecidos popularmente como pedras nos rins.

“A água funciona como uma espécie de faxina diária no canal urinário. Com pouca água circulando, o volume de xixi diminui e ele fica cheio de sais minerais, como cálcio e oxalato. Sem diluição, esses cristais vão se juntando até formar as pedras”, exemplifica Ferro.

A desidratação, acompanhada da pouca ingestão de água, também representa menos idas ao banheiro. Como a urina ajuda a eliminar bactérias que tentam subir pelo canal urinário, a demora em eliminar o líquido faz os microrganismos terem mais tempo para permanecer na bexiga e provocar infecções.

“Sob a perspectiva da urologia, uma das associações mais bem estabelecidas é a existente entre temperaturas elevadas, redução do volume urinário e aumento do risco de eventos relacionados a pedras nos rins. O acompanhamento urológico preventivo deve considerar não apenas os fatores individuais de risco, mas também as condições ambientais às quais o paciente está exposto”, ressalta Júnior.

O caso do pedreiro Edimar Rocha Martins, que viajou mais de 2 mil quilômetros entre o Maranhão e Minas Gerais em busca de um romance com uma mulher feita por inteligência artificial, acendeu um alerta para possíveis golpes com a teconologia.

O uso de dicas de aparência em vídeos, sons e imagens, o contexto do envio de materiais e até ferramentas de investigação digital podem evitar problemas.

Não custa desconfiar

De acordo com o cientista de dados Arnobio Morelix, da Faculdade Sirius, o estranhamento com um vídeo de IA deve ir além da aparência humana, pois a imagem ou voz sintética tem melhorado cada vez mais.

O erro que a gente vê hoje é procurar defeitos na imagem, mas o deepfake de hoje é muito bom na imagem; o que ele é ruim é no contexto. Não só a aparência, mas o contexto. Quando a gente recebe um vídeo num contexto político, pedindo uma senha, uma decisão urgente, vale a pena pensar o motivo de receber essa mensagem, e desconfiar da urgência pode ajudar muito.
Arnobio Morelix, cientista de dados

Veja algumas dicas para identificar um deepfake:

Boca: “A sincronia entre os lábios e a voz ainda entrega. No deepfake, a boca fica entreaberta ou fecha atrasada. A gente pode observar nos dentes também, pois ora estão espaçados, ora parecem um bloco”, avalia Morelix.

Fala: Vídeos com IA têm pausas de respiração que evidentemente não são naturais. A voz sintética não respira entre as frases, tem pausas em momentos inadequados e entonação muito mais plana que na fala humana.

Iluminação: Geralmente, a iluminação no rosto de um personagem feito por IA é muito melhor e mais uniforme que no restante do contexto de uma foto ou vídeo.

“O mais importante é lembrar que esses sinais estão ficando mais fracos a cada dia. O deepfake tem ficado mais sofisticado”, alerta o especialista.

Investigação forense digital

Marcio Fabozi, especialista em IA, explica que programas de identificação forense digital, como SynthID, Hive AI e Reality Defender, ajudam a rastrear e identificar se um vídeo foi gerado por inteligência artificial. Porém, nada é garantido.

“É importante entender que nenhuma dessas ferramentas é infalível. Um detector como esses pode apontar indícios de manipulação, mas a confirmação depende de outras verificações, como a fonte, o contexto e a autenticidade da informação. A inteligência artificial está evoluindo rapidamente, e os mecanismos de proteção precisam acompanhar esse avanço”, pondera.

Há também a tecnologia C2PA, um tipo de marca d’água que fica impregnada em alguns conteúdos de IA e ajuda na identificação da origem dos materiais, porém a ferramenta não é utilizada por todas as plataformas generativas. Plataformas como Gemini e Claude usam essa marca para rastreio.

Fabozi explica que os vídeos podem funcionar como um atrativo para golpes.

“O vídeo falso funciona como uma isca, e o risco aumenta quando a pessoa acredita naquela mensagem e acaba fornecendo informações, acessando páginas fraudulentas ou instalando programas maliciosos. Por isso, sempre reforço que a tecnologia precisa caminhar junto com a conscientização. Antes de clicar, de compartilhar qualquer informação ou de realizar uma transação, é fundamental verificar a origem daquela solicitação”.

Pode ser crime?

Afinal, produzir e compartilhar um deepfake pode ser crime? Sim e não. O advogado Rodrigo Baraldi explica que o uso do vídeo como “instrumento de estelionato, de crimes contra a honra ou de violência psicológica contra a mulher” se enquadra na ilegalidade.

“Se o deepfake for utilizado em um golpe que configure fraude eletrônica, a pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão e multa, podendo haver aumentos conforme o caso. A pena acompanha o crime praticado, não o nome da tecnologia utilizada”, explica o advogado.

Em casos de conteúdo de nudez ou falsa acusação de crime, a responsabilidade criminal também é compartilhada com quem repassa o vídeo.

Baraldi também afirma que, em casos como o do pedreiro Edimar Rocha, citado no começo da reportagem, é possível questionar um dano ou prejuízo na Justiça cível e criminal.

“A vítima pode exigir o ressarcimento dos prejuízos financeiros e indenização por danos morais, conforme os danos e a responsabilidade demonstrados. Também pode pedir a retirada do conteúdo e medidas urgentes para interromper sua divulgação. A reparação civil não depende, como regra, de uma condenação criminal: uma conduta pode gerar o dever de indenizar mesmo sem configurar crime. No processo criminal, além da punição do responsável, a sentença condenatória pode fixar um valor mínimo de reparação, desde que observados os requisitos processuais, inclusive o pedido adequado e o direito de defesa”, afirma o especialista.

Falso amor

A promessa de viver um romance em uma fazenda em Minas Gerais levou o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, a viajar mais de 2 mil km até Belo Horizonte. Ele saiu de Imperatriz, no Maranhão, na última sexta-feira (9) e chegou à capital mineira no domingo (11).

Edmar desembarcou em Belo Horizonte na expectativa de encontrar a mulher com quem interagia por meio das redes sociais. Ele não sabia, no entanto, que as respostas eram dadas de forma automática por um perfil criado por Inteligência Artificial.

"Vou te sustentar": veja vídeos de IA que fizeram pedreiro viajar 2 mil km

A mulher, que se apresentava nos vídeos como Jéssica, dizia ser proprietária de uma fazenda em Minas Gerais e prometia que os dois poderiam morar juntos.

Somente após chegar a Belo Horizonte e perguntar pela mulher é que o pedreiro descobriu que "Jéssica" não existia no mundo real. Em uma conversa com a Rádio Itatiaia, ele contou que, depois que perdeu a mãe, ficou muito solitário e encontrou na mulher do vídeo uma esperança de começar uma nova vida.

Após a repercussão do caso de Edimar, a Prefeitura de Belo Horizonte fez uma publicação nas redes sociais alertando para os riscos de conteúdos criados ou manipulados por inteligência artificial.

Segundo a administração municipal, imagens, vídeos e conversas podem ser produzidos artificialmente, o que exige atenção antes de confiar em pessoas conhecidas pela internet.

"Informação também é uma forma de proteção. Compartilhe esse alerta e nos ajude a evitar que outras pessoas passem pela mesma situação", finaliza a publicação.

Até o momento, de acordo com a Polícia Civil, o caso não foi registrado.

Este mês é marcado por campanhas importantes de conscientização, como o Outubro Rosa e o Dia Mundial do AVC (Acidente Vascular Cerebral), celebrado em 29 de outubro. O período também reforça a importância dos cuidados com a saúde cardiovascular, reprodutiva e masculina. Abaixo, especialistas destacam atitudes que podem fazer diferença na prevenção e no diagnóstico precoce.

1. Conheça seu histórico familiar e previna o câncer de mama

A prevenção do câncer de mama envolve hábitos saudáveis, acompanhamento médico e exames indicados conforme a idade e o risco individual. Em determinadas situações, a investigação genética pode identificar predisposições hereditárias.

Segundo a médica Dra. Ananda Arruda, alterações em genes como BRCA1 e BRCA2 podem aumentar o risco da doença. Entretanto, a maioria dos casos não está associada a síndromes hereditárias. Por isso, conhecer o histórico familiar e manter o rastreamento adequado são medidas fundamentais.

2. Não confunda sintomas de infarto com ansiedade ou cansaço

Nas mulheres, o infarto pode provocar falta de ar, náuseas, tontura, cansaço incomum e desconforto nas costas ou mandíbula, além da dor no peito. Reconhecer essas manifestações é essencial para buscar atendimento imediato.

“Existe um risco quando a mulher espera necessariamente aquela dor forte no centro do peito. Ela pode apresentar cansaço fora do habitual, falta de ar, náusea ou dor nas costas. Esses sintomas não devem ser banalizados”, alerta a cardiologista Dra. Thaís Pinheiro Lima.

3. Reconheça os sinais de AVC e procure ajuda imediatamente

Dificuldade repentina para falar, perda de força de um lado do corpo, alteração facial e problemas de equilíbrio podem indicar um AVC. Mesmo quando os sintomas desaparecem, é necessário buscar atendimento de urgência.

“Quando falamos em AVC, tempo é cérebro. Uma alteração neurológica súbita precisa ser valorizada, mesmo que pareça leve. Fraqueza, dificuldade para falar e alterações da visão justificam atendimento imediato”, explica o neurocirurgião Dr. Leandro Macedo.

Um médico de jaleco branco e cabelo grisalho está sentado em seu consultório, segurando uma prancheta com papéis e conversando com um paciente homem de camiseta azul listrada. O paciente escuta atentamente enquanto o médico gesta com uma caneta. Ao fundo, veem-se prateleiras brancas, uma maca e um cartaz anatômico na parede.

4. Não deixe a vergonha impedir o acompanhamento da próstata

O receio do toque retal ainda afasta muitos homens das consultas urológicas. Entretanto, a avaliação deve considerar idade, histórico familiar, sintomas e exames, como o PSA, conforme a indicação individual.

“O PSA e o toque não são exames concorrentes. Um não substitui automaticamente o outro. O problema é quando o medo faz o homem evitar a consulta e deixar de discutir qual acompanhamento realmente precisa”, afirma o Dr. Lucas Takikawa, urologista especialista em HoLEP.

5. Investigue a infertilidade masculina desde o início

Quando um casal enfrenta dificuldades para engravidar, a investigação deve envolver ambos os parceiros. Varicocele, obesidade, tabagismo e uso de anabolizantes podem comprometer a fertilidade masculina.

“Quando o casal tem dificuldade para engravidar, a investigação masculina precisa acontecer com a feminina. Não faz sentido esperar meses investigando apenas a mulher para depois encaminhar o homem”, explica o Dr. Yasser Omar Dalle, urologista com formação em andrologia e infertilidade masculina.

6. Cólicas incapacitantes podem indicar endometriose

Dores menstruais intensas, desconforto pélvico e dificuldades para engravidar podem estar associados à endometriose. A doença exige avaliação individualizada, e alguns casos podem ter indicação cirúrgica.

“A cirurgia robótica é uma ferramenta que permite atuar com precisão na remoção das lesões, buscando reduzir o impacto no organismo e melhorar a qualidade de vida da paciente”, destaca o Dr. Marcos Travessa, especialista no tratamento cirúrgico da endometriose por via robótica.

7. Faça do pré-natal um espaço de escuta e acolhimento

Além dos exames e do acompanhamento do bebê, o pré-natal deve garantir informações claras e participação da gestante nas decisões. Conversas sobre parto, amamentação e saúde emocional também são importantes.

Para a Dra. Alyk Vargas, médica com atuação na assistência à saúde da mulher e acompanhamento pré-natal, humanizar significa unir segurança clínica, acolhimento e respeito às escolhas da paciente, permitindo que ela compreenda cada etapa da gestação.

A prevenção não deve ficar restrita às campanhas de outubro. Reconhecer sintomas, realizar avaliações indicadas e manter o acompanhamento médico são atitudes que contribuem para a saúde durante todo o ano.

Passar horas seguidas diante do computador com postura inadequada e poucas pausas pode sobrecarregar músculos e tendões do ombro e provocar desde fadiga muscular até tendinopatias do manguito rotador e síndrome do impacto. Segundo especialistas, a dor no ombro é hoje uma das queixas mais frequentes entre quem trabalha sentado, tanto no escritório quanto em casa.

Com a cabeça projetada para a frente e os ombros curvados, alguns músculos precisam trabalhar de forma contínua para sustentar a posição. Com o passar das horas, isso pode gerar fadiga, tensão e dor.

A fisioterapeuta e ergonomista Caroline Steudel explica que, sem apoio para os braços, o trapézio e os músculos do ombro ficam em contração estática por longos períodos. A posição dificulta a circulação sanguínea dentro do próprio músculo, o que acelera a fadiga e favorece o aparecimento de dor.

Uma revisão sistemática publicada na revista científica Occupational and Environmental Medicine, do grupo BMJ, analisou estudos longitudinais e encontrou evidência moderada de associação entre o tempo de uso do mouse e sintomas na mão e no braço.

As estimativas de risco para pescoço e ombros foram, em geral, mais fracas. Uma metanálise publicada na revista Work indica que usar computador ou mouse por mais de quatro horas diárias está associado a um risco 25% maior de queixas no braço, no pescoço e no ombro.

O ortopedista Kaleu Nery, especialista em ombro e cotovelo, destaca que não há um único vilão: o problema geralmente é a combinação de vários aspectos, como muitas horas diante do computador, postura inadequada, movimentos repetitivos e falta de pausas.

Home office agrava o quadro

Para o médico do trabalho Anísio Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica no Ceará, o trabalho remoto aumentou a incidência das dores.

“Muita gente trocou uma estação de trabalho pela mesa de jantar, pelo sofá ou pela cama”, afirma. O uso exclusivo do notebook piora o cenário. Pinheiro afirma que o equipamento, por si só, é ergonomicamente ruim, pois tela e teclado estão integrados.

Quando procurar ajuda

Dor que persiste após o repouso, piora à noite, vem com perda de força ou dificulta o movimento do braço indica a necessidade de avaliação com ortopedista. Além disso, formigamento, dormência e dor que irradia para o braço sugerem que o problema já pode envolver tendões ou nervos.

Para Pinheiro, a suspeita de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT) depende de a dor persistir por semanas e de existir relação com a atividade.

“Não é a dor sozinha que define o quadro, é a relação entre a dor e o modo de trabalhar”, explica. O diagnóstico começa pela avaliação clínica, e nem todo caso exige exame de imagem. Na maioria das vezes, o tratamento é conservador, com adaptação das atividades, melhora da ergonomia e fisioterapia.

Prevenção passa pelo tipo de computador

Caroline recomenda que a cadeira seja ajustada para que a mesa fique na altura dos cotovelos, com antebraços apoiados e ombros relaxados. O monitor deve ficar à frente, a cerca de um braço de distância, com a borda superior na altura dos olhos ou um pouco abaixo. Quem usa notebook deve recorrer a suporte para a tela e a teclado e mouse separados.

As pausas também são essenciais. Caroline recomenda alguns minutos de intervalo a cada hora para caminhar, mudar de postura e alongar. Pinheiro sugere de 5 a 10 minutos a cada 50 a 60 minutos de digitação contínua.

A responsabilidade não é só do trabalhador. De acordo com o médico do trabalho, a NR-17 do Ministério do Trabalho exige que o empregador avalie as condições ergonômicas, e a legislação do teletrabalho determina que a empresa oriente o colaborador sobre como evitar doenças.

“Fornecer o equipamento ou orientar formalmente não é cortesia, é obrigação legal”, diz. Ele acrescenta que as pausas só funcionam quando são legitimadas pela chefia: “Pausa que o trabalhador tem medo de fazer não funciona”.

A creatina é o suplemento alimentar que mais tem sido estudado nos últimos tempos. Antes considerada especialmente para atletas, agora os pesquisadores têm investigado seus benefícios para além do músculo.

Um novo estudo realizado com ratos aponta que a creatina pode ser altamente eficaz em relação à proteção do cérebro contra problemas intestinais. Publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity, o estudo limita os resultados aos animais; porém, pesquisadores espanhóis acreditam que existem efeitos clínicos.

Eles apontam que o suplemento pode ser um grande candidato para preservar a saúde cerebral, especialmente em pessoas com distúrbios inflamatórios do eixo intestino-cérebro.

“Do ponto de vista clínico, a suplementação de creatina surge como uma estratégia poderosa, complementar e preventiva”, diz a equipe de pesquisa liderada pelos neurofisiologistas Alejandro Ruiz-Calero e Maria Ortego-Domínguez, da Universidade de Sevilha, na Espanha, ao Science Alert.

Eles reforçam que o conteúdo da creatina no hipocampo ajuda a preservar a integridade, a normalização e a excitabilidade neuronal, com foco nos parâmetros afetados pela inflamação.

No último ano, alguns participantes desse mesmo estudo descobriram que o suplemento reduziu a inflamação e os danos de doenças intestinais em camundongos de laboratório. Os novos testes reforçam os benefícios da creatina para o hipocampo, região cerebral que é considerada crucial para a aprendizagem e a memória.

Resultados da pesquisa

De acordo com o estudo, ratos com inflamação intestinal que tomaram o suplemento diariamente apresentaram bons níveis de restauração de creatina no hipocampo e redução da inflamação e dos danos aos neurônios na mesma região.

Esses resultados corroboram diversas outras pesquisas preliminares que relacionam uma melhora na saúde cerebral ao consumo da suplementação, já que se sabe que o cérebro utiliza uma enorme quantidade de energia do corpo e a creatina exerce um importante papel na manutenção do equilíbrio energético da célula.

Em humanos, uma dieta onívora normal contém cerca de 1 a 2 gramas de creatina por dia, composto orgânico natural que também é produzido pelo fígado, rins e pâncreas.

Normalmente, o suplemento é armazenado principalmente no músculo, mas pode atravessar também a barreira hematoencefálica e ser absorvido por neurônios e outras células do cérebro, ainda que o que acontece com o composto quando entra no sistema nervoso central seja menos claro.

Estudos com ratos

Estudos mostraram que a colite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal crônica (DII) que afeta o revestimento intestinal, também manifesta sintomas no cérebro.

Quando a DII está ativa, pacientes relatam confusão mental, perda de memória, déficits de atenção e declínio executivo. Pesquisas em ratos com colite já demonstravam maior inflamação no hipocampo.

Os pesquisadores na Espanha mostraram que a inflamação intestinal em roedores pode causar danos e disfunções nos neurônios do hipocampo.

Os animais que receberam doses orais de 1 g de creatina por quilo, diariamente, tiveram esses danos contidos. Nos ratos que desenvolveram a condição, a suplementação restaurou os níveis de creatina no hipocampo, preservou a integridade neuronal e normalizou a excitabilidade prejudicada, apresentando benefícios mais evidentes nos machos — nos quais os danos cerebrais associados à colite parecem ser piores do que nas fêmeas.

Os resultados indicam que condições inflamatórias podem afetar os cérebros masculino e feminino de formas distintas e que a creatina pode ajudar a prevenir algumas dessas consequências.

Os autores destacam que a redução de creatina no cérebro também se associa a neurodegeneração, lesão cerebral traumática e doenças neuropsiquiátricas.

Contudo, como a pesquisa ainda está em fase pré-clínica, não há clareza sobre a eficácia em humanos ou se todos se beneficiarão igualmente.

Essenciais para o equilíbrio do planeta, os manguezais brasileiros armazenam volumes expressivos de carbono azul e protegem as áreas costeiras contra erosão e ressacas extremas.

O ecossistema, que ocupa cerca de 1,4 milhão de hectares no território nacional — com maior concentração no litoral amazônico —, guarda estoques de carbono no solo que podem superar em até duas vezes a capacidade por hectare de florestas tropicais terrestres, segundo estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Jonata de Arruda Francisco, doutor em Oceanografia Biológica pela Universidade Federal do Pernambuco e pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do Pará, explica que a retenção da substância ocorre de forma diferenciada.

“O carbono azul é o carbono capturado e armazenado pelos ecossistemas costeiros. No caso dos manguezais, uma característica importante é que grande parte desse carbono fica armazenada no solo, e não apenas na vegetação”, pontua.

A dinâmica das marés e a composição dos sedimentos são determinantes nesse processo. Nos manguezais, as lamas assumem um papel-chave: elas apresentam baixa disponibilidade de oxigênio e, nessas condições, os microrganismos continuam decompondo a matéria orgânica, mas de maneira lenta.

“Esse conjunto de condições permite que parte do carbono fique armazenada por centenas ou até milhares de anos”, afirma o pesquisador.

Proteção natural da costa e retenção de impactos

A arquitetura das raízes desempenha uma função crucial na proteção do litoral contra a força do mar. O sistema radicular denso amortece a energia mecânica das ondas, prevenindo o desgaste contínuo da linha de costa e retendo sedimentos trazidos do mar e dos rios.

O pesquisador Luiz Drude, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), destaca a eficiência do ecossistema frente a eventos extremos.

“Os mangues atuam como uma barreira física, além de prenderem os sedimentos em suspensão transportados pela maré, criando mais solos. O reconhecimento da capacidade dos manguezais de protegerem os litorais passou a ter importância global após o tsunami do Oceano Índico em 2004, que demonstrou a capacidade desses ambientes de diminuir a força das ondas e minimizar perdas de vidas e estruturas”, afirma Drude.

Além da proteção contra erosão, o ambiente atua como um filtro biogeoquímico. De acordo com Drude, a ausência de oxigênio nos solos e a atividade microbiana imobilizam contaminantes pesados e nutrientes acumulados.

Ele explica que a decomposição bacteriana e a granulometria fina resultam em um rápido consumo de oxigênio presente nos solos, tornando-os anóxicos. Esse mecanismo os transforma em verdadeiros filtros naturais que dificultam a migração de poluentes para os ambientes costeiros adjacentes.

Pressão imobiliária e os desafios para restauração

Embora sejam protegidos pela legislação brasileira como Áreas de Preservação Permanente (APPs), os manguezais sofrem contínua degradação causada pela especulação imobiliária, derramamento de esgoto e poluição urbana. A ocupação desordenada em regiões estuarinas impede a migração natural da vegetação em resposta à elevação do nível do mar, aprisionando o ecossistema entre as construções humanas e a maré subjacente.

A restauração de áreas degradadas demanda abordagens científicas rigorosas que vão além do simples plantio de mudas. Francisco ressalta que “recuperar um manguezal não é simplesmente plantar mudas”.

Antes disso, é necessário identificar o que provocou sua degradação e compreender como aquele ambiente funciona. “Se as condições hidrológicas estiverem comprometidas, o plantio não produz os resultados esperados”, explica.

O pesquisador destaca ainda o uso de novas metodologias para monitoramento. “Ferramentas como o DNA ambiental podem complementar os levantamentos tradicionais, ajudando a acompanhar as mudanças nas comunidades biológicas ao longo do processo de recuperação, com o apoio fundamental de comunidades locais como pescadores e catadores de caranguejo”, afirma.

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