
Um presídio de segurança máxima em El Salvador passou a ser citado pelos pré-candidatos à Presidência da República Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) como exemplo de combate ao crime organizado. Durante um evento da Câmara de Comércio da América (Amcham Brasil), em São Paulo, os dois defenderam medidas mais rígidas contra facções criminosas, como endurecimento das penas e aumento do encarceramento no Brasil.
Considerado o maior presídio da América Latina, o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), em El Salvador, virou o principal símbolo da política de segurança adotada pelo presidente Nayib Bukele.
A prisão de segurança máxima foi inaugurada em 2023 na cidade de Tecoluca, a cerca de 70 quilômetros da capital San Salvador, uma distância parecida com o trajeto entre Atibaia e a cidade de São Paulo.
Construído para receber até 40 mil presos ligados a gangues e facções criminosas, o presídio tem celas coletivas que abrigam dezenas de detentos ao mesmo tempo. Os presos dormem em camas metálicas sem colchões, ficam com a iluminação acesa 24 horas por dia e têm acesso restrito ao banho de sol. No local, também não são permitidas visitas.
A segurança é feita de forma permanente por um forte esquema armado. O complexo conta com mais de 600 soldados das Forças Armadas e cerca de 250 policiais que atuam em plantão contínuo, sete dias por semana. Os agentes utilizam equipamentos antidistúrbio, escudos, capacetes e cassetetes para controlar os detentos dentro da unidade.
Durante o evento em São Paulo, Caiado afirmou que pretende usar as Forças Armadas no combate ao crime organizado na Amazônia caso seja eleito em 2026. Segundo o ex-governador de Goiás, a atuação das polícias estaduais na região seria insuficiente para enfrentar o avanço das facções criminosas.
Durante o discurso, Caiado defendeu que grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam classificados como organizações terroristas. “Imediatamente usarei a Aeronáutica, a Marinha e o Exército brasileiro em um combate frontal para recuperar o território brasileiro”, afirmou.
A fala acontece em meio à pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil passe a enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Até o momento, o governo brasileiro tem sinalizado que não pretende fazer essa mudança no ordenamento jurídico do país.
