
Uma parceria entre pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital das Clínicas da FMUSP conseguiu criar um teste que pode identificar superbactérias resistentes ao antibiótico carbapenêmico, usado em graves infecções, em seis horas.
Publicado recentemente no PubMed e em outros periódicos científicos internacionais, o método, similar a um teste de gravidez, pode encurtar o tempo para identificar uma das bactérias consideradas as mais perigosas para os médicos, as enterobactérias resistentes. Hoje, o exame demora três dias.
De acordo com os pesquisadores, esse teste significa um avanço na identificação tardia de um grupo de bactérias intestinais comuns, como a Klebsiella pneumoniae e a Escherichia coli, diminuindo o risco de transmissão prolongada e de isolamento do paciente.
Atualmente, quando há suspeita de que um indivíduo está infectado com uma enterobactéria resistente a carbapenêmicos (CRE), no método tradicional, ele deve ficar isolado por três dias.
O novo teste imunocromatográfico (TIC) reduz esse tempo em mais de 60 horas para obter o diagnóstico, sendo essencial na prevenção e no controle de infecções, além de melhorar a eficácia do tratamento.
Os pesquisadores fizeram um estudo quase-experimental em duas unidades de terapia intensiva (UTIs) de hospitais do país. Eles avaliaram a prevalência de CRE na admissão, a taxa de internação em UTI, o tempo de início ou interrupção de precauções de contato e os desempenhos dos testes.
Foram analisados 1.128 pacientes durante o período basal e 385 durante a intervenção. De 5% a 12% estavam colonizados por CRE na admissão. O teste apresentou 91% de sensibilidade, 99% de especificidade, 86% de valor preditivo positivo e 99% de valor preditivo negativo para a detecção de CRE.
Os cientistas concluíram que os testes imunocromatográficos (TICs) são uma opção prática de rastreio, além de serem economicamente viáveis com recursos limitados.
