
Quem nunca precisou segurar o xixi por mais tempo do que gostaria? Embora pareça um hábito inofensivo e comum na rotina de muita gente, o nefrologista Elber Rocha alerta que adiar constantemente a ida ao banheiro pode trazer consequências importantes para a saúde — desde desconfortos e dores pélvicas até aumento do risco de infecções urinárias e lesões renais.
Segundo o médico, segurar a urina ocasionalmente não costuma causar problemas em pessoas saudáveis. O alerta surge quando o comportamento passa a ser frequente.
“A bexiga funciona como um reservatório muscular e foi ‘programada’ para encher e esvaziar em ciclos regulares. Quando a pessoa adia repetidamente a micção, o órgão permanece excessivamente distendido por longos períodos, alterando sua dinâmica natural de contração e esvaziamento”, explica Elber Rocha.

De acordo com o especialista, não existe um tempo exato que determine quando o hábito passa a ser prejudicial. “O comportamento passa a preocupar quando surgem sintomas como dor, sensação de peso abdominal, dificuldade para urinar, urgência urinária ou infecções recorrentes”, alerta.
Segundo Elber Rocha, alguns profissionais estão mais expostos a esse comportamento por permanecerem longos períodos sem pausas durante o trabalho .“Motoristas, professores e profissionais de saúde costumam fazer parte dos grupos de maior risco”, pontua.
Conforme esclarece o médico, quando a bexiga permanece cheia por muito tempo, ela aumenta progressivamente de volume e pressão, o que pode comprometer seu funcionamento ao longo do tempo. “Isso pode provocar alterações musculares na parede vesical, perda de elasticidade e esvaziamento incompleto da bexiga”, explica.

Além dos impactos na bexiga, a retenção urinária frequente favorece a proliferação de bactérias no trato urinário. “O xixi também funciona como um mecanismo natural de ‘lavagem’ do trato urinário. Quando permanece parada por muito tempo, cria um ambiente mais favorável para multiplicação bacteriana”, afirma o nefrologista.
Com isso, aumentam as chances de infecções urinárias e, em casos mais graves, de complicações renais. “Se a infecção sobe para os rins, pode ocorrer pielonefrite, um quadro potencialmente grave associado à febre alta, dor lombar e até risco de sepse”, alerta.
Segundo Elber Rocha, quando a retenção urinária se torna persistente, a pressão dentro do sistema urinário pode atingir os rins e comprometer seu funcionamento.
“Em situações mais graves, isso pode causar dilatação das vias urinárias, lesão renal e aumento do risco de infecções sistêmicas”, explica.
O especialista também destaca os impactos na qualidade de vida. “O problema pode afetar o sono, o bem-estar e a rotina diária, principalmente em pessoas que convivem com sintomas urinários crônicos”, conclui.

