
O vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), formalizou a renúncia à candidatura de segundo suplente na chapa ao Senado encabeçada por Marina Cândia (PSDB). O pedido foi apresentado à Justiça Eleitoral nessa quarta-feira (2) e, no documento, Lessa solicita o cancelamento do registro e a substituição de seu nome na chapa majoritária.
Apesar de circular nos bastidores a versão de que a decisão teria ocorrido por “motivo de foro íntimo”, a carta de renúncia apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) aponta outra razão. No documento, Lessa afirma que está renunciando “por questão de remanejamento da chapa majoritária de senador pela Coligação” e pede que a aliança seja notificada para providenciar sua substituição.
A carta é dirigida ao desembargador relator do processo de registro de candidatura e está datada de 24 de agosto de 2026. Nela, Lessa também declara ter ciência de que a renúncia não o desobriga da prestação de contas referente ao período em que sua candidatura esteve ativa.
A decisão, contudo, abre uma nova frente de especulações dentro do grupo político. A principal delas envolve a possibilidade de Lessa deixar a segunda suplência para ocupar a primeira suplência de Marina Cândia.

A primeira vaga é atualmente ocupada pela senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB), mãe de JHC, candidato ao governo de Alagoas. Para que Lessa assuma esse espaço, seria necessário um novo entendimento dentro da chapa e a saída de Eudócia da função.
Segundo interlocutores ligados ao vice-governador, uma conversa entre JHC e Marina Cândia teria estabelecido um compromisso para que Lessa fosse alçado à primeira suplência. A alteração, porém, não foi efetivada até o momento. O impasse teria contribuído para a decisão de Lessa de retirar seu nome da segunda suplência.
Sonho de vice
A movimentação também reacende uma possibilidade mais ampla, porém remota: a de uma mudança na composição da chapa majoritária de JHC, com Ronaldo Lessa passando a ser considerado para a vaga de vice-governador. Atualmente, a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), é a candidata a vice e internamente não se comenta a saída dela. A proposta inicial era a de que, na composição, Lessa fosse o vice, mas pressão do PL na chapa impediu esta indicação.
Esta hipótese representaria uma alteração significativa na estratégia eleitoral do grupo e ajudaria a explicar a expressão usada pelo próprio Lessa na carta ao se referir ao “remanejamento da chapa majoritária”. Oficialmente, porém, o documento não especifica qual mudança pretende ou qual posição deseja ocupar.
O fato concreto é que a renúncia retirou Lessa da composição registrada como segundo suplente e abriu a necessidade de substituição. Agora, a coligação terá de definir quem ocupará a vaga ou se haverá uma mudança mais ampla na composição da chapa.
Com a decisão, o vice-governador passa a aguardar os próximos movimentos do grupo. Portanto, não se sabe exatamente se Lessa está, de fato, rompendo com a composição ou se a renúncia é uma forma de pressionar por um novo desenho eleitoral — com uma posição de maior protagonismo.
