
Após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, o PT recorreu ao mantra de que o Congresso Nacional é “inimigo do povo”, o mesmo usado por petistas em derrotas anteriores no Legislativo.
O discurso foi utilizado recentemente, por exemplo, após a aprovação da chamada PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados e do PL da Dosimetria, aprovado nas duas Casas Legislativas.
Minutos após o Senado rejeitar a indicação de Messias por 34 votos a 42, deputados pediram a palavra durante a sessão da Câmara para criticar o Congresso pela derrota do indicado de Lula ao STF.
“A extrema direita está um pouco eufórica não porque o Senado virou as costas para o presidente Lula, mas porque o Senado, inimigo do povo, virou as costas para o povo brasileiro e para a democracia”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (RS).
A ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), que retomou o cargo de deputada para concorrer nas eleições, disse que a rejeição foi um “acordão” entre bolsonaristas e outros que “se sentem ameaçados pelas investigações”.
“Um grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado”, escreveu Gleisi.
O mesmo tom foi adotado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Em suas redes sociais, o parlamentar afirmou que a rejeição de Messias foi fruto de uma “união” em busca da blindagem do sistema e da direita.
“É nesse contexto [de blindagem] que o sistema se une para proteger cabeças, e é nesse roteiro que entra a rejeição absurda de Jorge Messias, por 42 a 34, embora ele cumprisse todos os requisitos constitucionais de notável saber jurídico, reputação ilibada e preparo para o STF”, afirmou, retomando o mantra de que o “Congresso é inimigo do povo”.
A perspectiva é de que a irritação dos petistas com o Congresso aumente ainda mais na quinta-feira (30/4), quando está convocada sessão para apreciar os vetos de Lula ao PL da Dosimetria, que pode beneficiar Jair Bolsonaro.
