
As fibras são conhecidas por ajudar a manter o intestino saudável. Agora, dois estudos indicam que proteínas presentes em alimentos de origem vegetal também podem desempenhar um papel importante. Os pesquisadores descobriram que elas estimulam as bactérias do intestino a produzir substâncias associadas à saúde intestinal e ao bom funcionamento do organismo.
Os trabalhos, publicados nas revistas Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em 12 de fevereiro, e na Nature Metabolism, em 23 de junho, investigaram como diferentes componentes dos alimentos vegetais influenciam o metabolismo da microbiota intestinal.
Segundo os cientistas, essas proteínas podem atuar em conjunto com as fibras para favorecer um ambiente intestinal mais saudável.
Ao analisar o metabolismo das bactérias intestinais, a equipe observou que fibras e proteínas vegetais não digeríveis alteram o tipo de substância produzida pelos microrganismos. Em vez de favorecer compostos associados a efeitos prejudiciais ao organismo, os nutrientes aumentaram a produção de metabólitos relacionados à saúde intestinal e ao equilíbrio metabólico.
Os pesquisadores chamam essas proteínas de “proteínas que imitam fibras” (Prif), porque elas chegam praticamente intactas ao intestino grosso e servem de alimento para as bactérias da microbiota, de forma semelhante às fibras alimentares.
Os experimentos mostraram que essas proteínas estimulam a formação de compostos derivados da fenilalanina, associados à saúde intestinal e ao controle do peso corporal, ao mesmo tempo em que reduzem a produção de metabólitos derivados da tirosina, relacionados a problemas observados em pessoas com doença renal e alguns tipos de câncer.
“As fibras já são reconhecidas por seus benefícios, mas essas proteínas vegetais pouco estudadas também remodelam a microbiota intestinal e alteram o metabolismo de maneira favorável”, afirmam os autores.
Para entender a origem desses compostos, os pesquisadores marcaram proteínas vegetais com isótopos estáveis e acompanharam seu percurso durante a digestão em camundongos. Eles observaram que os metabólitos considerados benéficos eram produzidos principalmente a partir das proteínas presentes na alimentação.
Já os compostos associados a efeitos negativos surgiam, em grande parte, quando as bactérias utilizavam proteínas do próprio organismo, presentes no muco que reveste o intestino.
Segundo os pesquisadores, as fibras ajudam a reduzir esse processo, enquanto as proteínas vegetais aumentam a quantidade de nutrientes disponíveis para as bactérias, favorecendo a produção dos metabólitos considerados benéficos.
O segundo estudo trouxe outra descoberta importante. Até agora, acreditava-se que vários compostos derivados do metabolismo dos aminoácidos eram produzidos exclusivamente pelas bactérias intestinais. No entanto, experimentos com camundongos, ratos e células humanas mostraram que o próprio organismo também consegue produzir muitos desses metabólitos.
Os pesquisadores chegaram à conclusão ao observar que diversos compostos permaneceram em níveis parecidos mesmo após o uso de antibióticos, que reduzem significativamente a população de bactérias intestinais.
Por outro lado, substâncias produzidas apenas pela microbiota diminuíram após o tratamento, confirmando que algumas dependem exclusivamente da ação dos microrganismos.
Segundo os autores, os resultados ajudam a compreender melhor como diferentes componentes dos alimentos vegetais influenciam o funcionamento da microbiota e do próprio organismo.
Os autores acreditam que esse conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias alimentares mais direcionadas e, no futuro, apoiar novas abordagens para a prevenção e o tratamento de doenças relacionadas ao metabolismo e à saúde intestinal.
