AO VIVO

Rádio Vitório FM - Transmissão ao vivo

Sua rádio de todos os momentos
Por: 
Metrópoles

Posição inadequada e horas na frente do computador sobrecarregam os ombros

Passar horas seguidas diante do computador com postura inadequada e poucas pausas pode sobrecarregar músculos e tendões do ombro e provocar desde fadiga muscular até tendinopatias do manguito rotador e síndrome do impacto. Segundo especialistas, a dor no ombro é hoje uma das queixas mais frequentes entre quem trabalha sentado, tanto no escritório quanto em casa.

Com a cabeça projetada para a frente e os ombros curvados, alguns músculos precisam trabalhar de forma contínua para sustentar a posição. Com o passar das horas, isso pode gerar fadiga, tensão e dor.

A fisioterapeuta e ergonomista Caroline Steudel explica que, sem apoio para os braços, o trapézio e os músculos do ombro ficam em contração estática por longos períodos. A posição dificulta a circulação sanguínea dentro do próprio músculo, o que acelera a fadiga e favorece o aparecimento de dor.

Uma revisão sistemática publicada na revista científica Occupational and Environmental Medicine, do grupo BMJ, analisou estudos longitudinais e encontrou evidência moderada de associação entre o tempo de uso do mouse e sintomas na mão e no braço.

As estimativas de risco para pescoço e ombros foram, em geral, mais fracas. Uma metanálise publicada na revista Work indica que usar computador ou mouse por mais de quatro horas diárias está associado a um risco 25% maior de queixas no braço, no pescoço e no ombro.

O ortopedista Kaleu Nery, especialista em ombro e cotovelo, destaca que não há um único vilão: o problema geralmente é a combinação de vários aspectos, como muitas horas diante do computador, postura inadequada, movimentos repetitivos e falta de pausas.

Home office agrava o quadro

Para o médico do trabalho Anísio Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica no Ceará, o trabalho remoto aumentou a incidência das dores.

“Muita gente trocou uma estação de trabalho pela mesa de jantar, pelo sofá ou pela cama”, afirma. O uso exclusivo do notebook piora o cenário. Pinheiro afirma que o equipamento, por si só, é ergonomicamente ruim, pois tela e teclado estão integrados.

Quando procurar ajuda

Dor que persiste após o repouso, piora à noite, vem com perda de força ou dificulta o movimento do braço indica a necessidade de avaliação com ortopedista. Além disso, formigamento, dormência e dor que irradia para o braço sugerem que o problema já pode envolver tendões ou nervos.

Para Pinheiro, a suspeita de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT) depende de a dor persistir por semanas e de existir relação com a atividade.

“Não é a dor sozinha que define o quadro, é a relação entre a dor e o modo de trabalhar”, explica. O diagnóstico começa pela avaliação clínica, e nem todo caso exige exame de imagem. Na maioria das vezes, o tratamento é conservador, com adaptação das atividades, melhora da ergonomia e fisioterapia.

Prevenção passa pelo tipo de computador

Caroline recomenda que a cadeira seja ajustada para que a mesa fique na altura dos cotovelos, com antebraços apoiados e ombros relaxados. O monitor deve ficar à frente, a cerca de um braço de distância, com a borda superior na altura dos olhos ou um pouco abaixo. Quem usa notebook deve recorrer a suporte para a tela e a teclado e mouse separados.

As pausas também são essenciais. Caroline recomenda alguns minutos de intervalo a cada hora para caminhar, mudar de postura e alongar. Pinheiro sugere de 5 a 10 minutos a cada 50 a 60 minutos de digitação contínua.

A responsabilidade não é só do trabalhador. De acordo com o médico do trabalho, a NR-17 do Ministério do Trabalho exige que o empregador avalie as condições ergonômicas, e a legislação do teletrabalho determina que a empresa oriente o colaborador sobre como evitar doenças.

“Fornecer o equipamento ou orientar formalmente não é cortesia, é obrigação legal”, diz. Ele acrescenta que as pausas só funcionam quando são legitimadas pela chefia: “Pausa que o trabalhador tem medo de fazer não funciona”.

contato@vitoriofm.com.br
Vitório FM 104,9 - Todos os direitos reservados
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram