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Por que o câncer de coração é tão raro? Estudo descobre explicação

Os batimentos do coração podem ajudar a impedir o crescimento de tumores nesse órgão. Um estudo publicado na revista científica Science nessa quinta-feira (23/4) sugere que o movimento constante do músculo cardíaco cria um ambiente menos favorável para a multiplicação de células cancerígenas.

A descoberta pode ajudar a explicar por que tumores que se originam no coração são extremamente raros. Em humanos, cânceres cardíacos primários aparecem em menos de 1% das autópsias. Já os tumores secundários, que se espalham para o coração a partir de outras partes do corpo, são encontrados em até 18% dos casos.

Segundo pesquisadores, até agora não havia uma explicação clara para essa diferença. Para o cardiologista James Chong, da Universidade de Sydney, na Austrália, o novo estudo apresenta evidências convincentes de que a força mecânica gerada pelos batimentos cardíacos pode desempenhar um papel importante nesse fenômeno.

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Experimentos mostram efeito dos batimentos

Para investigar essa hipótese, a médica e pesquisadora Serena Zacchigna, da Universidade de Trieste, na Itália, e sua equipe realizaram experimentos em camundongos geneticamente modificados.

Os cientistas transplantaram corações adicionais para a região do pescoço dos animais. Esses corações recebiam sangue, mas não batiam. Depois disso, os pesquisadores injetaram células cancerígenas tanto nesses corações transplantados quanto nos corações originais dos camundongos.

Após duas semanas, os tumores haviam se espalhado rapidamente nos corações que não batiam, substituindo grande parte das células saudáveis. Nos corações que continuavam pulsando, cerca de 20% do tecido havia sido tomado por células cancerígenas.

Os cientistas também cultivaram tecido cardíaco em laboratório para observar o fenômeno em condições controladas. Em placas de cultura, o tecido só começava a bater quando os pesquisadores adicionavam cálcio, um elemento que participa do mecanismo dos batimentos cardíacos.

Quando células de câncer de pulmão foram introduzidas nesse tecido, os pesquisadores observaram que as células cancerígenas se multiplicaram mais facilmente no tecido que permanecia imóvel. Já no tecido que batia, o crescimento foi menor e as células tendiam a se concentrar apenas nas camadas mais externas.

“Tínhamos a hipótese de que o mesmo mecanismo que impede o coração de se regenerar espontaneamente também poderia protegê-lo contra o câncer. Foi gratificante ver que essa ideia se confirmou”, afirma Zacchigna, à Nature.

Possíveis implicações

A equipe agora investiga se forças mecânicas semelhantes às geradas pelos batimentos cardíacos poderiam ser usadas para limitar o crescimento de tumores em outros tecidos do corpo, como pele e mamas.

Os pesquisadores também estudam se doenças que aumentam a pressão sobre o coração, como a hipertensão, podem influenciar o desenvolvimento de câncer nesse órgão.

Para os autores, entender como as forças físicas influenciam o comportamento das células pode trazer novas pistas sobre o desenvolvimento de tumores e outras doenças do coração.

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