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Polícia rebate acusações de tio de agente morto por colega de farda: 'Não encontramos nada'

Durante coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (20), na sede da Delegacia Geral, no bairro de Jacarecica, em Maceió, a Polícia Civil de Alagoas rebateu as acusações do delegado de Sergipe, Luciano Cardoso, tio do policial civil Yago Gomes — morto pelo colega de farda Gildate Goes Moraes Sobrinho  de que o suspeito teria cometido “outras execuções”,  incluindo casos envolvendo um preso e um animal.

Em entrevista à TV Pajuçara/RECORD, Luciano afirmou que o sobrinho sofreu uma execução por parte do também policial Gildate, de 61 anos. Veja, abaixo, o que disse o familiar.

A informação que eu tenho é que ele já matou um colega há anos atrás, executou um preso dentro da viatura e que recentemente matou um cachorro. Será que a Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas não tinha conhecimento desses fatos, porque que estava na ativa se era louco? Pelo que vi aqui, ele assassinou um policial [Denivaldo Jardel Lira Moraes] e Yago não concordando com a situação, ele foi lá e matou Yago para não ter testemunhas", enfatizou.

De acordo com o delegado Sidney Tenório, integrante da comissão composta para investigar o caso, foi feito um levantamento, juntamente à corregedoria, e ele só responde a quatro procedimentos administrativos durante todo histórico, que é de mais de 30 anos. Segundo Sidney, nenhum desses procedimentos tem relação com homicídio ou crimes violentos contra animais.

“Existem casos, inclusive, que é uma falta de trabalho. Teve uma situação mais grave que é uma agressão física, mas a terceiros, assim como outras questões também que são simples. Todos foram arquivados pela corregedoria. Foi feito um amplo levantamento em um sistema policial mais antigo e não foram encontrados procedimentos da Polícia Civil contra ele, assim como no novo sistema e também não consta nada no esaj [plataforma do Poder Judiciário]. Essas informações foram veiculadas, mas nas nossas pesquisas não encontramos nada, nem judicialmente, nem administrativamente”, declarou o delegado.

Ao longo da entrevista, a polícia ressaltou que as informações são desta apuração prévia já realizada. Até o momento, não foram encontradas provas que sustentem as acusações do tio de Yago, nem que comprovem que Gildate tenha problemas psicológicos que o teriam levado a cometer o crime. O termo “surto” teria sido usado pelos agentes que fizeram o flagrante de maneira coloquial. A fala de Luciano está sendo interpretada como a de um “parente transtornado”, no entanto, as investigações continuam para esclarecer os fatos.

“Parte da investigação feita em Maceió é ouvir familiares dele, que inclusive já provisoriamente disseram que ele não tem nenhum tipo de tratamento psiquiátrico, e também não faz uso de qualquer remédio controlado. Essa é a afirmação da esposa dele que reside na capital. Outra situação é que fizemos o levantamento junto ao nosso RH e não há nenhum tipo de pedido de afastamento em relação a isso”, detalhou Tenório.

Sobre a motivação, o delegado informou que ela está sendo investigada. Entre as pessoas que estavam no carro, duas foram mortas e a terceira é o autor dos disparos. Em depoimento, Gildate não teria esclarecido o que o teria motivado a atirar e matar os colegas de farda, inclusive, ele conta que não se lembra do que aconteceu.

A comissão de delegados formada pela Polícia Civil para investigar o caso conta com o delegado Sidney Tenório, delegado Flávio Dutra e delegado Andrey Araújo.

Entenda o caso

Gildate foi preso suspeito de matar dois outros agentes da Polícia Civil na madrugada desta quarta-feira (20), no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. As vítimas foram identificadas como Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira.

De acordo com os primeiros levantamentos, na madrugada, eles estavam em uma viatura e retornavam de uma ocorrência, a caminho da Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.

O suspeito ocupava o banco traseiro do veículo quando teria entrado em surto e efetuado disparos contra os dois colegas, que estavam nos bancos da frente. Ambos morreram no local.

Prisão em flagrante convertida em preventiva

policial civil Gildate Goes teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça nesta quarta-feira (20). A decisão trouxe que a imposição de medidas cautelares seria “insuficiente”. Também foi determinado que o autuado permanecesse detido em uma cela separada dos demais detentos, por ser agente de segurança pública.

Além disso, o juiz também determinou que sejam cumpridas diligências como realização do exame toxicológico nas vítimas e no suspeito; perícia no celular do autuado; levantamento e análise de imagens de câmeras de vigilância da região; oitiva de testemunhas que possam ter presenciado os fatos; e uma investigação no estabelecimento comercial onde as bebidas foram consumidas pelos agentes de segurança.

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