
Um material produzido a partir de cascas de abóbora que normalmente seriam descartadas pode se tornar uma alternativa às embalagens plásticas para alimentos. Em testes de laboratório, o novo revestimento protegeu tomates-cereja contra bactérias, bloqueou melhor a luz ultravioleta e preservou a atividade antioxidante dos frutos por mais tempo do que o plástico convencional.
O estudo, publicado na revista Food Research International em 30 de abril, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão.
Os pesquisadores transformaram cascas de abóbora em partículas microscópicas de carbono chamadas pontos quânticos de carbono. Depois, elas foram misturadas com gelatina e fibras vegetais para formar um revestimento destinado à conservação de alimentos.
Segundo os autores, a proposta é aproveitar um resíduo que costuma ser descartado. As cascas representam cerca de 10% a 12% do peso da abóbora e, embora sejam comestíveis, normalmente acabam sendo descartadas.
Para avaliar o desempenho do novo material, os pesquisadores armazenaram tomates-cereja por 20 dias em três condições diferentes. Um grupo recebeu o revestimento feito com casca de abóbora, outro foi embalado com plástico convencional e um terceiro permaneceu sem embalagem.
Ao final do experimento, o material desenvolvido pela equipe apresentou melhor proteção contra a luz ultravioleta, reduziu o crescimento de microrganismos e preservou melhor a atividade antioxidante dos tomates. O plástico ainda foi mais eficiente para reduzir a perda de umidade dos frutos.
Os pesquisadores também realizaram testes de segurança e afirmam que o material apresentou baixa toxicidade nas concentrações utilizadas. De acordo com a equipe, o revestimento é extremamente fino e pode ser removido ou lavado antes do consumo, reduzindo ainda mais qualquer exposição.

Além de funcionar como revestimento, o material também pode ser aplicado por pulverização diretamente sobre frutas e hortaliças, protegendo apenas as partes necessárias e reduzindo o uso de embalagens.
Os autores destacam que as embalagens antimicrobianas existentes costumam utilizar nanopartículas metálicas, como prata e óxido de zinco. Já o novo material é produzido a partir de resíduos orgânicos, o que pode representar uma alternativa com menor impacto ambiental.
Apesar dos resultados promissores, o estudo foi realizado apenas com tomates-cereja e durante um curto período de 20 dias. Os pesquisadores afirmam que ainda serão necessários novos experimentos para verificar se o material funciona com outros alimentos e em condições mais próximas das encontradas na cadeia de distribuição e comercialização.
A equipe também pretende incorporar outros compostos naturais ao revestimento para aumentar sua proteção contra fungos e outros microrganismos.
Além disso, os cientistas estudam aproveitar uma característica curiosa do material: as partículas de carbono brilham sob luz ultravioleta e, no futuro, podem até ser usadas para criar informações ou ilustrações diretamente nas embalagens.
