
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) prendeu, no início da manhã desta terça-feira (18), os principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, ocorridas no estado no ano passado.
Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, estavam foragidos havia mais de um ano e foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), segundo a Polícia Civil. Os dois tinham os nomes na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.

Carlos Henrique Buscariollo, filho de Antônio, também foi preso em Santa Bárbara do Oeste (SP). Um terceiro filho, Carlos Eduardo Buscariollo foi o quarto alvo. Ele já estava preso por tráfico de drogas, em São Bernardo do Campo (SP).
A polícia acredita que há outros envolvidos no crime. Entretanto, os nomes não foram divulgados.

➡️ Entenda o caso: No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) a Icaraíma (PR) para encontrar com Alencar e cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo. Os quatro foram vistos pela última vez um dia depois e passaram a ser considerados desaparecidos. Os corpos foram encontrados mais de um mês depois, enterrados em um bunker.

O delegado Thiago Teixeira informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que os quatro suspeitos serão encaminhados a Umuarama, no Noroeste do Paraná.
Segundo a Polícia Civil, os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PC-PR.
“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, disse o delegado da PCPR Thiago Teixeira, por meio de nota.
Em nota, a defesa de três dos suspeitos disse aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Confira abaixo.
A dívida
A polícia apurou que as quatro vítimas fariam uma cobrança relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo.
O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.
A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto.
Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.
Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.
Como foi a emboscada que resultou nas mortes dos homens?
A teoria da polícia é de que as vítimas foram baleadas assim que chegaram à propriedade, com o ataque feito por pelo menos cinco armas de fogo de calibres diversos, em três pontos distintos. O laudo concluiu que uma das armas era um fuzil.
Na emboscada a picape foi atingida do lado esquerdo, traseira e frente. A polícia trabalha com a linha de investigação de que pelo menos cinco pessoas participaram do crime.
A investigação reuniu um conjunto de indícios que indicam que os quatro homens não foram sequestrados, nem mantidos em cativeiro ou torturados, pois as mortes foram instantâneas.
Robishley Hirnani de Oliveira: Foi morto com três tiros nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax. Um projétil ainda estava alojada na cabeça;
Diego Henrique Affonso: Morto com nove disparos, sendo um na cabeça, seis no tórax, dois nos braços. Dois projéteis e um fragmento foram encontrados no corpo dele;
Rafael Juliano Marascalchi: Morto com seis tiros, sendo três na cabeça, dois no tórax e um na perna;
Alencar Gonçalves de Souza Giron: Um tiro na cabeça.
Após serem assassinados, de acordo com a polícia, os quatro homens foram levados, dentro do próprio carro, até a cova onde eles foram enterrados. Em seguida, o veículo foi levado até um bunker, onde também foi enterrado.

O que a defesa diz
O advogado Renan Farah, que representa três dos suspeitos, diz aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Leia na íntegra:
"A qualidade de advogado de Paulo e Antônio Buscariolo vem esclarecer que eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente. É o momento em que o Poder Judiciário analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo.
Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família. E em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante, que será demonstrada pela defesa. Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância, e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado.
Nesse momento, o nosso trabalho é assegurar que todos tenham suas garantias constitucionais respeitadas, que as prisões sejam analisadas individualmente e que nenhuma conclusão antecipada seja construída simplesmente em razão da repercussão do caso.
A defesa confia na análise técnica do Poder Judiciário e prestará os demais esclarecimentos, conforme o processo avançar.
Agora não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas, trouxeram a sua prisão. Sem mais."
