
Dizer que Neymar da Silva Santos Júnior divide opiniões é chover no molhado. Mas contra fatos — e, neste caso, contra os números —, não há argumentos. No dia 8 de setembro de 2023, em Belém, o camisa 10 balançou as redes contra a Bolívia, ultrapassou Pelé nas contas da FIFA e isolou-se como o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira.
De Nova Jersey em 2010 ao Mangueirão em 2023, a trajetória de Neymar com a Amarelinha é uma antologia de genialidade, plasticidade e uma pitada de drama. Abaixo, dissecamos a anatomia dos 79 gols oficiais que coroaram o craque
A Anatomia dos Gols: Como ele marca?
Neymar nunca foi um centroavante de ofício, o que torna sua marca ainda mais impressionante. Ele é o homem do drible, do passe e, claro, da finalização cirúrgica. A bola parada e sua impressionante capacidade de usar as duas pernas desenham o mapa de seus gols:
Perna Direita: A arma principal. Foram 61 gols escorando cruzamentos, batendo colocado de fora da área ou invadindo em velocidade.
Perna Esquerda: O “ponto fraco” que muitos gostariam de ter. Foram 14 gols de canhota, mostrando sua imprevisibilidade na grande área.
Cabeça: Não é sua especialidade (até pela estatura), mas guardou 4 gols pelo alto, testando a bola com precisão.
A Marca da Cal: Frieza pura. Neymar converteu 21 pênaltis pela Seleção, desenvolvendo aquela paradinha quase hipnótica que deixa os goleiros estáticos.
Faltas: Foram 4 gols cobrando falta, na gaveta, lembrando os grandes mestres da bola parada.
Seus gols também estão espalhados pelos torneios mais importantes do planeta. Embora o hexacampeonato não tenha vindo, sua presença em Copas do Mundo foi avassaladora:
Copas do Mundo (2014, 2018, 2022): 8 gols (ficando a apenas um gol de igualar Pelé e Jairzinho em Mundiais).
Copa das Confederações (2013): 4 gols (onde teve sua atuação mais brilhante e avassaladora pelo Brasil).
Copa América: 5 gols.
Eliminatórias da Copa: 28 gols (o maior artilheiro do Brasil na história da competição).
Amistosos: 34 gols.
Três Gols para a Eternidade
Dentre os 79, alguns não foram apenas gols; foram obras de arte que justificam o ingresso.
O Cartão de Visitas (2010): Contra os Estados Unidos, logo na sua estreia. André Santos cruzou e o menino de 18 anos, franzino e com o cabelo moicano, testou firme. O primeiro de uma era.
O Míssil contra a Espanha (2013): Final da Copa das Confederações no Maracanã. Neymar recebe de Oscar e solta uma bomba de esquerda, sem ângulo, no teto da meta de Casillas. O Brasil vencia a então campeã do mundo por 3 a 0 e o Maracanã vinha abaixo.
A Pintura no Catar (2022): Quartas de final contra a Croácia. Na prorrogação, Neymar faz duas tabelas seguidas no meio da defesa croata, dribla o goleiro Livaković em um espaço milimétrico e estufa a rede. Um gol de pura genialidade urbana, digno de Pelé, embora o desfecho daquele dia tenha sido trágico.
O Peso da Camisa
Críticos dirão que faltou a Copa do Mundo. Defensores dirão que ele carregou uma geração inteira nas costas. A verdade crua é que ninguém vestiu a camisa 10 do Brasil no século XXI com tanta fome de gol quanto Neymar.
Os 79 gols não são apenas estatística; são o registro em vídeo de um dos jogadores mais plásticos que o futebol já produziu. Gostem ou não, a história já o escreveu com letras douradas.
