
O hábito de consumir alimentos embutidos todos os dias pode parecer uma escolha prática na rotina. No entanto, o consumo frequente desses itens está longe de ser inofensivo. De acordo com o nutricionista Matheus Maestralle, alimentos como salsicha, mortadela, presunto, salame e linguiça carregam uma combinação de substâncias que, ao longo do tempo, impactam diretamente a saúde do organismo.
Segundo o especialista, esses produtos passam por processos industriais, como cura, defumação e adição de conservantes, o que altera significativamente sua composição em relação às carnes in natura.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as carnes processadas como carcinogênicas. Ou seja, há evidências consistentes de que aumentam o risco de câncer, principalmente o de intestino”, destaca o nutricionista.
De acordo com Matheus, um dos principais riscos está na presença de nitritos e nitratos — substâncias usadas para conservar os alimentos e intensificar a cor.
“No organismo, esses compostos podem formar nitrosaminas, associadas ao desenvolvimento de câncer”, explica.
Além disso, o nutricionista ressalta que outros componentes também contribuem para os prejuízos à saúde.
“O excesso de sódio sobrecarrega o sistema cardiovascular; as gorduras saturadas aumentam a inflamação e o risco metabólico; e os compostos formados na defumação também têm potencial cancerígeno”, afirma.

Embora a moderação seja frequentemente apontada como caminho para o equilíbrio, Maestralle destaca que o principal problema está na frequência do consumo.
“O risco é acumulativo. Quanto mais frequente o consumo, maior a chance de problemas ao longo dos anos. Cada vez que esses alimentos são priorizados, o corpo é exposto a altos níveis de sódio, gordura saturada e aditivos químicos”, explica.
Os efeitos do consumo regular de embutidos podem ser percebidos em diferentes fases.
“No curto prazo, é comum observar retenção de líquidos, sensação de inchaço, aumento da pressão arterial em pessoas mais sensíveis e uma piora geral na qualidade da alimentação”, afirma Matheus Maestralle.
No médio prazo, começam a surgir alterações mais relevantes.
“É comum o aumento da pressão arterial, piora do colesterol, mais inflamação no organismo e até resistência à insulina”, alerta.
Já no longo prazo, os riscos se tornam ainda mais expressivos. “O consumo frequente está associado ao aumento do risco de câncer colorretal, doenças cardiovasculares como infarto e AVC, além de obesidade, síndrome metabólica e alterações na microbiota intestinal”, conclui o nutricionista.

