
A vida na Terra pode ter surgido de uma forma bem diferente do que os cientistas imaginavam. Um estudo publicado na última quarta-feira (5/8) na revista científica Science Advances apresenta uma hipótese ousada: a transição entre matéria sem vida e organismos capazes de viver de forma independente pode ter acontecido duas vezes ao longo da evolução do planeta.
A proposta não significa que existiram duas árvores da vida completamente separadas. Na realidade, os pesquisadores sugerem que os ancestrais das bactérias e das arqueias — dois dos grupos mais antigos de seres vivos — desenvolveram, de maneira independente, parte do metabolismo necessário para se tornarem organismos totalmente autônomos.
Para chegar à hipótese, os autores compararam proteínas responsáveis por reações metabólicas essenciais presentes nos genomas de bactérias e arqueias. Em vários casos, descobriram que os dois grupos utilizam enzimas estruturalmente diferentes para realizar exatamente a mesma função.
Segundo os pesquisadores, isso indica que, após a separação entre bactérias e arqueias, cada grupo pode ter desenvolvido de forma independente parte das reações químicas fundamentais para manter a vida.
A conclusão desafia a ideia tradicional de que todo o metabolismo moderno já estaria completo no último ancestral comum universal, conhecido como LUCA.
Os próprios autores destacam que a pesquisa não prova que a vida surgiu duas vezes a partir da matéria inanimada. O estudo apresenta um novo modelo para explicar como os primeiros organismos podem ter adquirido autonomia metabólica durante a evolução.
Se futuras pesquisas confirmarem a hipótese, a descoberta poderá mudar a forma como os cientistas entendem os primeiros capítulos da história da vida na Terra. Por enquanto, porém, trata-se de uma proposta teórica que ainda depende de novas evidências para ser confirmada.
