
Tomar vitaminas, minerais ou produtos para melhorar o desempenho nos treinos não é uma necessidade de todas as pessoas, nem significa um compromisso para o resto da vida.
A indicação e a duração da suplementação dependem da alimentação, das condições de saúde e do motivo do uso, com acompanhamento para avaliar a necessidade.
Segundo o endocrinologista Renato Zilli, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), uma pessoa saudável, com alimentação equilibrada e sem fatores de risco, muitas vezes não precisa suplementar nada.
Quando há indicação, o uso pode ser temporário, até a correção de uma deficiência e o tratamento da causa. “O importante é não transformar uma indicação de alguns meses em um uso eterno por conta própria”, afirma o médico.
Os suplementos ajudam a complementar nutrientes que não estão sendo obtidos adequadamente pela alimentação. O tratamento de uma deficiência confirmada, como a de ferro ou vitamina B12, exige uma intervenção direcionada, com dose e duração definidas, explica Zilli.
Para a nutricionista Adriana Fanaro, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva em São Paulo, a escolha do produto deve vir depois da avaliação da alimentação, da rotina, dos medicamentos e do histórico de saúde. Exames laboratoriais podem ajudar, mas não são necessários em todas as situações.
“O suplemento serve para completar o que falta, e só dá para saber o que falta depois de olhar o que a pessoa já come”, afirma.
Em pessoas saudáveis, melhorar a quantidade e a variedade dos alimentos pode ser suficiente. Quem acredita precisar de whey protein, por exemplo, pode atingir a necessidade de proteína distribuindo ovos, feijão, carnes e laticínios ao longo do dia.

A suplementação pode ser necessária quando a alimentação não atende às necessidades, há uma demanda maior ou existe dificuldade para absorver nutrientes. A duração depende da permanência de cada condição. Entre as situações citadas pelos especialistas estão:
Mesmo no uso prolongado, doses e produtos precisam ser revistos. A indicação de manter um nutriente não significa que qualquer combinação de suplementos seja adequada.
Especialistas em saúde podem indicar suplementos dentro das atribuições de cada profissão. O nutricionista, por exemplo, avalia a alimentação e as necessidades nutricionais, enquanto a investigação médica é fundamental diante de suspeita de doença, deficiência importante ou sintomas sem causa definida.
Cansaço, queda de cabelo e dificuldade de concentração não bastam para justificar vitaminas por conta própria. As manifestações podem ter diferentes causas, e suplementar sem investigar pode atrasar o diagnóstico.
Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças renais ou hepáticas precisam de uma avaliação mais cuidadosa. Para quem tem doença renal, Fanaro destaca a necessidade de conversar com o médico antes de usar whey ou creatina, produtos que não são obrigatórios para quem pratica exercícios.

Usar um multivitamínico junto com fórmulas para cabelo, pele ou imunidade pode somar doses do mesmo nutriente sem que a pessoa perceba. O excesso de vitamina D pode elevar o cálcio no sangue e causar lesão renal, enquanto doses altas de vitamina B6 por muito tempo estão associadas a formigamento e dormência.
Também há possíveis interferências com medicamentos e exames. Ferro e cálcio podem prejudicar a absorção de remédios, como a levotiroxina, e a biotina pode alterar resultados laboratoriais.
Os especialistas recomendam levar à consulta a lista dos produtos utilizados e conferir ingredientes, quantidade por porção e advertências. A Anvisa orienta buscar um profissional de saúde, respeitar a dose e o tempo recomendados e comunicar efeitos inesperados. O acompanhamento permite decidir se o suplemento deve ser mantido, ajustado ou suspenso.
