
A provável reeleição de Florentino Pérez como presidente do Real Madrid no próximo domingo (7) confirmará o retorno do técnico José Mourinho ao clube merengue. O treinador português, que possui um acordo prévio com o dirigente, chegará ao Bernabéu com uma missão que vai muito além de ajustar peças táticas no campo: ele precisará ser um bombeiro para controlar os incêndios em um vestiário completamente destruído pela crise na temporada 2025-26.
A última jornada esportiva passou longe de deixar saudades nos torcedores. A seca de títulos englobou eliminações dolorosas perante o Bayern de Munique, na Champions League, e diante do Paris Saint-Germain, no Mundial de Clubes. Na Espanha, a equipe não conseguiu acompanhar o ritmo e viu o rival Barcelona conquistar de La Liga com facilidade.
O péssimo desempenho nos gramados resultou em duas drásticas trocas no comando. O técnico Xabi Alonso foi demitido em janeiro, após perder a Supercopa da Espanha, e o seu sucessor, Álvaro Arbeloa, não obteve êxito para conter a crise e chegou a se desentender de forma ríspida com peças do elenco.
Dança das cadeiras e atritos com treinadores
A diretoria do Real Madrid tentou solucionar os problemas com trocas no comando, mas as decisões apenas aprofundaram a crise. O técnico Xabi Alonso, contratado em junho, acabou demitido em janeiro, logo após perder o título da Supercopa da Espanha para o Barcelona. A queda do ex-jogador teve início em outubro, quando ele substituiu Vini Jr. durante um clássico. O atacante brasileiro deixou o gramado com reclamações e cortou relações com o comandante.
Para a vaga de Alonso, a diretoria do Real Madrid promoveu Álvaro Arbeloa, que comandava o time B. O novo treinador enfrentou resistência de parte do elenco e protagonizou discussões com atletas. O zagueiro Asencio questionou o tempo no banco de reservas e, de acordo com relatos locais, alegou uma lesão de forma intencional para não atuar. O técnico também teve desentendimentos com o meia Dani Ceballos e com o lateral Carvajal por questões táticas e de minutagem.

Agressões físicas e indisciplina
A falta de consenso sobre a hierarquia de liderança expôs uma divisão no grupo. Parte dos jogadores demonstrou resistência à possibilidade de Vini Jr. assumir a braçadeira de capitão de forma fixa. Outro caso aconteceu com o lateral Alexander-Arnold, que iniciou o clássico contra o Atlético de Madrid no banco de reservas por causa de um atraso em um treinamento.
Além de indisciplina, o Real Madrid também conviveu com conflitos físicos entre os jogadores. Em fevereiro, o zagueiro Antonio Rüdiger desferiu um tapa no rosto do lateral Carreras durante uma discussão no vestiário. No mês de maio, os meio-campistas Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni trocaram empurrões no gramado e continuaram a briga no dia seguinte.
Na ocasião, Valverde acusou o companheiro de repassar informações internas à imprensa. Tchouaméni reagiu com um soco e causou um traumatismo craniano no uruguaio. Valverde necessitou de atendimento em um hospital. O Real Madrid convocou reuniões emergenciais e instaurou processos disciplinares contra os atletas.

Desgaste com Mbappé
O cenário tático também apresentou obstáculos para o clube, em especial no posicionamento de Kylian Mbappé. O atacante francês obteve destaque no ataque com 42 gols e sete assistências na temporada. No entanto, o seu desempenho sem a posse de bola motivou críticas de torcedores e analistas.
Dados estatísticos da plataforma "Fotmob" apontaram que o camisa 9 teve a menor taxa de contribuição defensiva entre os 344 atletas de linha inscritos na La Liga. A falta de participação de Mbappé na recomposição exigiu maior esforço do meio-campo e da linha de defesa. Alonso e Arbeloa não encontraram soluções para corrigir esse desequilíbrio estrutural.
A postura do jogador gerou atritos com a equipe de trabalho. O francês discutiu com um membro da comissão técnica em decorrência da marcação de um impedimento em um treino. Semanas depois, ele viajou para a Itália durante o período de recuperação de uma lesão muscular. A atitude provocou reações negativas no elenco e na torcida. Fãs organizaram uma petição virtual para pedir a saída do atleta, e o documento obteve mais de 36 milhões de assinaturas.

