
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a Davi Alcolumbre (União-AP) resistência em votar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado na quarta-feira (10/6).
Segundo apurou a coluna, Alcolumbre ligou para Motta antes mesmo da votação da proposta, considerada uma “pauta-bomba” por conta de seu impacto fiscal — estimado em R$ 140 bilhões, em 10 anos.
Na conversa, o presidente do Senado perguntou se Motta colocaria o projeto para votar na Câmara caso a matéria fosse aprovada pelos senadores. O deputado paraibano, no entanto, não deu garantias.
Motta disse a Alcolumbre que não conhecia direito o texto. Lembrou também que a Câmara só votou um projeto parecido em 2025 porque ele beneficiava agricultores afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Na época, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) chegou a apresentar uma emenda para estender o benefício a produtores do Nordeste. O próprio Motta, contudo, vetou a iniciativa em razão do impacto fiscal.
Como a coluna noticiou mais cedo, o governo está apavorado com a aprovação do projeto da renegociação de dívidas rurais no Senado e, por isso, procurou Motta para tentar segurar a votação da proposta na Câmara.
Um dia após os senadores aprovarem a matéria, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ligou para Motta na manhã desta quinta-feira (11/6) e fez um apelo para que o projeto não seja votado.
Na conversa, segundo relatos, Guimarães também disse que o presidente Lula ficou muito chateado com a aprovação da pauta-bomba e, sobretudo, pelo envolvimento de senadores de partidos da base aliada na articulação.
A líderes da Câmara, Motta relatou também estar sofrendo pressão da bancada ruralista, que defende a aprovação da proposta. O presidente da Casa, contudo, tem sinalizado que não agirá de forma irresponsável.
