
Uma pesquisa publicada em 14 de julho de 2026 na revista científica European Heart Journal identificou micro e nanoplásticos no sangue de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio.
Os resultados mostram que as partículas apareceram com maior frequência entre pessoas atendidas após o evento cardíaco do que nos demais participantes avaliados.
Apesar da descoberta, o trabalho não comprova que os microplásticos causem infarto. A pesquisa encontrou uma associação entre a presença das partículas e a doença, mas ainda não é possível afirmar que exista uma relação de causa e efeito.
A pesquisa reuniu 61 pacientes submetidos à investigação de doença arterial coronariana. O grupo foi dividido entre 19 pessoas com infarto agudo do miocárdio, 20 pacientes com doença arterial coronariana crônica e 22 indivíduos com artérias coronárias consideradas normais.
Os pesquisadores coletaram amostras de sangue diretamente das artérias do coração e também da circulação periférica. Em seguida, utilizaram técnicas laboratoriais de alta precisão para identificar micro e nanoplásticos. Também foram avaliados marcadores de inflamação e a exposição dos participantes à poluição do ar.
Além da maior frequência de microplásticos no grupo com infarto, os pesquisadores observaram que os pacientes apresentavam concentrações mais elevadas e uma maior variedade de polímeros.
O polietileno foi o material predominante nas amostras positivas. As análises também mostraram níveis mais altos de marcadores inflamatórios, como a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), entre os pacientes que sofreram infarto.
Outro resultado importante foi a relação entre a presença das partículas e o tabagismo. Após os ajustes estatísticos, o histórico de fumar foi o único fator que permaneceu associado de forma independente aos microplásticos, aumentando em cerca de 5,7 vezes a chance de detectar as partículas no sangue.
Embora os resultados sejam relevantes, eles não permitem concluir que os microplásticos provoquem infarto. O estudo é observacional e analisou um número relativamente pequeno de participantes.
Isso significa que a pesquisa identifica uma associação, mas não consegue determinar qual fator veio primeiro nem excluir a influência de outros elementos, como tabagismo, poluição do ar ou hábitos de vida.
Os próprios autores reconhecem essa limitação e defendem a realização de estudos maiores, com acompanhamento dos participantes ao longo do tempo, para esclarecer se os micro e nanoplásticos realmente participam do desenvolvimento das doenças cardiovasculares.
