
Um hábito comum entre os brasileiros é tomar café após o almoço. A coluna Claudia Meireles procurou o médico integrativo Wandyk Allison para descobrir se essa atitude prejudica a saúde. A resposta do especialista é: “Depende do seu metabolismo, da sua digestão e do seu objetivo biológico.”
O médico argumenta que “o café não é o problema, mas o contexto, sim”. Ele destaca que a bebida é uma “ferramenta metabólica”: “Pode melhorar o foco, aumentar a sensação de alerta, modular o apetite e estimular o sistema nervoso”. Entretanto, quando consumida no momento errado, tende a atrapalhar processos essenciais do corpo.
Pós-graduado em endocrinologia, Wandyk explica sobre a digestão ser o ponto mais negligenciado. “Após o almoço, o corpo entra em modo parassimpático, focado na digestão. É nesse momento que ocorre a quebra dos alimentos, a absorção de nutrientes e a sinalização hormonal envolvendo insulina, grelina e leptina.”
“Quando o café é ingerido logo após a refeição, a cafeína pode reduzir a eficiência da absorção de alguns minerais, principalmente ferro e zinco. Também pode acelerar o esvaziamento gástrico, prejudicando digestões mais complexas. A pessoa até se alimenta bem, mas não absorve bem”, sustenta o médico.
Conforme o especialista, a longo prazo, a falta de minerais tende a se manifestar como fadiga, queda de cabelo, baixa performance e estagnação estética. Ele aponta também sobre o cortisol, hormônio que tem a liberação estimulada pela ingestão de café.

Wandyk Alisson salienta que, após o almoço, o corpo deveria reduzir o estado de alerta e priorizar a digestão e recuperação. “Ao ingerir café nesse momento, ocorre uma indução artificial de alerta, interferindo no ritmo circadiano e podendo aumentar ansiedade e compulsão alimentar ao longo do dia”, complementa.
Caso tenha se questionado se nunca poderá tomar café após o almoço, o pós-graduado em endocrinologia exclama: “Não é uma regra absoluta. Não é necessariamente prejudicial para todos, mas o consumo também não fica neutro no organismo.”

