
A menopausa ainda é vista por muitas pessoas apenas como o fim da menstruação. Porém, a médica Luana Concha, pós-graduada em endocrinologia e metabologia, afirma que a fase representa uma transição muito mais profunda, que impacta o corpo, as emoções, os relacionamentos, a autoestima e até a forma como a mulher se percebe no mundo.
“No consultório, eu vejo muitas mulheres chegarem dizendo: ‘Eu não me reconheço mais’. Elas estão mais cansadas, dormem mal, têm dificuldade de concentração, ficam mais irritadas e, muitas vezes, acreditam que isso faz parte do envelhecimento e que precisam simplesmente aceitar”, diz a profissional ao Metrópoles.
Também existe um impacto importante na vida social e profissional, afirma Luana.
“Uma noite mal dormida, ondas de calor frequentes, queda na disposição e alterações de humor podem afetar o desempenho no trabalho, os relacionamentos e até a vida sexual. Por isso, olhar para a menopausa apenas pelos sintomas físicos é reduzir uma experiência que envolve a saúde de forma integral.”
Apesar dos desafios, ao entender que essas mudanças têm uma explicação biológica e que existem estratégias para lidar com elas, a mulher deixa de sentir que perdeu o controle da própria vida, conforme afirma a endocrinologista.
De acordo com a médica, a principal mudança hormonal na menopausa é a redução da produção de estrogênio e progesterona pelos ovários. Esses hormônios participam de inúmeros processos no organismo, por isso seus efeitos vão muito além da saúde reprodutiva.
Quando o estrogênio diminui, o metabolismo tende a ficar mais lento, há uma maior facilidade para acumular gordura abdominal e uma perda progressiva de massa muscular. Muitas mulheres dizem: ‘Continuo fazendo tudo igual, mas meu corpo mudou’. Isso realmente tem uma explicação fisiológica.
Luana Concha
Outro fator muito importante é o sono. A queda hormonal favorece insônia, despertares frequentes e suores noturnos. “Quando a mulher não dorme bem, ela acorda sem energia, com mais dificuldade de concentração e mais vulnerável às oscilações de humor, além de aumentar a fome e estar mais propensa ao ganho de peso”, alerta a profissional.
Luana, que atua na área de emagrecimento, obesidade e reposição hormonal, acrescenta ainda que o estrogênio também influencia neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a serotonina. Por isso, ansiedade, irritabilidade e alterações emocionais podem surgir ou se intensificar nessa fase.
“O mais importante é entender que esses sintomas não são ‘frescura’ nem falta de força de vontade. Eles têm uma base biológica e podem ser tratados.”
Segundo a médica endocrinologista, a menopausa vai além das perdas hormonais e pode se tornar uma fase de ganhos, desde que a mulher priorize o cuidado com a própria saúde.
Abaixo, confira alguns hábitos que podem reduzir sintomas da menopausa e manter o bem-estar a longo prazo, segundo Luana Concha:
“A menopausa não precisa ser encarada como o começo de um declínio. Ela pode marcar o início de uma fase de mais consciência, autocuidado e qualidade de vida. Com orientação adequada e um plano individualizado, é totalmente possível atravessar essa transição com saúde, vitalidade e confiança“, conclui a médica da Sociedade Brasileira de Andropausa e Menopausa (SBAM).
