
Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que menos brasileiros têm ingerido bebidas alcoólicas, entretanto entre aqueles que consomem álcool o padrão de uso abusivo continua elevado. Algumas opções tendem a prejudicar mais a microbiota intestinal, como a vodca.
De acordo com a coloproctologista Aline Amaro, de Brasília (DF), as bebidas destiladas — como vodca, tequila, cachaça e uísque — apresentam teor alcoólico mais elevado. Quando consumidas de forma exagerada, essas opções tendem a provocar um impacto mais intenso sobre a mucosa intestinal e na microbiota, conforme explica a médica.
A especialista detalha que, por outro lado, algumas bebidas fermentadas — a exemplo de vinho e cerveja — trazem na composição antioxidantes e substâncias derivadas da fermentação e, por isso, em pequenas quantidades, podem causar efeitos menos agressivos. “O vinho tinto contém polifenóis, que vêm sendo estudados por possíveis benefícios à microbiota”, revela.

Aline destaca: “Isso não significa que exista bebida alcoólica ‘saudável’ para o intestino”. A coloproctologista argumenta que, quando a ingestão passa a ser frequente ou excessiva, os efeitos negativos acabam predominando independentemente da versão escolhida.
“O que mais pesa na saúde intestinal continua sendo o padrão de consumo, associado ao estilo de vida como um todo”, salienta a coloproctologista.
Segundo a especialista em cirurgia robótica e a laser, o principal fator que determina o impacto negativo sobre a microbiota intestinal não é apenas o tipo da bebida, mas também a quantidade de álcool consumida e a frequência desse consumo. “Quanto maior a concentração alcoólica e maior o volume ingerido, maior tende a ser a agressão ao intestino e à flora intestinal”, finaliza Aline.s
