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Leite de magnésia alivia azia e prisão de ventre, mas uso exige cuidados

Sentiu azia ou queimação no estômago e pensou em tomar leite de magnésia para aliviar o desconforto? O medicamento é conhecido por ajudar nesses casos, mas também tem outra indicação: o tratamento da prisão de ventre.

O leite de magnésia tem como princípio ativo o hidróxido de magnésio e atua de duas formas no organismo.

“Como antiácido, neutraliza parte do ácido produzido pelo estômago, aliviando temporariamente sintomas como azia e queimação. Como laxante, ajuda a reter água no intestino, deixando as fezes mais macias e facilitando a evacuação”, explica a gastroenterologista Daniela Carvalho, da clínica Gastrocentro, em Brasília.

A médica ressalta, no entanto, que azia frequente e prisão de ventre persistente podem indicar problemas que precisam de investigação. Nesses casos, recorrer repetidamente ao medicamento pode apenas aliviar os sintomas sem tratar a causa.

Uso frequente de leite de magnésia pode causar desidratação

Apesar de ser vendido sem receita, o leite de magnésia não deve ser usado indiscriminadamente. Quando tomado repetidamente ou em doses acima das recomendadas, pode causar efeitos colaterais e representar riscos.

Segundo o gastroenterologista e proctologista Jacques Matone, do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e do Hospital Albert Einstein, os efeitos adversos mais comuns incluem diarreia, cólicas, náuseas e desconforto intestinal.

“Quando a diarreia é intensa, o organismo pode perder água e eletrólitos, como sódio e potássio, substâncias importantes para o funcionamento dos músculos, dos nervos e de outros sistemas do corpo”, diz.

Outro risco é o acúmulo de magnésio no sangue, condição chamada hipermagnesemia. Normalmente, os rins eliminam o excesso desse mineral pela urina. Quando a função renal está comprometida, porém, essa eliminação pode ser prejudicada.

“Em casos mais graves, esse acúmulo pode provocar fraqueza muscular intensa, queda da pressão arterial, redução dos reflexos, alterações dos batimentos cardíacos e até depressão respiratória”, explica Matone.

Daniela orienta procurar atendimento médico diante de sinais como sonolência excessiva, confusão mental, tontura intensa ou alterações dos batimentos cardíacos. Dificuldade para respirar também exige atendimento imediato.

Quem deve ter mais cuidado

Pessoas com insuficiência renal precisam de atenção especial, pois podem ter dificuldade para eliminar o magnésio do organismo. O uso sem orientação médica deve ser evitado nesses casos.

Idosos também podem apresentar maior risco, já que a função dos rins pode diminuir com a idade. Pessoas com obstrução intestinal ou alterações importantes do trânsito intestinal precisam de avaliação antes de usar o produto.

“Outro cuidado envolve a combinação com medicamentos e suplementos que contêm magnésio, que pode aumentar o risco de acúmulo da substância. O leite de magnésia também pode interferir na absorção de alguns remédios, como determinados antibióticos e a levotiroxina, usada no tratamento de alterações da tireoide”, aponta Daniela.

Por isso, quem toma outros medicamentos ou pretende usar o produto com frequência deve conversar com um profissional de saúde sobre as possíveis interações e o intervalo adequado entre as doses.

Leite de magnésia funciona como desodorante?

A aplicação do leite de magnésia nas axilas para reduzir o odor ou no rosto para controlar a oleosidade é uma prática divulgada nas redes sociais. No entanto, faltam evidências clínicas robustas que comprovem a eficácia e a segurança do produto para essas finalidades.

Matone explica que o medicamento tem características alcalinas e que algumas pessoas relatam redução do odor corporal ou da sensação de oleosidade. Isso, porém, não comprova que funcione como desodorante ou antitranspirante.

“Na pele do rosto, a aplicação também pode provocar ressecamento e irritação, principalmente em pessoas com pele sensível ou que utilizam ácidos e outros produtos dermatológicos”, alerta.

A gastroenterologista Débora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, também não recomenda esse tipo de uso. “O produto não foi desenvolvido para aplicação na pele e não há evidências científicas que sustentem esses benefícios”, destaca.

Para controlar o odor corporal ou a oleosidade, a recomendação é escolher produtos formulados e testados para essas finalidades.

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