
A troca de mensagens entre o banqueiro preso Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes repercutiu na imprensa internacional.
Os textos revelam que Vorcaro mandou mensagens para Moraes na semana em que foi preso pela Polícia Federal (PF), indicando que o banqueiro preparava uma possível fuga do país e perguntou ao ministro sobre. A PF aponta 187 interações entre Vorcaro e o contato salvo no celular do banqueiro como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
O jornal argentino La Nacion classificou o episódio como um “terremoto político e institucional” e Moraes como o “juiz mais poderoso do Brasil”.
“Para a política brasileira, o impacto é sísmico devido ao próprio peso de Moraes […] Com o caso nas mãos do plenário [do Supremo], o homem que personificou a Suprema Corte do Brasil [Moraes} se prepara para enfrentar o teste mais difícil contra o seu próprio gabinete.
Já a agência internacional EFE coloca Moraes como um juiz “conhecido mundialmente por ter condenado o ex-presidente Jair Bolsonaro”.
A agência classifica dois ministros do Supremo como suspeitos no caso Master – Moraes e Dias Toffoli, citando o contrato do escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro, e “alegadas transações imobiliárias entre família de Toffoli e o círculo íntimo do banqueiro”.
“Esses novos indícios são revelados em meio à campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 4 de outubro, que se configuram como uma disputa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro”, escreveu a reportagem.
O jornal El País – da Espanha com filiais na América Latina, reportou o caso como um “escândalo” após informações sobre “laços estreitos de Moraes com um banqueiro preso”.
“Moraes permanece em silêncio diante dessas revelações, que caíram como uma bomba a menos de cinco semanas das eleições “, diz o jornal.

O site estadunidense Bloomberg também repercutiu o diálogo do ministro com o banqueiro, afirmando que o caso coloca Moraes “novamente no centro” do caso Master.
“Os documentos [revelados] colocaram Moraes novamente no centro de um caso que já havia ameaçado a credibilidade da mais alta corte do Brasil — uma instituição poderosa da qual ele frequentemente tem sido um símbolo”, disse reportagem do Bloomberg.
O ministro André Mendonça, do Supremo, que abriu o sigilo do caso contra Moraes, pede que o caso seja levado ao plenário do Supremo e seja instaurada uma investigação contra seu colega da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou nulo o pedido de Mendonça para abertura de investigação.
A decisão sobre levar o caso ao plenário é do ministro presidente da Corte, Edson Fachin.
