
Pesquisadores do Arc Institute e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram treinar uma inteligência artificial para que ela criasse o genoma completo de um vírus. Pela primeira vez na história, a tecnologia conseguiu inventar um DNA viável para que o organismo se reproduza e infecte
O estudo foi publicado nesta quinta (6/8) na revista Science e é considerado um marco. Os cientistas apresentaram o material genético de milhões de vírus para a IA, que conseguiu prever uma sequência de bases nitrogenadas viável — são as “letras” do DNA.
A IA, chamada de Evo, reproduziu, inicialmente, um bacteriófago, um vírus bem estudado, de 5,4 mil letras. Os vírus são organismos muito simples, e muitos pesquisadores sequer o consideram um ser vivo. Para comparação, o genoma humano tem 3 bilhões de bases nitrogenadas.
Depois, o Evo inventou milhares de propostas de novos vírus que não existem na natureza a partir do original. Os cientistas escolheram os que pareciam viáveis, e 300 deles foram sintetizados em laboratório. Dezesseis vírus funcionaram, conseguiram se multiplicar e até destruir bactérias E.coli.
Quando foram colocados perto de bactérias resistentes ao organismo inicial, que “inspirou” a criação dos organismos sintéticos, os novos vírus conseguiram vencer a resistência. Para os cientistas, isso sugere que o Evo pode ajudar a criar opções de tratamento contra bactérias resistentes a medicamentos.
Os pesquisadores ressaltam que este tipo de trabalho deve ser acompanhado por profissionais de segurança biológica. Não foram apresentados ao Evo vírus que infectam humanos, outros animais, plantas ou fungos — a medida foi considerada essencial para garantir que a tecnologia não desenharia patógenos perigosos.
