
São Paulo – Gilberto Nogueira de Oliveira, conhecido como Tony, entrou com pedido no Sistema Único de Saúde (SUS) para conseguir reconstruir o pênis, que foi decepado pela companheira, Daiane dos Santos Faria, após a mulher descobrir que foi traída, em dezembro de 2023, em Atibaia, interior de São Paulo.
Ao Metrópoles, Tony contou que agora vai tentar reconstruir o pênis pelo SUS, porque recebeu “promessas vazias” anteriormente. Segundo ele, o processo ainda está no começo.

Apesar da decisão judicial, Tony afirmou à reportagem que vai recorrer e pedir um valor maior de indenização.
O Metrópoles contou a história de Tony e Dai em um podcast com o nome do casal, lançado em novembro de 2025. Os episódios detalham a noite do crime e o que levou Tony a perdoar a companheira, reatar o relacionamento e planejar um casamento. Ouça os episódios clicando aqui.
A reportagem mostrou, em novembro de 2024, a rotina de Tony sem o pênis. À época, o homem, que estava longe de Daiane, visto que a mulher ainda estava presa, contou que seguia a vida normalmente, mas que mesmo assim seguia atrás de uma cirurgia de reconstrução.
Ele até havia começado as consultas, patrocinadas por uma emissora de televisão. Porém, o projeto não avançou e Tony ficou sem conseguir dar andamento no procedimento.
Em novembro de 2024, o Metrópoles conversou com o urologista Cesar Camara, que contou que a cirurgia não é muito comum no Brasil e que costuma ser “um procedimento de alto risco de sucesso”. Apesar disso, o especialista reforçou que não é um processo perigoso para o paciente.
A reconstrução acontece em duas fases. A primeira é um enxerto, em que o médico deve retirar um pedaço de pele e conexões nervosas do antebraço do paciente, modelar um novo pênis e conectá-lo ao local original do órgão. Nessa conexão, é necessário que se preservem a enervação e os vasos.
É esperado que, de três a quatro meses depois da cirurgia, o homem volte a sentir sensibilidade no órgão. Segundo o médico, costuma demorar pelos menos um ano até o enxerto funcionar efetivamente. O nome oficial da operação é faloplastia.
Apesar de o órgão ser restituído, não será possível que o homem tenha ereções.
“Essa estrutura não vai ter o mecanismo de ereção que o pênis tinha. Então, quando ele ficar excitado, tiver o desejo sexual, ele não vai ter ereção”, explica Cesar Câmera.
Somente em uma segunda fase da operação que a prótese peniana que Gilberto contou ter ganhado de doação de um cirurgião plástico pode ser implantada. Nesta parte do processo existem dois caminhos, variando de acordo com o tipo da prótese.
De acordo com o Câmara, existem os modelos chamados de maleáveis, ou semi-rígidos. Nesse caso, o pênis fica sempre ereto.
“Você consegue dobrar, consegue esconder, mas ele vai ter sempre rigidez para ter na relação sexual, mesmo que você não tenha desejo”, explica.
O outro tipo é chamado de prótese inflável. Esses modelos deixam o pênis flácido quando o paciente desejar. Quando ele tiver um desejo sexual e quiser ter uma ereção, o paciente aciona manualmente um mecanismo hidráulico, que fica escondido entre os dois testículos e assim é provocada uma ereção.
