
Com o alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os suplementos de cúrcuma provocarem danos ao fígado, a coluna Claudia Meireles conversou com dois hepatologistas a respeito de como essas fórmulas afetam a saúde hepática. Os médicos entrevistados foram Arthur Nobre, PhD em gastroenterologia pela Universidade de São Paulo (USP), e Liz Marjorie, mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A especialista explica que os suplementos de cúrcuma podem provocar uma hepatite aguda tóxica, que é uma inflamação do fígado causada por uma substância química. “Essa condição é diferente das hepatites virais, como a A, B e C”, defende. Com atuação na área de endoscopia digestiva, o médico acrescenta sobre esses casos serem raros.
“Os suplementos de cúrcuma podem causar uma inflamação parecida com uma hepatite medicamentosa, ou seja, uma reação do fígado a uma substância ingerida”, acrescenta Arthur. Ele menciona que, na maioria das vezes, quando esse quadro ocorre, o indivíduo apresenta melhora após a suspensão das fórmulas utilizadas.
Tanto Liz Marjorie quanto Arthur detalham que a pessoa que consome suplementos de cúrcuma deve ficar atenta a alguns sinais, como pele ou olhos amarelados, urina escura, coceira, enjoo, perda de apetite, dor abdominal e cansaço intenso.

A hepatologista, que atende em Juazeiro do Norte (CE), esclarece quanto aos sintomas desencadeados pela ingestão dos suplementos de cúrcuma: “Gera uma ocorrência inflamatória nas células do fígado (hepatócitos), que pode variar de uma alteração silenciosa em exames de sangue até quadros de icterícia, onde o paciente apresenta pele e olhos amarelados”.
Segundo a mestra em gastroenterologia, em situações mais críticas e raras, essa agressão ao fígado é tão intensa que pode evoluir para uma insuficiência hepática aguda, considerada uma emergência médica. Os dois médicos enfatizam que a cúrcuma usada como tempero em preparos culinários não oferece riscos à saúde.

