
Tomar café todos os dias pode fazer mais do que ajudar a despertar. Um estudo publicado em 9 de fevereiro no JAMA Network indica que o consumo moderado de café com cafeína foi associado a um menor risco de demência e a resultados um pouco melhores em testes de função cognitiva ao longo do envelhecimento.
A pesquisa analisou dados de 131.821 pessoas acompanhadas por até 43 anos em dois grandes estudos dos Estados Unidos: o Nurses’ Health Study, com mulheres, e o Health Professionals Follow-Up Study, com homens. Durante o período de acompanhamento, 11.033 participantes desenvolveram demência.
O principal achado foi que o benefício apareceu com consumo moderado. Segundo a análise, a ingestão de cerca de 250 mg a 300 mg de cafeína por dia, equivalente a aproximadamente duas a três xícaras de café, foi ligada a uma redução de até 35% no risco de demência em adultos de até 75 anos.
Os pesquisadores compararam o consumo de café com cafeína, café descafeinado e chá. O café com cafeína foi associado a um menor risco de demência, enquanto o café descafeinado não mostrou a mesma relação protetora.
No estudo, pessoas com maior consumo de café com cafeína tiveram 18% menos risco de demência em comparação com aquelas que consumiam pouco ou nenhum café com cafeína. Também foi observada menor prevalência de declínio cognitivo subjetivo entre consumidores da bebida: 7,8% contra 9,5%.
O chá também apareceu associado a resultados positivos. O maior consumo da bebida foi ligado a menor risco de demência, com destaque para a ingestão de uma a duas xícaras por dia.
Uma hipótese levantada pelos cientistas é que a cafeína ajuda a manter a atividade de neurotransmissores importantes para memória e atenção. A substância bloqueia a ação da adenosina, molécula que reduz a atividade de mensageiros cerebrais como dopamina e acetilcolina.
Outro possível caminho envolve a redução de inflamações e de danos celulares. Café e chá também contêm compostos bioativos, como polifenóis, que podem contribuir para a saúde dos vasos sanguíneos e para a proteção das células cerebrais.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores não defendem exageros. O estudo sugere que o maior benefício ocorreu com consumo moderado, especialmente em torno de duas a três xícaras de café com cafeína por dia. Acima disso, a proteção não pareceu aumentar de forma clara.
Os autores também reforçam que a pesquisa é observacional. Ou seja, ela mostra uma associação entre o consumo de café ou chá e menor risco de demência, mas não prova que a bebida, sozinha, seja capaz de prevenir a doença.
