
Ter o peso considerado normal não significa necessariamente estar livre de um risco cardiovascular aumentado. Um estudo publicado nesta terça-feira (11/8) no Journal of the American College of Cardiology (JACC) mostra que a concentração de gordura na região abdominal pode revelar riscos que o índice de massa corporal (IMC) não identifica sozinho.
Pesquisadores analisaram mais de 260 mil pessoas, acompanhadas por cerca de 20 anos, em média. Eles compararam o IMC com a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril e observaram a ocorrência de nove desfechos, incluindo infarto, AVC, insuficiência cardíaca e mortes por doenças cardiovasculares.
Pessoas com IMC normal ou sobrepeso, mas com medidas abdominais elevadas, apresentaram risco de 15% a 50% maior para a maioria dos problemas avaliados.
O IMC relaciona peso e altura, mas não mostra onde a gordura está concentrada. Duas pessoas com o mesmo índice podem, portanto, apresentar distribuições de gordura bastante diferentes.
A circunferência da cintura e a relação cintura-quadril ajudam a identificar a chamada adiposidade central, que é a concentração de gordura na região abdominal.
As medidas não determinam diretamente a quantidade de gordura ao redor dos órgãos, mas acrescentam informações sobre o risco que o IMC sozinho pode deixar escapar.
“Nossas descobertas enfatizam o papel fundamental de identificar a adiposidade central elevada, mesmo em indivíduos com IMC normal ou na faixa de sobrepeso”, afirmou Zeina A. Dardari, principal autora do estudo, em comunicado do American College of Cardiology (ACC).
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo destacaram que algumas pessoas consideradas dentro do peso normal apresentavam adiposidade central elevada e maior risco para a maioria dos problemas avaliados.
O estudo não indica que o IMC deva ser abandonado ou que uma fita métrica seja suficiente para determinar o risco de uma pessoa. A conclusão é que medir a distribuição da gordura pode complementar a avaliação baseada no IMC.
O trabalho também é observacional. Portanto, identifica associações, mas não permite afirmar que a gordura abdominal tenha causado diretamente os problemas cardiovasculares registrados.
Entre as limitações, os pesquisadores não tinham informações sobre atividade física, alimentação e risco genético para obesidade. Além disso, cintura e relação cintura-quadril foram medidas apenas uma vez, impedindo avaliar mudanças na gordura abdominal ao longo dos anos.
Ainda assim, os resultados mostram que olhar somente para peso e IMC pode deixar parte do risco cardiovascular escondida. A região onde a gordura se concentra também pode trazer informações importantes sobre a saúde do coração.
