AO VIVO

Rádio Vitório FM - Transmissão ao vivo

Sua rádio de todos os momentos
Por: 
Metrópoles

Ginecologista explica como ter "duas vaginas" pode afetar o sexo

A influenciadora Maya Braga, de 20 anos, afirmou ter “duas vaginas”. Desde que descobriu a condição, conhecida como útero didelfo, a jovem diz receber inúmeras perguntas sobre como é viver com a anomalia, principalmente em relação à vida sexual.

Entenda a condição

  • Ter “duas vaginas” (duplicidade vaginal) é uma anomalia congênita rara, caracterizada pela divisão do canal vaginal em dois por uma parede de tecido chamada septo vaginal longitudinal.
  • O septo vaginal longitudinal resulta da falha na fusão dos ductos de Müller durante o desenvolvimento embrionário, entre a 6ª e 20ª semana de gestação.
  • Essa alteração costuma estar associada a malformações uterinas, principalmente ao útero didelfo, condição em que a mulher tem dois úteros completamente separados.
  • Nesses casos, a mulher tem apenas uma vulva, já que a duplicação ocorre exclusivamente nas estruturas internas.
mulher de calcinha segurando uma flor na região da vagina
A quebra de tabus em torno da saúde íntima feminina traz melhor qualidade de vida para as mulheres

Como ter “duas vaginas” afeta a vida sexual

Segundo a ginecologista Lívia Saviolo, mulheres com septo vaginal longitudinal, especialmente quando ele é espesso ou provoca obstrução parcial do canal vaginal, podem sentir desconforto ou dor durante a relação sexual. Em outros casos, é possível não sentir nada.

Para as mulheres que apresentam desconforto durante as relações sexuais, existem adaptações e tratamentos que podem contribuir para uma vida sexual mais saudável e confortável.

“O manejo ideal da disfunção sexual relacionada a anomalias vaginais envolve uma abordagem multidisciplinar que pode incluir fisioterapia pélvica, aconselhamento sexual e, quando necessário, intervenção cirúrgica.”

A especialista em procedimentos e cirurgias íntimas afirma que a fisioterapia do assoalho pélvico é considerada o tratamento de primeira linha para casos de dispareunia relacionada à disfunção dessa musculatura.

 

E possível ter relações sexuais pelas duas vaginas?

De acordo com a ginecologista, teoricamente é possível ter relações sexuais por ambos os canais vaginais quando existe septo vaginal longitudinal completo. Porém, na prática, isso depende de vários fatores anatômicos e funcionais.

“Na maioria dos casos, a paciente utiliza um dos canais vaginais: geralmente há um dominante (mais amplo ou de acesso mais fácil), assim ele é usado habitualmente para relações sexuais. Já o outro canal pode ser mais estreito ou de acesso menos favorável anatomicamente.”

Embora seja anatomicamente possível usar ambos os canais, Livia diz que não há necessidade clínica de utilizar ambos os canais, já que a função sexual é normal usando apenas um canal e tentar usar ambos não traz benefício adicional.

Útero didelfo não faz mulher ter dois hímenes

É importante ressaltar que, no útero didelfo associado ao septo vaginal longitudinal, há apenas um hímen, localizado na entrada da vagina (introito vaginal), e não dois.

“O septo divide a vagina em dois canais ao longo de seu comprimento, mas ambos desembocam em uma única abertura vaginal. Por isso, a paciente que tem útero didelfo não pode ser virgem de um dos lados“, alerta a médica.

Sintomas

Segundo Lívia, muitas mulheres com septo vaginal longitudinal não apresentam sintomas e descobrem a condição apenas durante exames ginecológicos de rotina.

Quando há manifestações, os principais sintomas incluem:

  • Dificuldade para inserir ou remover absorventes internos (tampões);
  • Sangramento menstrual através do absorvente interno (porque o sangue flui pelo canal não obstruído);
  • Dispareunia (dor durante relações sexuais);
  • Laceração do septo durante relações sexuais;
  • Dismenorreia (cólicas menstruais);
  • Trabalho de parto obstruído (se não diagnosticado antes do parto).

Quando um dos canais vaginais é obstruído (septo vaginal longitudinal obstrutivo), os sintomas podem incluir:

  • Dor pélvica cíclica intensa;
  • Hematocolpos (acúmulo de sangue menstrual no canal obstruído);
  • Massa pélvica palpável;
  • Sintomas urinários, como aumento da frequência para urinar, dor ao urinar e retenção urinária;
  • Sensação de pressão na região retal.

Por que esse tema desperta tanto interesse?

De acordo com Livia Saviolo, ginecologista especializada em procedimentos e cirurgias íntimas, uma das coisas que mais chama atenção é a confusão que as pessoas fazem entre vulva e vagina. Talvez por isso esse tema desperte tanta curiosidade.

“A vulva é a parte externa da genitália feminina. Já a vagina é o canal interno. Por isso, olhando para uma mulher nua, não é possível perceber que ela tenha duas vaginas, pois essa alteração acontece internamente”, conclui a profissional ao Metrópoles.

contato@vitoriofm.com.br
Vitório FM 104,9 - Todos os direitos reservados
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram