
A influenciadora Maya Braga, de 20 anos, afirmou ter “duas vaginas”. Desde que descobriu a condição, conhecida como útero didelfo, a jovem diz receber inúmeras perguntas sobre como é viver com a anomalia, principalmente em relação à vida sexual.

Segundo a ginecologista Lívia Saviolo, mulheres com septo vaginal longitudinal, especialmente quando ele é espesso ou provoca obstrução parcial do canal vaginal, podem sentir desconforto ou dor durante a relação sexual. Em outros casos, é possível não sentir nada.
Para as mulheres que apresentam desconforto durante as relações sexuais, existem adaptações e tratamentos que podem contribuir para uma vida sexual mais saudável e confortável.
“O manejo ideal da disfunção sexual relacionada a anomalias vaginais envolve uma abordagem multidisciplinar que pode incluir fisioterapia pélvica, aconselhamento sexual e, quando necessário, intervenção cirúrgica.”
A especialista em procedimentos e cirurgias íntimas afirma que a fisioterapia do assoalho pélvico é considerada o tratamento de primeira linha para casos de dispareunia relacionada à disfunção dessa musculatura.
De acordo com a ginecologista, teoricamente é possível ter relações sexuais por ambos os canais vaginais quando existe septo vaginal longitudinal completo. Porém, na prática, isso depende de vários fatores anatômicos e funcionais.
“Na maioria dos casos, a paciente utiliza um dos canais vaginais: geralmente há um dominante (mais amplo ou de acesso mais fácil), assim ele é usado habitualmente para relações sexuais. Já o outro canal pode ser mais estreito ou de acesso menos favorável anatomicamente.”
Embora seja anatomicamente possível usar ambos os canais, Livia diz que não há necessidade clínica de utilizar ambos os canais, já que a função sexual é normal usando apenas um canal e tentar usar ambos não traz benefício adicional.
É importante ressaltar que, no útero didelfo associado ao septo vaginal longitudinal, há apenas um hímen, localizado na entrada da vagina (introito vaginal), e não dois.
“O septo divide a vagina em dois canais ao longo de seu comprimento, mas ambos desembocam em uma única abertura vaginal. Por isso, a paciente que tem útero didelfo não pode ser virgem de um dos lados“, alerta a médica.
Segundo Lívia, muitas mulheres com septo vaginal longitudinal não apresentam sintomas e descobrem a condição apenas durante exames ginecológicos de rotina.
Quando há manifestações, os principais sintomas incluem:
Quando um dos canais vaginais é obstruído (septo vaginal longitudinal obstrutivo), os sintomas podem incluir:
De acordo com Livia Saviolo, ginecologista especializada em procedimentos e cirurgias íntimas, uma das coisas que mais chama atenção é a confusão que as pessoas fazem entre vulva e vagina. Talvez por isso esse tema desperte tanta curiosidade.
“A vulva é a parte externa da genitália feminina. Já a vagina é o canal interno. Por isso, olhando para uma mulher nua, não é possível perceber que ela tenha duas vaginas, pois essa alteração acontece internamente”, conclui a profissional ao Metrópoles.
