
Um dia antes deixar o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas eleições presidenciais, disse que entregaria seus passaportes e responderia as acusações de que tinha um plano de deixar o país. Na segunda (26/10), Flávio havia afirmado que “nunca falou” em sair do país.
“Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, afirmou em vídeo divulgado.
Nesta terça (27/10), Flávio embarcou para os Estados Unidos com com a esposa e as duas filhas, como revelou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha. A saída do país foi organizada com a ajuda de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos para evitar vazamentos.
A previsão, segundo aliados de Flávio, é de que o senador entre no país pelo estado da Flórida até o fim da tarde. O governo Donald Trump já foi avisado.
A intimidação para entregar os passaportes foi dada no âmbito da investigação que apura lavagem de dinheiro por parte do senador, que envolveria empresas de apostas e plataformas de pagamento.
Na mesma publicação de segunda, Flávio havia prometido ainda assumir a liderança da oposição no Brasil. “Eu vou organizar a oposição (…) Não vão me calar, não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil”, declarou.
Ele também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a Polícia Federal (PF).
“Isso se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perder essa eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, questionou o senador
Em vídeo na última sexta-feira (23/10), Eduardo afirmou que, em caso de derrota nas eleições, Flávio Bolsonaro deveria deixar o Brasil. Segundo ele, o irmão ficaria sujeito a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar.
Na segunda-feira (26/10), Flávio visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, em Brasília (DF). Após a visita, disse em vídeo que havia sido abordado por agentes da PF e intimado a entregar os passaportes comum e diplomático.
A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
O senador tinha até o início desta terça para entregar os passaportes. Diante do descumprimento, a PF cancelou os passaportes de Flávio e informou que vai oficiar Moraes sobre o caso.
