
Quando se fala em perda de memória, é comum classificar demência e Alzheimer como a mesma doença. No entanto, a associação é simplista: embora afetem a cognição e a capacidade neurológica do indivíduo, elas não são a mesma condição — e nem sempre estão correlacionadas.
Enquanto a demência é um síndrome caracteriza por um conjunto de sintomas característicos, a doença de Alzheimer é a patologia específica, conforme explica a neuropsicóloga Vanessa Bulcão.
“Quando se fala em demência, muita gente pensa imediatamente em Alzheimer. Isso acontece porque o Alzheimer é, de fato, a forma mais conhecida e uma das mais frequentes. Mas existem outras demências importantes e que, muitas vezes, começam de um jeito bem diferente”, explica expert.

Enquanto toda doença de Alzheimer causa demência, nem toda demência é Alzheimer.
Enfermeira especializada em geriatria e gerontologia, Júlia Godoy explica que a tem demência diferentes causas e origens — são pouco mais de 140 tipos conhecidos. “Entre as demências menos conhecidas estão a demência frontotemporal, a demência com corpos de Lewy e a demência vascular”, cita.
A doença de Alzheimer costuma se manifestar na dificuldade em aprender e guardar informações novas. “A pessoa repete perguntas, esquece recados recentes, perde objetos com frequência e passa a ter mais dificuldade para acompanhar conversas ou tarefas do dia a dia”, explica a neuropsicóloga.
Em outros tipo de demência, como a com corpos de Lewy, o começo pode envolver oscilações na capacidade de atenção, com alucinações visuais bem definidas e sintomas motores parecidos com os do Parkinson, como rigidez e lentidão.

Na demência frontotemporal, os primeiros sintomas frequentemente aparecem no comportamento, na personalidade ou na linguagem.
Júlia Godoy destaca que o paciente pode se tornar mais impulsivo, perder o filtro social e mais ficar apático.
“Esses sintomas relacionados a mudanças comportamentais ou dificuldade de linguagem, por exemplo, são frequentemente confundidos com depressão, estresse ou envelhecimento natural”, destaca a especialista.
Independentemente do tipo de demência, o diagnóstico precoce é a chave para que o paciente consiga atrasar o desenvolvimento de sintomas e preservar a qualidade de vida a medida que as doenças neurodegenerativas avançam.

“Mesmo quando não há cura, identificar cedo o tipo de demência ajuda a organizar melhor o cuidado, orientar a família, adaptar a rotina, reduzir riscos e escolher estratégias mais adequadas para cada caso. Isso pode melhorar muito a qualidade de vida do paciente e também de quem cuida”, garante a neuropsicóloga Vanessa Bulcão.
