
O advogado Fabio Wajngarten disse nesta quarta-feira (20) que tenta fazer o marqueteiro Marcello Lopes “reconsiderar” a decisão de deixar a pré-campanha à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por meio de publicação no X (ex-Twitter), o secretário de Comunicação Social no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que o publicitário é a “pessoa certa para a função”.
“Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio. Estou tentando fazer o Marcellão reconsiderar e, caso não tenha êxito, vou sugerir alguém de confiança [dele], que já teve contato com o grupo até o momento. Os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa não servem. Meu celular derrete neste momento para que nenhum desses nomes seja sequer considerado”, declarou Wajngarten.
O ex-secretário ainda elogiou o marqueteiro. Wajngarten afirmou que Lopes é “ótimo” e uma “alma boa”, mas que foi “sabotado pela política”.
Mais cedo, em nota, o publicitário comunicou que deixou a pré-campanha de Flávio para “focar na própria empresa e priorizar os seus negócios”.
Amigo pessoal do senador, Lopes disse que passou toda a tarde desta quarta-feira com o parlamentar. Durante o encontro, o publicitário comunicou a Flávio que não poderia mais colaborar com a pré-campanha. O marqueteiro ainda informou que retornará aos Estados Unidos.
Lopes deixa a pré-campanha de Flávio após crise desencadeada pelo vazamento de conversa entre o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na quarta-feira (13), a agência de notícias Intercept Brasil noticiou que Flávio trocou mensagens com Vorcaro, com o intuito de captar financiamento para o filme “Dark Horse”, que contará a história de Bolsonaro.
Já na terça-feira (19), o portal Metrópoles revelou que o parlamentar se encontrou com o banqueiro após a primeira prisão, em novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero para apurar supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Em entrevista a jornalistas, Flávio confirmou a visita.
“Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não poderia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para ‘botar um ponto final’ nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, disse Flávio.
Segundo a reportagem do Intercept Brasil, o dono do Banco Master se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para financiar o longa. Desse montante, ao menos US$ 10 milhões teriam sido pagos de fevereiro a maio de 2025.
As mensagens divulgadas pela agência de notícias mostraram uma negociação entre Flávio e o Vorcaro. Em outubro de 2025, o senador chegou a cobrar o banqueiro, afirmando que a produção estava “no limite” financeiro. Os diálogos também indicaram que houve um encontro na casa do dono do Banco Master, em São Paulo, em 2 de novembro de 2025, que contou com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh.
Apesar da repercussão, Flávio tem defendido publicamente a captação dos recursos. Na sexta-feira (15), durante evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, o parlamentar justificou o investimento privado na obra e criticou o uso de verba pública para o que chamou de “propaganda política”.
Como exemplo, citou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no Carnaval de 2026. Na mesma ocasião, Flávio criticou o Intercept Brasil. Ele classificou a equipe como “suspeita” e acusou o veículo de tentar “interceptar o futuro do país”.
