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Metrópoles

Estudo indica relação entre pesticida e câncer colorretal antes dos 50

O aumento de casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos suscita dúvidas sobre o que pode estar por trás desse avanço. Um novo estudo sugere que fatores do dia a dia, como alimentação, tabagismo e até exposição a pesticidas, podem ter papel importante nesse cenário.

A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine em 21 de abril, analisou alterações no DNA de pacientes mais jovens e mais velhos e encontrou diferenças associadas ao histórico de exposições ao longo da vida. Essas marcas funcionam como um registro biológico de hábitos e ambientes aos quais a pessoa foi exposta.

Embora o câncer colorretal ainda seja mais comum após os 50 anos, o crescimento entre os mais jovens tem chamado a atenção. Em alguns países, a doença já está entre as principais causas de morte por câncer nessa faixa etária.

O que o DNA pode revelar

Para entender melhor essas diferenças, os pesquisadores analisaram modificações conhecidas como marcas epigenéticas. Elas não alteram o DNA em si, mas influenciam a forma como os genes funcionam, e podem ser impactadas por fatores como dieta, cigarro e contato com substâncias químicas.

Ao comparar os dados, a equipe encontrou padrões distintos ligados a esses fatores em pacientes mais jovens. Entre os resultados, chamou a atenção a associação com o herbicida picloram, utilizado há décadas na agricultura.

Os cientistas observaram que regiões com maior uso dessa substância também apresentavam mais casos de câncer colorretal precoce. A relação permaneceu mesmo após considerar outros fatores sociais e ambientais.

Apesar disso, os próprios autores destacam que ainda não é possível afirmar que o pesticida seja a causa direta da doença. A associação indica um caminho de investigação, mas precisa ser confirmada por novos estudos.

Outros fatores do cotidiano

Além dos pesticidas, o estudo reforça o papel de hábitos já conhecidos. Alimentação e tabagismo também apareceram ligados às alterações observadas no material genético dos pacientes.

Segundo os pesquisadores, as descobertas ajudam a entender melhor como o ambiente e o estilo de vida podem influenciar o risco de câncer ao longo do tempo, especialmente em idades mais jovens.

A expectativa dos autores é que esse tipo de análise permita, no futuro, identificar, com mais precisão, pessoas em maior risco e orientar estratégias de prevenção.

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