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Espécies não nativas de moluscos cresceram 215% em 15 anos no Brasil

Atualmente, há 82 espécies não nativas de moluscos encontradas no Brasil. O número, que anteriormente era de 26 exemplares, aumentou em 215% em 15 anos. As informações vêm do primeiro inventário nacional sobre os organismos produzido por pesquisadores locais. Do total, 20 tipos são considerados invasores, podendo causar danos socioeconômicos, à biodiversidade e à saúde.

Além das 82 espécies, ainda foram detectadas mais 13 de origem não determinada devido à falta de dados consistentes ou à existência de informações muito antigas – elas são chamadas de criptogênicas. “A maioria nós apenas detectamos, não temos muita informação”, afirma um dos autores do estudo, Marcel Sabino Miranda, em entrevista à Agência Fapesp.

Todos os animais catalogados foram classificados em categorias de acordo com as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Classificação de Impacto Ambiental para Táxons Exóticos (EICAT) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A compilação dos dados para a realização do inventário foi liderada pelo pesquisador Fabrizio Marcondes Machado, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com cientistas de outras instituições brasileiras. Os resultados foram publicados na revista Biological Invasions em abril.

“Observamos uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no Brasil e lacunas persistentes no conhecimento taxonômico e ecológico dessas espécies”, analisa Miranda.

Entre as espécies não nativas catalogadas, estão o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e o caramujo-africano (Lissachatina fulica). O primeiro, apesar dos esforços financeiros para controlá-lo, pode causar entupimento e a perda de eficiência de usinas hidrelétricas nos locais onde está espalhado. Já o caramujo pode ser uma praga agrícola, além de servir como hospedeiro do parasita causador da meningite, uma doença grave.

De acordo com os cientistas, o aumento no número de espécies não nativas no Brasil necessita da adoção de medidas para monitorá-las e detectá-las o mais rápido possível, visando a manutenção da biossegurança brasileira.

“O ideal é que fossem realizados grandes estudos e políticas para avaliar os possíveis impactos e planos para conter ou erradicar as espécies que causam prejuízos. Um estudo como esse, porém, é um primeiro passo importante nessa direção”, avalia Miranda.

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