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Endometriose: os sete anos que podem custar a fertilidade da mulher

Sentir algum desconforto durante a menstruação pode fazer parte da vida. O que não deveria ser considerado normal é precisar faltar ao trabalho, cancelar compromissos, deixar de estudar ou depender de analgésicos fortes todos os meses para suportar a dor.

Mesmo assim, milhões de mulheres convivem durante anos com esses sintomas antes de descobrir que têm endometriose. O diagnóstico da doença ainda demora, em média, cerca de sete anos. Nesse período, a inflamação continua evoluindo e pode afetar não apenas a qualidade de vida, mas também a fertilidade. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlar seus efeitos e preservar a saúde reprodutiva.

Dor intensa nunca deveria ser encarada como algo normal

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste o interior do útero cresce fora dele, provocando um processo inflamatório crônico.

As manifestações variam de uma mulher para outra, mas os sintomas mais frequentes incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual, dor para evacuar ou urinar durante o período menstrual e dificuldade para engravidar.

O grande problema é que essas queixas ainda são frequentemente banalizadas. Muitas mulheres crescem ouvindo que “cólica faz parte da vida” ou que a dor é uma característica natural da menstruação. Essa normalização contribui diretamente para o atraso no diagnóstico.

A fertilidade pode ser preservada, mas o tempo faz diferença

Receber o diagnóstico de endometriose não significa que a mulher seja estéril. A doença é uma causa importante de infertilidade, mas isso não significa que a gravidez seja impossível.

A inflamação provocada pela endometriose pode favorecer aderências nas trompas, comprometer a função dos ovários e dificultar o encontro entre óvulo e espermatozoide. Em alguns casos, também surgem os endometriomas, cistos ovarianos que podem reduzir a reserva ovariana.

Ainda assim, muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente. Outras podem se beneficiar do tratamento clínico, da cirurgia ou das técnicas de reprodução assistida.

O fator tempo, porém, faz diferença. Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maiores são as oportunidades de preservar a fertilidade e planejar a gestação da forma mais adequada.

Hoje o tratamento começa com uma pergunta diferente

A medicina também mudou a maneira de tratar a endometriose. Hoje, a decisão não se baseia apenas na extensão da doença, mas principalmente no projeto de vida da paciente. Ela deseja engravidar em breve? Quer aliviar principalmente a dor? Já teve filhos? Pretende engravidar no futuro? Essas respostas orientam a escolha do tratamento.

Em algumas mulheres, o controle clínico dos sintomas é suficiente. Em outras, a cirurgia pode ser a melhor estratégia. Há ainda pacientes para as quais o encaminhamento precoce para reprodução assistida representa o caminho mais indicado.

Por isso, duas mulheres com endometriose semelhante podem receber tratamentos completamente diferentes.

Nem toda cirurgia é a melhor solução

Outro conceito importante é que cirurgia e cura não são sinônimos. Embora seja uma ferramenta fundamental em muitos casos, ela precisa ser cuidadosamente indicada. Procedimentos repetidos sobre os ovários podem comprometer a reserva ovariana, enquanto cirurgias realizadas sem uma indicação bem estabelecida nem sempre aliviam os sintomas ou melhoram as chances de gravidez.

A decisão deve considerar fatores como idade, intensidade da dor, localização das lesões, reserva ovariana e desejo reprodutivo da paciente. Mais importante do que operar é indicar a cirurgia no momento certo e com objetivos bem definidos.

O maior risco é acreditar que ‘não tem jeito’

O maior desafio da endometriose continua sendo o atraso no diagnóstico. Quanto mais tempo a doença permanece sem tratamento, maiores são as chances de progressão das lesões, de impacto sobre a fertilidade e de prejuízo à qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, os avanços da medicina permitem afirmar que existem diferentes estratégias para controlar os sintomas, preservar a fertilidade e ajudar muitas mulheres a realizar o desejo de engravidar.

Vale dizer que dor intensa não deve ser encarada como parte normal da menstruação. Ouvir o próprio corpo e procurar avaliação especializada diante de sintomas persistentes pode fazer toda a diferença no futuro reprodutivo e na qualidade de vida.

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