

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta sexta-feira (21/8), que o Brasil precisa ter foco no enfrentamento à questão dos juros elevados. Durigan colocou o assunto como um dos temas centrais para o país nos próximos anos.
“Os juros altos trazem empecilho para as pessoas. Os juros do cartão de crédito são absurdos, abusivos. Os juros que as pessoas pagam no crediário, muitas vezes para as fintechs, são juros que têm de ser tratados. E esse deve ser, junto com o fim da escala 6×1, o nosso enfoque para os próximos anos no Brasil”, sinalizou Durigan em entrevista à rádio Metrópole, da Bahia.
Os juros do cartão de crédito, por exemplo, bateram 442,4% ao ano, conforme o relatório “Estatísticas monetárias e de crédito“, do Banco Central (BC), divulgado em 30 de julho.
As taxas cobradas ao público em geral são influenciadas pela taxa básica de juros da economia, a Selic, que está em 14% ao ano. O índice é deliberado pela diretoria do BC, que forma o Comitê de Política Monetária (Copom).
O colegiado tem reduzido a taxa, mas em ritmo suave e com a ressalva de que a inflação fora da meta e a situação fiscal do país são pontos de preocupação, questões que, para Durigan, têm um peso importante das guerras.
“Quando o Banco Central brasileiro diz que está preocupado com preço, com inflação, não é só com a condição fiscal do país. É com guerra no mundo. Não é só o Banco Central brasileiro. Os bancos centrais do mundo todo olham para a guerra, veem o impacto de preço e de oferta e falam: ‘Opa, eu vou precisar aumentar juros para a inflação não sair do controle'”, disse.
A gestão de Lula tem sido criticada amplamente pela elevação na dívida pública. Boletim de Estatísticas Fiscais, divulgado pelo Banco Central (BC), no último dia 31, apontou que a dívida bruta do país atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Nessa quinta-feira (20/8), Durigan afirmou à rádio CBN que, caso o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, no próximo mandato haverá um esforço fiscal para melhorar o resultado primário (o saldo entre receitas e despesas, sem o pagamento de juros da dívida pública). Nos últimos anos, o país tem acumulado déficit, o que faz aumentar o endividamento.
“De modo que a gente faça um esforço fiscal como foi feito neste governo, que a gente fez um esforço fiscal de 2% do PIB. Isso é o fundamental para as pessoas entenderem que não tem navegação no escuro, que nós estamos prontos para fazer um eforço fiscal de mesma dimensão (do atual mandato)”, sinalizou.
