
Pesquisas recentes mostram que uma boa noite de sono é fundamental para a saúde do organismo, enquanto o descanso ruim produz o efeito oposto. Em adolescentes, por exemplo, dormir pouco compromete não apenas o bem-estar físico, mas também o desempenho escolar.
Com o objetivo de checar os efeitos positivos de dormir mais no desempenho acadêmico, um estudo inédito publicado no Journal of Political Economy em julho deste ano incentivou estudantes a dormirem uma hora a mais e constatou melhoras nas notas das disciplinas.
“A privação de sono é extremamente comum entre os jovens adultos, mas as universidades têm tido dificuldades em encontrar maneiras acessíveis de melhorar o desempenho dos alunos”, relatou o economista da saúde Osea Giuntella, da Universidade de Pittsburgh e um dos autores do estudo, ao ScienceAlert.
Para testar os efeitos que dormir bem e mais fazem no corpo e no desempenho acadêmico, os autores analisaram 1.149 estudantes em diversas etapas do estudo. Na fase de intervenção, todos receberam dispositivos vestíveis da Fitbit e foram separados em dois grupos de forma aleatória.
Inicialmente, os jovens avaliados dormiam cerca de 6,6 horas por noite e, 29% delas, menos de 6 horas.
Dessa forma, um grupo foi incentivado a dormir pelo menos mais uma hora por noite. Como estímulo, eles ganharam US$ 4,75 ao dia, durante quatro semanas, caso conseguissem atingir a meta. Além disso, eles também receberam lembretes e informativos para dormirem mais.
O outro grupo, porém, não obteve nenhum benefício financeiro nem informativos que os alertassem a dormir mais; apenas utilizaram o Fitbit.
“Estávamos interessados em duas questões principais. Primeiro, como uma intervenção comportamental simples poderia ajudar os alunos a desenvolver hábitos de sono mais saudáveis e consistentes. E, em segundo lugar, embora muitos estudos tenham documentado uma forte correlação entre o sono e o desempenho acadêmico, havia muito pouca evidência causal utilizando dispositivos vestíveis e em situações reais”, acrescentou Giuntella.
Na fase dos testes de intervenção, o grupo que recebeu incentivo dormiu mais tempo, atingindo 26% das noites com sete horas de sono, um total de 19 minutos a mais por noite. Mesmo após a finalização dos testes, os estudantes permaneceram dormindo mais do que no início da pesquisa.
Em relação às análises acadêmicas, os autores observaram que o grupo que dormiu mais apresentou melhora no desempenho das disciplinas com médias entre 0,075 a 0,089 pontos durante o semestre de intervenção e no semestre seguinte.
Para os pesquisadores, embora os resultados sejam simples e necessitem de outras análises futuras, ainda assim, eles indicam que o estudo mostrou uma melhora significativa no desempenho acadêmico, algo considerado promissor.
