
A Justiça de Roraima determinou o afastamento, por 180 dias, do delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva (foto em destaque), preso desde abril no âmbito da Operação Conluio, que investiga o assassinato de um casal de empresários no estado.
A decisão, assinada pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, aponta que o delegado é suspeito de transformar a delegacia de Rorainópolis em um “balcão de negócios”, com cobrança de propina e direcionamento de clientes para uma advogada específica.
Segundo as investigações, Rick selecionava presos e dificultava o acesso à Defensoria Pública, encaminhando os casos para a advogada. Em troca, ambos dividiriam os valores pagos em honorários. Testemunhas relataram pagamentos em dinheiro vivo.
O delegado também é investigado por possível envolvimento no duplo assassinato de Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e Rossana de Lima e Silva, de 49.
De acordo com a decisão judicial, há indícios de que ele teria sabotado a cena do crime e ocultar provas, inclusive por ter ligação financeira com uma das vítimas, que atuava com agiotagem.
Para o juiz, a permanência do delegado na função representa “ameaça direta à instrução criminal”.
As apurações indicam ainda que Rick teria usado o cargo para intimidar colegas, com ameaças de fabricar dossiês e interceptações falsas para manter o esquema em segredo.
Também há suspeitas de uso indevido de sistemas policiais para relaxar flagrantes mediante vantagem indevida e ocultar investigações.
Além do afastamento até outubro de 2026, a Justiça determinou a apreensão de armas e distintivos, bloqueio de acesso a sistemas policiais, proibição de contato com testemunhas e o impedimento de entrar em delegacias.
A Operação Conluio é conduzida pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH) e pelo Gaeco do Ministério Público de Roraima.
