
Quando pensamos em todas as terapias que são aplicadas dentro de unidades hospitalares, muitas vezes nem imaginamos quais foram os processos que a técnica percorreu até chegar ao paciente.
Esses métodos dependem de estudos científicos densos, que às vezes levam anos até serem publicados e colocados em prática nos tratamentos clínicos diários. Para que uma terapia seja usada na vida real, a pesquisa científica precisa passar por etapas importantes e fundamentais.
Tudo começa com uma pergunta, um questionamento que pode surgir durante um tratamento, quando o profissional encontra uma dúvida real sobre um paciente ou diagnóstico.
Para responder à pergunta, assim como em qualquer área que conduz pesquisas, é preciso formular uma hipótese e desenvolver um protocolo científico para testá-la.
Segundo o cardiologista Antonio Aurelio Fagundes, coordenador da UTI Geral do Hospital DFStar, da Rede D’Or, com a definição do tema que será estudado, dá-se início a um processo longo.
“Depois de pensar na pergunta que precisa ser respondida, fazemos a elaboração de um protocolo, com definição de público, métodos, tamanho de amostra, critérios de inclusão, desfecho e análise estatística. Só depois disso é que partimos para a elaboração do artigo que será publicado”, explica.
A publicação do estudo científico não significa que o processo acabou. Ele ainda pode passar por replicação por grupos independentes, revisões sistemáticas e metanálises, estudos maiores e com acompanhamento mais longo, incorporação ou não às diretrizes médicas, avaliação por órgãos reguladores, como Anvisa, FDA ou EMA, monitoramento de segurança após a liberação, e possíveis correções, caso sejam identificados erros importantes.
“Para um novo medicamento, por exemplo, a sequência habitual é a pesquisa pré-clínica, fases clínicas 1, 2 e 3, análise regulatória e fase 4, que acompanha o tratamento depois de sua entrada em redes de farmácias, hospitais e postos de saúde”, acrescenta Fagundes.
Antes de as pesquisas serem feitas de fato com humanos, elas são submetidas a testes em laboratório com células e computadores, depois passam para animais e só então são realizadas em humanos.
O cardiologista explica que alguns estudos científicos até podem já ser realizados diretamente com seres humanos, mas existem restrições.
“Um tratamento experimental geralmente precisa demonstrar segurança suficiente no laboratório e, quando pertinente, em modelos animais antes de ser administrado a pessoas”, alerta.
Por trás das pesquisas existem muitos profissionais que dedicam boa parte da vida, senão toda ela, à carreira em estudos científics. Segundo Valéria Spolon Marangoni, coordenadora de Pesquisa e Laboratórios da Ilum Escola de Ciência do CNPEM, o trabalho de um pesquisador é bastante diversificado, pois envolve uma rotina de elaborar projetos, buscar financiamento, planejar pesquisas, analisar dados, publicar artigos científicos e participar de congressos.
Ela reforça que, além disso, grande parte dos pesquisadores orienta estudantes, ministra aulas e desenvolve projetos para universidades, instituições ou empresas públicas.
“A ciência é cada vez mais colaborativa e interdisciplinar, exigindo interação constante com profissionais de diferentes áreas do conhecimento”, destaca.
O maior objetivo — seja da pesquisa, seja da carreira científica — é produzir novos conhecimentos e encontrar respostas para perguntas não solucionadas, melhorando as terapias clínicas diárias do paciente.
