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Cientistas encontram fóssil de 240 milhões de anos com estômago preservado

Um fóssil encontrado na província de Yunnan, na China, preservou algo raro para um animal que viveu há cerca de 240 milhões de anos: vestígios do estômago, do fígado e do intestino.

O réptil marinho, chamado Austronaga minuta, tinha aproximadamente 60 centímetros de comprimento e viveu durante o período Triássico. Segundo os pesquisadores, os órgãos representam os registros conhecidos mais antigos das estruturas em répteis. O achado foi publicado em 29 de julho na revista científica Science Adviser.

O esqueleto completo já permitia estudar o pescoço alongado e as adaptações do animal à água. Na nova análise, a equipe examinou também uma área escura preservada entre as costelas. A posição, a forma e a composição dos materiais encontrados ali ajudaram os cientistas a identificar partes do sistema digestivo.

O que o fóssil revelou por dentro

Os pesquisadores identificaram, na parte da frente do abdômen, um estômago grande com uma única câmara. Logo atrás, encontraram uma camada avermelhada interpretada como o fígado; a análise detectou uma concentração elevada de ferro na região, compatível com o órgão. Mais adiante, estruturas dispostas em curvas foram associadas aos intestinos delgado e grosso.

O estudo também descreve possíveis restos de alimento, incluindo escamas de peixe, no material preservado. Somados aos dentes pontiagudos do réptil, os achados sustentam a interpretação de que ele caçava peixes pequenos. O intestino era relativamente curto e pouco complexo, característica que os autores relacionam a uma alimentação baseada em animais.

Um corpo adaptado à vida no mar

Por fora, o Austronaga minuta apresentava mudanças marcantes para nadar. Os membros dianteiros eram alongados e semelhantes a nadadeiras, enquanto os traseiros eram bem menores. A cauda comprida provavelmente ajudava na propulsão, e os membros dianteiros contribuíam para direcionar e estabilizar o corpo na água.

O contraste chamou a atenção da equipe: embora o esqueleto mostrasse uma forte adaptação à vida marinha, o sistema digestivo mantinha uma organização relativamente simples.

O fóssil oferece uma visão incomum de como era o corpo por dentro e por fora de um antigo parente de linhagens que, mais tarde, incluiriam crocodilos e dinossauros.

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