
Tem pessoas que se passarem alguns minutos do horário de comer já ficam cansadas, sem energia ou até estressadas. Imagine então ficar cinco anos sem se alimentar. Difícil, não é mesmo? Mas para o batinomídeo supergigante, um isópode de águas profundas, o hábito não fica apenas na imaginação. O animal é capaz de passar longos períodos sem uma refeição e mesmo assim sobreviver.
O curioso é que se trata de um bicho de corpo muito grande, o que normalmente exige uma quantidade enérgica maior de comida. Intrigados, pesquisadores chineses foram entender o que está por trás do “jejum bem intermitente” do animal, que vive em um ambiente com pouca disponibilidade de nutrientes.
O trabalho liderado pelo Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências (IOCAS) teve os resultados publicados na revista Cell na última sexta-feira (5/6).
Em busca de respostas, foram analisadas duas espécies de isópodes de água profundas distintas: o Bathynomus jamesi, que vive a cerca de 898 metros de profundidade, e o Bathynomus doederleini, localizado a cerca de 300 metros de profundidade.
Após realizar análises morfológicas, fisiológicas, comportamentais e metagenômicas, descobriu-se que os animais utilizam uma estratégia dupla para realizar o feito: eles têm um estômago dilatado com capacidade de guardar grandes quantidades de alimentos e uma taxa metabólica basal muito baixa – o termo corresponde a quantidade mínima de energia que o seu corpo necessita para realizar funções vitais em repouso.
Em outras palavras, quando tem a oportunidade, o batinomídeo supergigante se enche de comida, visto que seu estômago ocupa dois terços de seu corpo, e o organismo demora bastante tempo para digeri-la, fornecendo uma boa reserva e por bastante tempo. Segundo o exemplo dos pesquisadores, é como aumentar a “receita” e depois reduzir as “despesas”.
“Nosso trabalho não apenas decifra o mistério da tolerância à inanição de longa duração em isópodes de águas profundas, mas também fornece um paradigma importante para entender como a vida equilibra crescimento e sobrevivência em ambientes extremos”, ressalta o primeiro autor do estudo, Yuan Jianbo, em comunicado.
