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Cérebro de crianças que ingerem cafeína se desenvolve de forma diferente

Crianças de 9 a 11 anos que consomem mais cafeína, proveniente principalmente de refrigerantes, dormem menos e apresentam diferenças no desenvolvimento do cérebro. O estudo, publicado na revista Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging nesta quinta (15/10), analisou dados de 9.632 crianças e foi realizado pelo King’s College London, no Reino Unido.

Cada criança participante informou a quantidade de bebidas com cafeína consumida em uma semana (incluindo refrigerante, chá ou café), e os pais responderam a um questionário que envolvia o tempo de sono médio de cada participante.

Também foram realizadas tomografias para medir a espessura e a área da superfície do córtex – a área do cérebro está relacionada a processamento cognitivo, tomada de decisões, atenção e emoções.

Após o período de um semestre e de 18 meses após o primeiro encontro, as crianças repetiram os testes e responderam a perguntas sobre sua saúde mental. Os resultados mostraram que os voluntários que tomavam mais cafeína tinham uma área de córtex menor, mesmo quando outros fatores, como circunstâncias socioeconômicas, foram consideradas.

Bebidas comuns para adultos têm efeitos piores em crianças

Os refrigerantes foram considerados a maior fonte de cafeína no estudo. Crianças que tomaram uma bebida por semana já apresentavam diferença nos resultados.

“A cafeína é uma parte tão comum do dia a dia que é fácil esquecer que os jovens também a consomem. Estudos revelaram que dois terços dos adolescentes consomem cafeína pelo menos uma vez por semana. Apesar de ser uma substância psicoativa, ela não é submetida a nenhum tipo de regulamentação”, afirma a pesquisadora Divyangana Rakesh, em comunicado à imprensa.

Ela aponta que, além das diferenças na estrutura cerebral, foram identificadas variações na saúde mental, como problemas de humor, atenção e comportamento. As crianças também dormiam menos, o que pode ter afetado os outros resultados.

“Embora não possamos afirmar uma relação de causalidade, nossos resultados sugerem que tanto o consumo de cafeína — incluindo a proveniente de refrigerantes — quanto o sono são aspectos que merecem atenção quando pensamos na saúde mental dos jovens”, alerta a cientista.

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