
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tornou réu o soldado da Polícia Militar (PM) Vinicius Costa Silva, de 26 anos, suspeito pela morte da esposa Larissa da Cruz Morata, de 29. Preso desde 7 de setembro, Vinicius também teve a prisão temporária convertida em preventiva.
A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no último dia 28. Procurada pelo Metrópoles, a defesa do soldado ainda não respondeu. O espaço permanece aberto. O processo tramita na 3ª Vara de Embu das Artes e está sob segredo de justiça.

Larissa foi encontrada morta no dia 6 de setembro, na residência em que o casal morava em Embu das Artes, na Grande São Paulo, com um tiro na cabeça. O soldado alega que a técnica em radiologia teria cometido suicídio.
Ele foi preso no dia seguinte à morte, no velório da esposa, após a Polícia Civil ter acesso a elementos de ordem pericial que divergiam da versão inicialmente apresentada por ele.
No dia 10 de setembro, a Polícia Civil ouviu cinco testemunhas, familiares de Larissa Morata. No mesmo dia, cumpriu um mandado de busca e apreensão contra Thamires Costa Mathias, irmã de Vinicius. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Thamires agora é investigada no caso.
Segundo o boletim de ocorrência do caso, a jovem de 19 anos estava na residência do casal quando Larissa foi baleada. Ela afirma que cuidava do sobrinho, de dois anos, filho de Larissa e Vinicius.
Também no dia 10/9, a investigação teve acesso ao laudo necroscópico da técnica em radiologia. O exame do Instituto Médico-Legal (IML) identificou ao menos 17 lesões no corpo dela, incluindo roxões nas mãos e pernas de Larissa e escoriações na região cervical e no joelho esquerdo.
O documento ainda confirmou que o disparo que matou Larissa da Cruz Morata foi efetuado de trás para frente e da esquerda para a direita. O projétil entrou na parte de trás e mais acima da orelha esquerda e saiu pela região da têmpora direita.
A legista responsável também observou a presença de fios de cabelos soltos grudados na calça da jovem, sem manchas de sangue.
O laudo necroscópico é considerado fundamental para esclarecer pontos que podem elucidar o caso e determinar se Larissa foi vítima de feminicídio ou se cometeu suicídio, como alega a defesa de Vinicius Costa Silva.
Em nota enviada ao Metrópoles anteriormente, a defesa do soldado da PM classificou a morte da mulher como “fatalidade” e destacou que, “desde o primeiro momento, Vinicius relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida”. “Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”, diz o texto.
Segundo o comunicado, o casal terminou no dia do ocorrido, mas “Vinicius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior”.
A defesa destaca ainda que a irmã de Vinicius estava na residência no momento dos fatos, “sendo importante testemunha que já esclareceu as circunstâncias em seu depoimento à autoridade policial”. Conforme o advogado, ao perceber o ocorrido, acionou o 190 e o atendimento de emergência, além de ter comunicado à família de Larissa e permanecido no local até a chegada das autoridades, e comparecido à delegacia.
“A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento. A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.
O advogado menciona ainda que “Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais, as conversas anteriormente mencionadas e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa”.
