
O Ministério Público do Estado de Alagoas confirmou que o júri das três pessoas acusadas de matar Ana Clara Firmino da Silva, de 12 anos, será realizado nesta quinta-feira, 14. A adolescente foi brutalmente assassinada no dia 2 de janeiro de 2025, no município de Maravilha, no Sertão de Alagoas. Um homem de 21 anos é apontado como autor do feminicídio, outro de 23 anos e uma mulher de 26 anos também serão julgados pela participação no crime.
Mais de um ano após o assassinato, o promotor José Antônio Malta Marques afirmou que vai pedir a condenação por feminicídio, em relação à Ana Clara, e de tentativa de homicídio triplamente qualificado contra um adolescente, que também foi atacado violentamente.
“Um crime estarrecedor e o Ministério Público utilizará todos os recursos para que os autores sejam punidos por tamanha estupidez. Eles esbarraram a vida de uma menina que sequer teve o privilégio de vivenciar a adolescência, por um motivo fútil. É preciso acabar com essa cultura de posse, o homem precisa saber ouvir e aceitar um não. Nesse caso, o acusado, à época do crime, com 20, e a vítima com 12. Estaremos sustentando as qualificadoras, fortalecendo o crime de feminicídio”, destacou o promotor José Antônio Malta Marques.
Após a morte da adolescente, os acusados foram presos no dia 5 de janeiro, três dias após o assassinato. Eles foram denunciados pelo MP em fevereiro de 2025.
O caso
A morte da adolescente chocou a população de Maravilha no dia 2 de janeiro de 2025, quando ela foi encontrada com uma faca cravada nas costas, na mesma noite da festa da padroeira da cidade.
Segundo os autos, um dos suspeitos tinha interesse de se relacionar com Ana e teria se revoltado ao vê-la conversando na calçada de uma creche com um adolescente. Os depoimentos colhidos durante a investigação do caso revelaram que o denunciado tinha o costume de vigiar e perseguir Ana Clara em festas e outros lugares públicos.
Ainda de acordo com o MPAL, no dia do crime acontecia a festa da padroeira da cidade. Dois casais de adolescentes estavam próximos a uma creche e conversavam, quando um carro, de cor prata, ocupado pelos três suspeitos, estacionou. Dois homens e uma mulher desceram do veículo e abordaram os casais.
Dois adolescentes, amigos de Ana, foram liberados pelo trio. Já a vítima e o adolescente que conversava foram espancados. O adolescente ainda conseguiu esmurrar um dos suspeitos e, apesar de ser atingido por um golpe de faca nas costas, fugiu.
Ana não conseguiu se livrar das agressões e foi brutalmente atingida com golpes de faca na região glútea e escapular. Os criminosos ainda deixaram a faca peixeira cravada nas costas da menina e abandonaram o corpo.
O caso teve ampla repercussão e, a pedido do Ministério Público na época, as autoridades realizaram uma reprodução simulada para ajudar nas investigações.

