
Caminhar três mil passos por dia pode ser o suficiente para ajudar a adiar alterações no cérebro de pessoas com Alzheimer, aponta estudo norte-americano. Pesquisadores descobriram que a atividade física está ligada diretamente a um menor acúmulo de proteínas tau prejudiciais e à diminuição do declínio cognitivo e funcional até mesmo em indivíduos que apresentam sinais precoces da doença.
O estudo, publicado em novembro de 2025 na revista científica Nature, diz que mesmo níveis baixos de atividade física podem proteger o cérebro do avanço da doença.
Além disso, pesquisadores observaram benefícios mais significativos também em pessoas que caminham entre cinco e sete mil passos; mas, em quem caminha 10 mil, a meta popular conhecida, não houve mudança considerável.
O estudo acompanhou cerca de 300 adultos mais velhos durante nove a 10 anos, que apresentavam sinais precoces de Alzheimer, utilizando pedômetros (contadores de passos).
Assim, eles descobriram que a atividade física não destruiu as placas amiloides tóxicas, que são o alvo de combate da maioria dos tratamentos, mas, sim, reduziu o acúmulo de proteínas tau malformadas em áreas específicas do cérebro em pessoas que já apresentavam essas placas.
A proteína tau aparece mais tarde na doença e está ligada ao declínio cognitivo e funcional do Alzheimer. Esses sinais foram reduzidos em quase metade dos participantes ativos.
O estudo identificou que os benefícios se iniciam nos três mil passos, o que corresponde a cerca de meia hora de caminhada em ritmo moderado, e melhoram e se estabilizam entre cinco e sete mil passos por dia. Dessa forma, constatou-se que a meta popular de 10 mil passos não demonstrou necessariamente maior proteção.
Apesar disso, o estudo apresenta limitações, pois envolveu um grupo relativamente pequeno de pessoas, em sua maioria brancas e com alto nível de escolaridade, que vivem nos EUA, e não considerou outros fatores de estilo de vida ou saúde.
Outras pesquisas, porém, corroboram esses resultados. No Reino Unido, um estudo que reuniu 1.139 pessoas acima de 50 anos, acompanhadas de oito a 10 anos, indicou que a atividade moderada a vigorosa reduziu o risco de demência em 34% a 50%.
Em pessoas que desenvolveram a doença, ser ativo reduziu o declínio da memória, sobretudo em mulheres idosas.
Em outro estudo, também do Reino Unido, que reuniu 78.430 pessoas acompanhadas por sete anos com acelerômetros, foi identificada a redução de 25% no risco de demência com 3.800 passos diários, e de 50% com 9.800 passos.
As pesquisas demonstram que caminhar mais está associado a uma melhor saúde cardiovascular, pois mantém a pressão controlada, menor colesterol, melhor sono e menor risco de diabetes, que também são fatores que afetam o risco de demência e acidente vascular cerebral (AVC).
