
O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou um plano de segurança pública com oito propostas e afirmou que pretende convidar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, para fazer parte de seu eventual Ministério.
Durante a apresentação do plano, Caiado destacou a experiência de Gakiya no combate ao crime organizado e afirmou que o promotor seria um dos nomes mais preparados para atuar na área de segurança. Segundo o candidato, o convite, no entanto, ainda não foi formalizado.
Gakiya é conhecido pela atuação no combate às organizações criminosas e acompanha há mais de duas décadas investigações relacionadas ao crime organizado no país. A experiência à frente de casos envolvendo facções criminosas foi citada por Caiado como um dos principais motivos para a escolha do promotor.
Entre as oito propostas apresentadas pelo candidato, uma delas prevê a criação de uma legislação para enquadrar determinadas organizações criminosas como grupos terroristas. Na avaliação de Caiado, facções que controlam extensas áreas do território, cobram dinheiro da população e utilizam assassinatos e ameaças para impor seu domínio devem ser tratadas como grupos terroristas.
“Como terrorista não se negocia. Se enfrenta e se vence”, afirmou Caiado ao defender uma postura mais dura contra as facções. O candidato também disse que, em situações consideradas necessárias, as Forças Armadas poderiam ser utilizadas no enfrentamento dessas organizações.
A proposta, entretanto, encontra resistência de Lincoln Gakiya. Em entrevista à Jovem Pan, o promotor afirmou ser contrário à classificação de organizações criminosas como terroristas, especialmente no contexto da discussão sobre uma eventual classificação desse tipo pelos Estados Unidos.
Segundo Gakiya, a mudança poderia produzir efeitos negativos na cooperação internacional para o combate ao crime organizado. Atualmente, de acordo com o promotor, parte das ações de cooperação entre Brasil e Estados Unidos ocorre por meio de instituições policiais, como a Polícia Federal e órgãos de investigação norte-americanos.
Na avaliação de Gakiya, se as organizações criminosas passassem a ser tratadas oficialmente como grupos terroristas, determinadas investigações e canais de cooperação poderiam mudar de competência, passando a envolver estruturas de inteligência, como a CIA, o que, segundo ele, poderia dificultar ou reduzir a colaboração entre os países.
Apesar de ter sido citado publicamente por Caiado como possível integrante do Ministério, Gakiya afirmou que ainda não recebeu um convite formal e, por isso, não se manifestou sobre a possibilidade de aceitar o cargo.
Durante a apresentação do plano, Caiado também ressaltou que o convite ainda não havia sido formalizado. O candidato, porém, reiterou que considera Gakiya o nome mais adequado para integrar sua equipe de governo na área de segurança justamente pela experiência acumulada no enfrentamento ao crime organizado.
A proposta evidencia uma das principais linhas do plano de Caiado para a segurança pública: ampliar o enfrentamento às facções criminosas, endurecer a legislação e utilizar, quando necessário, estruturas do Estado para recuperar áreas sob domínio de organizações criminosas.
