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Assinatura química oculta pode ajudar na busca por vida extraterrestre

Quando se fala em vida extraterrestre, qualquer microrganismo originado fora da Terra, por mais simples que seja, pode receber a classificação. Atualmente, os cientistas tentam identificar moléculas que indiquem a presença alienígena, porém algumas delas podem ser formadas por processos químicos comuns do espaço não ligados à vida, dificultando o trabalho dos especialistas.

Como solução, um novo estudo propõe procurar de uma forma diferente: ao invés de buscar por moléculas específicas e seus compostos, a pesquisa deve ser pela forma como elas se organizam internamente.

A proposição veio após os pesquisadores identificarem que a vida não apenas produz compostos químicos, mas os organiza de um um jeito específico.

A sugestão foi liderada pelo Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, em parceria com a University of California, Riverside (UC Riverside), nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy nessa segunda-feira (11/5).

“Estamos demonstrando que a vida não produz apenas moléculas. Ela também produz um princípio organizacional que podemos observar aplicando estatísticas”, explica o coautor do estudo, Fabian Klenner, da UC Riverside, em comunicado.

Assinatura química oculta da vida extraterrestre

Para chegar à conclusão do padrão, foram analisados 100 conjuntos de dados já existentes, incluindo aminoácidos e ácidos graxos de micróbios, solos, fósseis, meteoritos, asteroides e amostras sintéticas feitas em laboratório.

A investigação utilizou um método estatístico muito usado na ecologia, que mede a riqueza (quantas espécies estão presentes) e a equitabilidade (quão uniformemente elas estão distribuídas).

De acordo com os resultados, os materiais biológicos mostravam repetidamente um padrão de organização distinto dos com química não-viva. Além disso, até as amostras biológicas altamente degradadas demonstravam as mesmas especificidades.

“Isso foi realmente surpreendente. O método captou não apenas a distinção entre vida e não vida, mas também os graus de preservação e alteração”, observa Klenner.

Como se baseia em métodos estatísticos, os pesquisadores avaliam que a técnica pode servir também para análises de dados já coletados anteriormente. Por outro lado, eles defendem que o processo sozinho não é capaz de comprovar a existência de vida extraterrestre, sendo necessários outros tipos de avaliações.

“Qualquer alegação futura de ter encontrado vida exigiria múltiplas linhas de evidência independentes, interpretadas dentro do contexto geológico e químico de um ambiente planetário”, alega o coautor.

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