
A Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca investiga um surto de coqueluche na cidade após a confirmação laboratorial de três casos epidemiologicamente relacionados. O alerta foi emitido nessa quinta-feira (20) e aponta que as ocorrências envolvem contatos nos ambientes domiciliar e de trabalho. Até o momento, 33 pessoas que tiveram contato próximo com os pacientes estão sendo monitoradas pelas equipes de Vigilância em Saúde.
O primeiro caso confirmado é de um homem de 40 anos, sem comorbidades relatadas. Os sintomas começaram em 13 de julho, inicialmente com quadro gripal acompanhado de tosse. Com a evolução do quadro, ele passou a apresentar acessos de tosse semelhantes aos característicos da coqueluche, além de hipoxemia (redução anormal da quantidade de oxigênio no sangue arterial) e episódios de desmaio. O paciente foi internado e teve a presença da bactéria Bordetella pertussis confirmada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (Lacen/AL) em 16 de agosto. Após concluir o tratamento, recebeu alta hospitalar na quarta-feira (19) e permanece clinicamente estável.
A investigação dos contatos do primeiro paciente identificou inicialmente 22 pessoas, seis delas com tosse. Amostras foram coletadas e encaminhadas para análise no Lacen/AL. Dois novos casos foram confirmados em 19 de agosto: um homem de 35 anos, que teve contato com o primeiro paciente no ambiente de trabalho, e uma mulher de 38 anos, esposa do primeiro paciente. Os dois estão clinicamente estáveis, em isolamento domiciliar e sob tratamento e acompanhamento das equipes de saúde.
Com a confirmação dos novos casos, a investigação foi ampliada e levou à identificação de outros 11 contatos, sendo nove relacionados ao caso domiciliar e dois ao caso do ambiente de trabalho. Ao todo, 33 pessoas estão em monitoramento epidemiológico no município de Arapiraca.
A Secretaria Municipal de Saúde também iniciou a avaliação dos contatos que podem ter indicação de quimioprofilaxia após exposição, além de realizar busca ativa de pessoas com sintomas, visitas aos serviços de saúde e aos locais de trabalho relacionados aos casos e acompanhamento da situação vacinal da população.
DOENÇA
A coqueluche é uma doença respiratória infecciosa causada pela bactéria Bordetella pertussis e que é altamente transmissível. A principal forma de transmissão ocorre pelo contato próximo com uma pessoa infectada, por meio de gotículas respiratórias eliminadas durante a fala, tosse ou espirro. O período de incubação costuma variar de cinco a dez dias, mas pode chegar a 21 dias e, em situações raras, a 42 dias.
Entre os principais sintomas estão tosse persistente e intensa, crises de tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos após a tosse. Em crianças pequenas, especialmente as que estão em fase de amamentação, com menos de 1 ano, a doença pode evoluir de forma mais grave, com episódios de apneia, cianose, engasgos, hospitalização e outras complicações.
Por isso, a Secretaria de Saúde reforça a importância de manter a vacinação em dia, com atenção especial às crianças e às gestantes, que devem receber a vacina dTpa a cada gestação para ajudar a proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
A orientação é para que pessoas que apresentem tosse e tenham tido contato próximo com um caso confirmado procurem atendimento de saúde. Também devem ser comunicados à Vigilância Epidemiológica os casos suspeitos, inclusive quando o contato com um caso confirmado apresentar tosse, independentemente do tempo de duração.
As notificações devem ser feitas em até 24 horas ao Cievs Arapiraca, pelo telefone (82) 99948-9853, pelo e-mail cievsarapiraca@gmail.com ou por meio do formulário de notificação de agravos. A investigação permanece em andamento para identificar possíveis novos casos e interromper a cadeia de transmissão.
